Capítulo 18

1478 Words
Pete on Pete nunca soube exatamente como lidar com Vegas. Desde o primeiro momento, havia algo nele que o desestabilizava, uma presença inquietante que oscilava entre o perigo e a sedução. Vegas era intenso em tudo—no olhar, no toque, nas palavras afiadas como lâminas. E Pete? Ele se via constantemente preso entre a razão e o desejo, entre o medo e a necessidade de se aproximar. O problema era que Vegas nunca facilitava as coisas. Havia momentos em que ele parecia abrir uma brecha, deixando Pete vislumbrar algo além da fachada de frieza e crueldade. Mas no instante seguinte, ele recuava, tornando-se ainda mais impenetrável. Isso era um jogo? Ou apenas a forma natural de Vegas existir, sempre à beira do abismo? Agora, Pete se via diante de uma escolha que poderia mudar tudo. Ele descobrira algo—um segredo que poderia prejudicar Vegas se caísse nas mãos erradas. Era sua chance de se afastar desse mundo perigoso, de finalmente cortar os laços que o prendiam. Mas, ao mesmo tempo, sentia que entregar esse segredo seria como traí-lo de uma forma irreparável. E, apesar de tudo, Pete sabia que não queria ser o responsável por machucar Vegas. Seu coração martelava no peito enquanto ele encarava a informação diante de si. Ele poderia entregar. Poderia ir embora. Mas então, por que era tão difícil? Por que, mesmo sabendo de todas as razões lógicas para fugir, ele ainda sentia que Vegas tinha um poder sobre ele que desafiava qualquer lógica? Pete fechou os olhos por um instante. No final, talvez a escolha nunca tivesse sido dele. Talvez ele estivesse condenado desde o começo. — Você está estranho — a voz de Vegas cortou o silêncio, firme, mas com um toque de curiosidade. — O que foi? Pete ergueu o olhar. Vegas o observava com aquela intensidade sufocante, como se pudesse enxergar dentro dele e arrancar respostas à força. — Nada. — A mentira saiu automática, mas ele sabia que Vegas não a aceitaria tão facilmente. — Não minta para mim, Pete. — Vegas se aproximou, cada passo calculado, predatório. — Você está diferente. Como se estivesse prestes a tomar uma decisão importante. Pete engoliu em seco. Ele queria negar, queria se afastar, mas as palavras de Vegas o seguravam no lugar. Ele não podia contar a verdade. Não sem arriscar tudo. — Você confia em mim? — A pergunta de Vegas veio baixa, quase um sussurro. Pete sentiu o ar sair de seus pulmões. Era isso. A pergunta que ele próprio vinha tentando responder. Ele deveria confiar? Poderia confiar? — Eu… — Ele hesitou, vendo a expectativa nos olhos de Vegas. — Quero confiar. Vegas inclinou a cabeça, um meio sorriso brincando em seus lábios. — Isso já é um começo. Mas espero que, quando a hora chegar, você faça a escolha certa. Pete não sabia se aquilo era um aviso ou uma ameaça. Talvez fosse os dois. — Você não vai parar, não é? — Pete quebrou o silêncio, a voz carregada de cansaço e algo mais… tristeza. Vegas fechou os olhos por um instante antes de responder: — Não. Não até ele pagar. — E se isso te destruir no processo? Vegas virou-se para encará-lo. Havia algo duro e inquebrável em seu olhar. — Eu já fui destruído há muito tempo, Pete. Isso é tudo o que me resta. Pete cerrou os punhos, avançando um passo. — Isso é mentira. Você não está sozinho, Vegas. Eu estou aqui. Mas você escolhe se enterrar nesse ódio! Vegas riu, mas sem humor. — Você não entende. Nunca entendeu. Isso não é uma escolha, Pete. É minha obrigação. — E eu sou o quê, então? — Pete disparou, o tom mais alto agora. — Algo descartável? Alguém que você pode simplesmente empurrar para longe quando sua vingança for mais importante? Vegas estreitou os olhos, a mandíbula travada. O ar entre eles era eletrizante, carregado de algo mais que raiva. — Eu nunca disse isso. — A voz de Vegas saiu baixa, mas carregada de algo perigoso. — Mas age como se fosse verdade! — Pete avançou mais um passo, até seus p****s quase se tocarem. — Você me ama, Vegas? Ou eu sou só mais um obstáculo no seu caminho? Vegas o agarrou pelo colarinho, puxando-o com força. Os olhos de Pete estavam arregalados, o peito subindo e descendo rapidamente. Então, antes que qualquer um deles pudesse pensar, Vegas o beijou. O beijo foi intenso, feroz, como se estivesse tentando silenciá-lo e, ao mesmo tempo, provar algo. Pete retribuiu com a mesma intensidade, segurando Vegas pelos ombros, puxando-o ainda mais para perto. O ar entre eles pegava fogo. Vegas o empurrou contra a mesa, os lábios nunca se afastando. As mãos de Pete deslizaram pelo peito de Vegas, sentindo os músculos tensos, a urgência de cada toque. A raiva, a frustração, o desejo—tudo misturado em um calor insuportável. Quando Vegas finalmente se afastou, os lábios vermelhos e a respiração pesada, ele murmurou contra a boca de Pete: — Você é a única coisa que me faz querer algo além da vingança… e esse é o meu maior problema. Pete não respondeu. Em vez disso, puxou Vegas de volta para ele, porque, naquele momento, palavras não eram necessárias. A tensão crescia conforme Vegas empurrou Pete contra a parede, os corpos colados, as respirações entrecortadas. As mãos de Pete subiram para os cabelos de Vegas, puxando com força, arrancando um gemido baixo do outro. — Você sempre faz isso — Pete murmurou entre os beijos, os lábios inchados. — Sempre me arrasta para esse fogo junto com você. — Porque você pertence a ele tanto quanto eu — Vegas respondeu, deslizando os dedos sob a camisa de Pete, sentindo a pele quente contra a palma da mão. Pete estremeceu sob o toque, ofegante. Por mais que tentasse lutar contra, a verdade era que não conseguia resistir a Vegas. E talvez, no fundo, não quisesse. Vegas deslizou os lábios pelo pescoço de Pete, mordendo de leve, fazendo-o arfar. As mãos de Pete agarraram a camisa de Vegas, puxando-a para fora da calça com pressa, os dedos ansiosos explorando a pele quente e tensa por baixo. — Você sempre me provoca — Pete murmurou contra os lábios de Vegas. — Porque eu sei que você gosta — Vegas respondeu, a voz rouca, os olhos carregados de desejo e algo mais profundo. O corpo cobrindo o dele, os beijos se tornando ainda mais urgentes, famintos. As mãos de Vegas deslizaram pelo corpo de Pete, explorando cada centímetro com uma posse feroz, como se quisesse gravar sua presença na pele dele. Pete arqueou o corpo contra Vegas, ofegante, sentindo o peso e o calor dele sobre si. A tensão entre eles atingia um ápice perigoso, um fogo que ameaçava consumir tudo ao redor. — Você me deixa louco, Vegas… — Pete confessou, entre respirações pesadas. Vegas sorriu contra a pele dele, mordendo de leve o lóbulo da orelha antes de sussurrar: — E você me faz querer esquecer a vingança, nem que seja por um instante. Mas ambos sabiam que aquele instante nunca duraria para sempre. — Eu quero você, Pete — Vegas murmurou contra sua pele, os olhos carregados de algo avassalador. — Então me tenha — Pete respondeu, puxando Vegas para ainda mais perto, entregando-se completamente àquele momento. Ambos pegavam fogo. Os lábios nunca se afastando. As mãos de Pete deslizaram pelo peito de Vegas, sentindo os músculos tensos, a urgência de cada toque. A raiva, a frustração, o desejo—tudo misturado em um calor insuportável. Depois de um longo tempo, o fervor deu lugar a algo mais calmo. Os corpos ainda entrelaçados, as respirações misturadas. Pete repousava a cabeça contra o peito de Vegas, sentindo a batida acelerada de seu coração, um contraste com a calma que os envolvia agora. Vegas passou os dedos pelos cabelos de Pete, respirando fundo. — Você sempre me desarma — ele murmurou, um toque de vulnerabilidade em sua voz. Pete sorriu contra sua pele. — E você sempre tenta resistir — respondeu, traçando círculos suaves nas costas de Vegas. — Mas, no fim, sempre acaba cedendo. Vegas soltou um suspiro cansado, mas satisfeito. — Talvez porque você seja a única coisa que ainda faz sentido para mim. Pete ergueu o olhar, encontrando os olhos escuros de Vegas. — Então me deixe ficar. Me deixe ser parte disso. Não quero que sua vingança me afaste de você. Vegas não respondeu de imediato. Ele sabia que, por mais que quisesse segurar Pete ali, a escuridão dentro dele poderia um dia ser o suficiente para afastá-lo. Mas, por enquanto, ele o manteve ali, apertando-o contra si, aproveitando o silêncio e a segurança que apenas Pete conseguia lhe dar. E, pela primeira vez em muito tempo, ele permitiu-se acreditar que talvez ainda houvesse algo além da vingança.
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