Capítulo 13

1043 Words
Pete on Não acredito que realmente me entreguei para Vegas, mas eu não me arrependo de nada. Eu queria muito isso, desde o primeiro momento que nos encontramos, eu devo confessar, eu não acreditava em amor à primeira vista, até conhecer Vegas. Então tudo mudou, e por mais que ele tenha me sequestrado, mentido para mim sobre muitas coisas, eu o amo, e estou disposto a lutar por esse amor, mesmo com essa sensação r**m dominando meu corpo. Mas eu sei que se continuarmos levando isso adiante, um de nós vai se machucar muito, ou talvez ambos se machuquem. — Já está arrependido de tudo? — Pergunta, quebrando o silêncio que havia entre nós. — Não é isso, só estou pensando em algumas coisas, em como vai ser nosso futuro daqui pra frente. — Falo fechando meus olhos, respirando fundo. — Pete, eu vou ser bem sincero com você, eu pretendo cuidar de você, te proteger de tudo e todos, mas eu não vou mentir pra você, seu pai vai ter o fim que merece. — Diz seriamente. — E você precisa entender a minha situação também, Vegas. Eu sei que ele não é o melhor pai do mundo e agora, eu vejo que todo esse tempo ele mentiu pra mim, e fez coisas horríveis com outras pessoas. A minha vida toda foi uma mentira, então? Eu realmente não conheço o meu próprio pai? — Desabafo, cansado de toda essa situação. — Você não conhece, você é só uma vítima disso tudo. Não sabe o quanto eu me arrependo por não ter sido sincero desde o início. Mas você não acreditaria em mim, em um estranho, por isso fiz o que fiz, mas depois me apaixonei por você. E esse sentimento me dominou por completo. — Diz, se aproximando e segurando minha mão. — Por que não vamos embora daqui? Só nós dois, esquecer tudo isso, viver nossas vidas em um lugar tranquilo, sem máfia, só nós. É tudo o que eu quero. — Sugiro. — Não posso dar as costas para tudo isso, Pete. Eu seria um covarde se fizesse tal coisa. Se sou assim hoje, é por culpa do Nabin. Eu poderia ter meu pai aqui hoje, comandando o império por direito. Ele fez tudo isso aqui acontecer, e por uma traição do infeliz do Nabin, o pior aconteceu. — Disse ríspido. Seus olhos estavam tão escuros enquanto falava, com uma expressão de ódio formando-se em seu rosto. Eu o encaro em silêncio, sentindo meu peito apertar. Vegas não é um homem fácil de lidar, e eu já sabia disso desde o início. Mas vê-lo assim, consumido pelo ódio e pela sede de vingança, me assusta. — Vegas… — Chamo seu nome baixinho, apertando sua mão de volta. — E se a vingança não trouxer paz? Seus olhos escuros se voltam para mim, avaliando minhas palavras. Por um momento, vejo algo vacilar em sua expressão, mas logo ele se recompõe. — Não tem outra escolha, Pete. Não depois de tudo que aconteceu. — Sempre tem escolha, Vegas. Você acha que a morte do Nabin vai mudar alguma coisa? Vai trazer seu pai de volta? Vai apagar o que aconteceu? — Não é sobre isso. É sobre justiça, sobre fazer ele pagar por tudo que fez. — Sua voz é firme, mas eu percebo o peso que ele carrega em cada palavra. — E depois? O que acontece depois que você tiver sua vingança? A dor vai sumir? Você vai conseguir viver em paz? Vegas desvia o olhar, seus dedos se apertam contra os meus. Ele não responde de imediato, e sei que, por mais que tente esconder, ele também tem dúvidas. — Eu não sei, Pete. Mas eu sei que não posso simplesmente deixar isso para trás. — Ele sussurra, a voz carregada de emoção. — Eu só quero que você pense sobre isso. Pense no que realmente quer para sua vida. Não para o passado, não para a dor, mas para você. E para nós. Ele me encara por um longo momento antes de soltar um suspiro pesado. — Você realmente acredita que a gente pode ter uma vida normal depois de tudo isso? — Se a gente quiser, sim. Mas isso só vai acontecer se você escolher viver, em vez de continuar se perdendo nessa sede de vingança. Vegas fecha os olhos por um instante e aperta minha mão com mais força. Sei que ele está lutando consigo mesmo. Sei que pedir para ele abrir mão de tudo é como arrancar uma parte dele. Mas se existe alguma chance de termos um futuro juntos, ele precisa enxergar isso antes que seja tarde demais. O dia seguinte amanhece com um silêncio estranho. O sol entra timidamente pela janela do quarto, iluminando as cortinas pesadas. Abro os olhos devagar e sinto o peso da noite anterior ainda sobre mim. Ao meu lado, Vegas já está acordado, sentado na beira da cama, vestindo apenas a calça do pijama. Seus olhos estão fixos em um ponto distante, perdidos em pensamentos. — Você não dormiu? — Minha voz sai rouca pelo sono. Ele vira o rosto para mim, oferecendo um sorriso cansado. — Um pouco. Mas minha cabeça não parava de trabalhar. Me sento ao seu lado e coloco minha mão sobre seu ombro nu. Seu corpo está tenso. — No que você está pensando? — Pergunto baixinho. Vegas suspira antes de responder. — Sobre o que você disse ontem. Sobre a gente. Sobre se realmente existe um futuro para nós longe disso tudo. Meu coração acelera. Ele finalmente está considerando isso. Mas será que ele está pronto para dar esse passo? O celular dele vibra na mesa de cabeceira. Ele pega o aparelho e atende sem hesitar. — O que foi? — Sua voz sai fria e direta. — Senhor, precisamos conversar. É sobre o armazém de armas. Nabin enviou homens para saqueá-lo durante a noite. Tivemos perdas. — A voz do outro lado da linha é tensa. O olhar de Vegas endurece. Ele se levanta imediatamente, os músculos tensos. — Quero todos reunidos na sala principal em dez minutos. Isso não vai ficar assim. — Sua voz é afiada como uma lâmina. Pete sente um calafrio. A guerra está longe de acabar.
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