Pete on
Não acredito que realmente me entreguei para Vegas, mas eu não me arrependo de nada. Eu queria muito isso, desde o primeiro momento que nos encontramos, eu devo confessar, eu não acreditava em amor à primeira vista, até conhecer Vegas. Então tudo mudou, e por mais que ele tenha me sequestrado, mentido para mim sobre muitas coisas, eu o amo, e estou disposto a lutar por esse amor, mesmo com essa sensação r**m dominando meu corpo. Mas eu sei que se continuarmos levando isso adiante, um de nós vai se machucar muito, ou talvez ambos se machuquem.
— Já está arrependido de tudo? — Pergunta, quebrando o silêncio que havia entre nós.
— Não é isso, só estou pensando em algumas coisas, em como vai ser nosso futuro daqui pra frente. — Falo fechando meus olhos, respirando fundo.
— Pete, eu vou ser bem sincero com você, eu pretendo cuidar de você, te proteger de tudo e todos, mas eu não vou mentir pra você, seu pai vai ter o fim que merece. — Diz seriamente.
— E você precisa entender a minha situação também, Vegas. Eu sei que ele não é o melhor pai do mundo e agora, eu vejo que todo esse tempo ele mentiu pra mim, e fez coisas horríveis com outras pessoas. A minha vida toda foi uma mentira, então? Eu realmente não conheço o meu próprio pai? — Desabafo, cansado de toda essa situação.
— Você não conhece, você é só uma vítima disso tudo. Não sabe o quanto eu me arrependo por não ter sido sincero desde o início. Mas você não acreditaria em mim, em um estranho, por isso fiz o que fiz, mas depois me apaixonei por você. E esse sentimento me dominou por completo. — Diz, se aproximando e segurando minha mão.
— Por que não vamos embora daqui? Só nós dois, esquecer tudo isso, viver nossas vidas em um lugar tranquilo, sem máfia, só nós. É tudo o que eu quero. — Sugiro.
— Não posso dar as costas para tudo isso, Pete. Eu seria um covarde se fizesse tal coisa. Se sou assim hoje, é por culpa do Nabin. Eu poderia ter meu pai aqui hoje, comandando o império por direito. Ele fez tudo isso aqui acontecer, e por uma traição do infeliz do Nabin, o pior aconteceu. — Disse ríspido.
Seus olhos estavam tão escuros enquanto falava, com uma expressão de ódio formando-se em seu rosto.
Eu o encaro em silêncio, sentindo meu peito apertar. Vegas não é um homem fácil de lidar, e eu já sabia disso desde o início. Mas vê-lo assim, consumido pelo ódio e pela sede de vingança, me assusta.
— Vegas… — Chamo seu nome baixinho, apertando sua mão de volta. — E se a vingança não trouxer paz?
Seus olhos escuros se voltam para mim, avaliando minhas palavras. Por um momento, vejo algo vacilar em sua expressão, mas logo ele se recompõe.
— Não tem outra escolha, Pete. Não depois de tudo que aconteceu.
— Sempre tem escolha, Vegas. Você acha que a morte do Nabin vai mudar alguma coisa? Vai trazer seu pai de volta? Vai apagar o que aconteceu?
— Não é sobre isso. É sobre justiça, sobre fazer ele pagar por tudo que fez. — Sua voz é firme, mas eu percebo o peso que ele carrega em cada palavra.
— E depois? O que acontece depois que você tiver sua vingança? A dor vai sumir? Você vai conseguir viver em paz?
Vegas desvia o olhar, seus dedos se apertam contra os meus. Ele não responde de imediato, e sei que, por mais que tente esconder, ele também tem dúvidas.
— Eu não sei, Pete. Mas eu sei que não posso simplesmente deixar isso para trás. — Ele sussurra, a voz carregada de emoção.
— Eu só quero que você pense sobre isso. Pense no que realmente quer para sua vida. Não para o passado, não para a dor, mas para você. E para nós.
Ele me encara por um longo momento antes de soltar um suspiro pesado.
— Você realmente acredita que a gente pode ter uma vida normal depois de tudo isso?
— Se a gente quiser, sim. Mas isso só vai acontecer se você escolher viver, em vez de continuar se perdendo nessa sede de vingança.
Vegas fecha os olhos por um instante e aperta minha mão com mais força. Sei que ele está lutando consigo mesmo. Sei que pedir para ele abrir mão de tudo é como arrancar uma parte dele. Mas se existe alguma chance de termos um futuro juntos, ele precisa enxergar isso antes que seja tarde demais.
O dia seguinte amanhece com um silêncio estranho. O sol entra timidamente pela janela do quarto, iluminando as cortinas pesadas. Abro os olhos devagar e sinto o peso da noite anterior ainda sobre mim.
Ao meu lado, Vegas já está acordado, sentado na beira da cama, vestindo apenas a calça do pijama. Seus olhos estão fixos em um ponto distante, perdidos em pensamentos.
— Você não dormiu? — Minha voz sai rouca pelo sono.
Ele vira o rosto para mim, oferecendo um sorriso cansado.
— Um pouco. Mas minha cabeça não parava de trabalhar.
Me sento ao seu lado e coloco minha mão sobre seu ombro nu. Seu corpo está tenso.
— No que você está pensando? — Pergunto baixinho.
Vegas suspira antes de responder.
— Sobre o que você disse ontem. Sobre a gente. Sobre se realmente existe um futuro para nós longe disso tudo.
Meu coração acelera. Ele finalmente está considerando isso. Mas será que ele está pronto para dar esse passo?
O celular dele vibra na mesa de cabeceira. Ele pega o aparelho e atende sem hesitar.
— O que foi? — Sua voz sai fria e direta.
— Senhor, precisamos conversar. É sobre o armazém de armas. Nabin enviou homens para saqueá-lo durante a noite. Tivemos perdas. — A voz do outro lado da linha é tensa.
O olhar de Vegas endurece. Ele se levanta imediatamente, os músculos tensos.
— Quero todos reunidos na sala principal em dez minutos. Isso não vai ficar assim. — Sua voz é afiada como uma lâmina.
Pete sente um calafrio. A guerra está longe de acabar.