— Você e Peter estavam juntos?
A pergunta partiu de Brad. O jatinho levantou voo e ele luta para distrair Katerina a fim de que ela pare de chorar, pois por algum motivo, vê-la derramando seu pranto o incomoda.
— Nós estamos — Kat afirma.
Brad olha de uma direção a outra como se buscasse as próximas palavras nos cantos.
— Me desculpa, mas o fato de vocês não terem contato fará esse relacionamento se tornar impossível – opina, não querendo chateá-la, mas trazê-la para a c***l realidade.
Kat sente os olhos se empossarem mais uma vez porque, lá no fundo, ela sabia que Brad estava certo.
— Precisarei de tempo para aceitar tudo isso — ela diz num fôlego só. — Acordei nos braços dele e agora tenho a possibilidade de nunca mais vê-lo — foi como se falasse para si.
— Olha, não sei o que está sentindo, porque nunca me apaixonei, mas sei que você é forte, já ouvi muito sobre você, Théo te admira muito — a voz de Brad suaviza para confortá-la.
— Ele foi meu primeiro beijo, minha primeira vez, meu primeiro amor, passe o tempo que passar eu nunca irei esquecê-lo — diz Katerina, tentando fazer Brad entender a importância de Peter em sua vida.
Brad faz silêncio por algum tempo. Mais uma vez ele buscava palavras onde não havia, até que finalmente diz:
— Certo, Kat, tem um quarto aqui no jatinho, tenta dormir um pouco, a viagem é longa. Eu te chamo quando estiver perto do pouso.
— Obrigada, Brad.
Enquanto eles voam em direção ao Brasil, em Darwin, cidade de Katerina, algo importante está a ponto de acontecer.
Ao sair da casa de Kat, logo após discutir com Oliver, Peter para seu carro em uma praia que estava deserta e desce do carro. Tomba a cabeça para o céu e grita o máximo que consegue, expelindo o que podia de sua dor.
Ele então chora e dá um chute no pneu do carro.
O som de seu choro mesclado com fúria é entrecortado pela melodia das ondas que se quebram perto dali. Ele e Kat se encontravam escondidos naquele lugar. Ah, Kat. Sua Katerina.
— Por que, Deus, por quê? — Peter grita em direção ao mar e leva as mãos aos cabelos.
— Deus não tem nada a ver com isso, mas se você não tivesse se envolvido com ela, hoje a garota estaria viva, pois aceitaria o casamento.
Peter vira para o lado e seu coração dá um salto ao perceber que fora seguido por Oliver. Ele encosta o carro e desce. Cada passo do homem atiça a ira fervente no interior de Peter.
— Era só o que faltava — resmunga Pet.
— Quer dizer então que você ama a Katerina? Porque isso causou a morte dela.
— Não viaja. Sabia que quando éramos crianças nos beijamos pela primeira vez? — Pet provoca. — Ela estava com 8 anos e eu com 11. Ela simplesmente me beijou, ali a gente já se amava, então não tente jogar sua culpa em mim. — Peter respira fundo ao perceber que estava gritando, mas pouco se importava com isso. — Você já perdeu a noiva, o que mais você quer? Sei que ela era linda, mas você nunca a amou, para que isso tudo? Me deixe sofrer em paz!
— Ainda tem coragem de se dirigir a mim nesse tom insolente — Oliver sorri num esgar. — O que eu queria, o que eu tinha de planos para ela, você destruiu tudo, SEU MERDA!
O homem encerra aquele insulto sacando a sua arma. Prontamente ele mira na cabeça de Peter, que estremece, mas ainda assim estufa o peito.
— Vai, me mata, isso não vai trazer ela de volta! Sabe, nós nos amamos tanto nesse mês que tenho certeza de que ela estava grávida de um filho meu — ele gargalha. — E saiba que mesmo se ela se casasse com você eu seria amante dela – diz Peter, se aproximando de Oliver.
Então a noite foi atravessada pelo som de um disparo. Foi apenas um tiro, bem no meio da testa de Peter, que cai no chão sem vida. Não demora para que a brancura da areia da praia seja tingida de vermelho. Oliver confere o corpo antes de sair correndo de lá.
Na madrugada, Théo acorda com um desagradável aperto no peito. Liga pra Peter, chama diversas vezes e ele não atende. Ele liga para seus homens o acharem. Se passam cerca de duas horas quando um dos sujeitos que trabalha para ele vai ao seu encontro.
— Chefe, o achamos — diz o capanga de Théo.
— Onde ele está?
— Na praia. E está morto.
— O QUE?! — Théo estremece. — Como assim?!
— Ele levou um tiro na testa – explica o indivíduo.
— Oliver — murmura Théo, compreendendo tudo. Sua raiva começa a aflorar.
Prontamente se levanta e vai em casa pegar sua arma. Quando está descendo as escadas para ir atrás de Oliver, ele dá de cara com seu pai, que vê a arma em sua mão.
— Aonde pensa que vai? — Thomaz pergunta.
— Fazer o que deveria ter feito há 1 mês – responde Théo, terminando de descer as escadas. Uma veia latejava em sua têmpora.
— Filho? – Kendra escuta as vozes alteradas e desce as escadas.
— Mãe, além de causar a morte da Kat, ele matou o Peter! – acusa Théo, segurando as lágrimas.
Kendra abraça o filho enquanto sussurra:
— Calma filho, preciso de você, a Penny vai precisar de você.
— Eu... eu... sinto muito — Thomaz diz, mas a raiva que Théo sente dele é gigantesca.
— Sai da minha frente, seu monstro! Você só traz desgraça para essa família! –
Dizendo isso, Théo atravessa o lugar a passos largos, só que antes de alcançar a porta, sua mãe grita o nome de seu pai. O tom de voz diferenciado, meio assustado e nervoso, causa-lhe certo desconforto. Então ele pára por um momento e olha para trás. Seu coração dá um salto.
— Thomaz, por favor, responda! Theo, chame a ambulância — implora Kendra, amparando o marido, que se encontrava no chão. Parecia desacordado.
Mesmo contra a sua vontade, Theo chama a ambulância. Não demorou muito para que seu pai fosse levado ao hospital após sofrer um infarto.
Assim que a ambulância sai com Thomaz, Théo vai atrás de Oliver em busca de amenizar sua dor e trazer Kat de volta, mas é tarde demais: Oliver fugiu.
Enquanto isso, o jatinho de Brad se aproxima da pista de pouso. Então o comandante resolve acordar Kat.
Brad a toca no braço, sacudindo-a de leve, enquanto pensa: “até dormindo essa garota é bonita.” Katerina dá um leve gemido enquanto desperta. Ela se senta na cama, porém, não demora a se lembrar de tudo o que passou. Logo as lágrimas tornam a escorrer.
— Estamos quase pousando, vem, você precisa sentar e colocar o cinto de segurança — informa Brad e oferece a mão a Kat.
Ela aceita e o acompanha até a poltrona. Enquanto coloca o cinto, ela sente um aperto forte no peito. Estreita o olhar para as nuvens querendo entender o motivo disso.
— Aconteceu alguma coisa com Pet, posso sentir. Fala com meu irmão, por favor, Brad.
No mesmo instante ela começa a chorar inconsolavelmente. Brad troca de poltrona, sentando-se ao lado de Kat.
— Prometo que assim que pousarmos eu falo com seu irmão, está bem?
— Está bem — Kat responde com a voz trêmula. — Obrigada.
Ela se aconchega no peito de Brad e chora até pousarem.
“Como é cheirosa”, ele pensa e se repudia. “Para com isso, Brad Wilson, ela é irmã do seu amigo, território proibido, cara.”
— Ei, Katerina, chegamos, vem.
Ela enxuga as lágrimas, se ajeita e ambos descem do jatinho. Katerina sente aquele aperto no peito aumentando a cada passo.
— Liga para o Théo, por favor — suplica a garota.
— Pode deixar — Brad responde.