Adeus Kat

1788 Words
Amanhece. Peter acorda com os raios de sol, se levanta sem acordar Kat e faz um café da manhã para eles. Pega o celular descartável e manda mensagem para o Théo. “E aí, Théo? Como estão as coisas?” “Amigo, todos estão desesperados. Meu pai está furioso, o Oliver não está aceitando muito bem a morte de Kat.” “Irei acordá-la agora. E levar ela”. “Diz a minha irmã que a amo e que darei um jeito de buscá-la, para ela nunca sair de onde a mandei. E se sair, para que ela deixe notícias lá.” “Darei o recado." Com a conversa ainda em mente, ele leva uma bandeja de café na cama para a Katerina. Ela ainda está dormindo. Portanto, coloca a bandeja na mesinha e começa a beijar o rosto dela. — Huumm – Kat solta um gemidinho, acordando. — Bom dia, vida – Peter sussurra no ouvido dela. — Vou sentir falta de acordar assim, meu amor – Kat se vira de frente para ele. — Só um mês, está bem? – Peter diz e começa a distribuir vários beijinhos no rosto dela. — Assim espero – ela ri. — Toma, vamos tomar café, tenho que voltar para ajudar o seu irmão. — Como será que minha mãe está? – Kat pergunta. Peter hesita um pouco antes de responder. De todo modo, não era uma situação fácil para nenhum lado. — Desolada. Fora que seu noivo não está aceitando sua morte. Uma sensação r**m se apossou do peito de Katerina. Ela se sentou depressa na cama. — Será que ele virá atrás de mim? — Eu não vou permitir isso. Te prometo – diz Peter e beija a testa de Kat. Eles terminam o café, tomam banho juntos, se arrumam e seguem para a pista de pouso. Assim que Peter estaciona, o amigo de Théo desce do seu jatinho. — Ei, bom dia, você deve ser a Kat – diz Brad a analisando disfarçadamente, mas sua mente traiçoeira o faz pensar: “nossa, como ela é linda.” — Bom dia — Katerina responde o cumprimento e pega na mão de Brad. — Brad. – Peter diz com uma voz séria. — Peter – Brad dá um leve sorriso, e aperta a mão de Peter. — Olha, cuida dela. — Pode deixar, irei deixá-la na escola com segurança – Brad explica a ele. — Obrigada por tudo, Brad – Kat agradece — Não é nada. Me dê suas coisas. Brad pega a mochila dela enquanto Katerina suspira, olhando ao redor.. — Iremos nos despedir e ela já sobe, 5 minutos, pode ser? – Peter diz a Brad. — Claro — então Brad desaparece dentro do jatinho. Nesse instante, os dois simplesmente se abraçam e começam a chorar. Pressionaram-se no corpo um do outro como se o ato fosse capaz de impedir a separação dos dois. — Eu vou até vocês — promete Peter. — Daqui há 1 mês estaremos juntos e nunca mais nos separaremos – ele passa a mão na barriga dela. — Vou te esperar. — Se você descobrir que tem um bebê aqui, manda uma carta. Ele se abaixa, beija a barriga dela e fala em tom baixo: — Cuida da mamãe, papai vai organizar tudo aqui e vai ao encontro de vocês. Kat sente a represa em seus olhos começar a transbordar novamente. Por que isso tinha que ser tão doloroso? — Eu te amo tanto – Kat diz em meio às lágrimas. Eles se beijam apaixonadamente. E em meio ao sabor fascinante que sentiam quando faziam isso, viajaram no amor que sentiam. — Agora vá, antes que eu desista desse plano – diz Peter, sorrindo. — Eu te amo. — Eu também te amo, Pet. Ela vira e sobe correndo, chorando. Peter fica observando o jatinho levantar voo. Houve um momento em que as lágrimas ameaçavam escorrer, mas Peter as reteve. Rumou com forças que não eram próprias em direção ao carro. Ele se afasta da pista de pouso se esforçando para não pensar em Kat. Chegando na cidade, ele liga o celular. Chegam diversas mensagens de Penny. Ele encosta o automóvel e se recupera, antes de ligar para sua irmã. — Aonde você está? — Penny indaga com voz chorosa assim que o irmão atende o celular. — O que aconteceu? — Peter tenta segurar o choro também, pois mais do que nunca, precisa entrar no personagem. — É a Kat.... – Penny diz e ele respira fundo, para se controlar. — O que tem ela? Ela vai se casar, eu sei... — NÃO — exclama a garota, do outro lado. — Ela… ah, meu Deus, venha para a casa dela. Peter meneia a cabeça. Mais uma vez ele respira fundo e segue apressado para a casa de Kat. Chegando lá, assim que Penny o vê, a jovem corre para seus braços. — Meu Deus, o que houve? — Ela, ela... — Penny não consegue terminar a frase então Kendra completa. — Ela morreu. Ahhhhhh – Kendra solta um grito sofrido, sentido. — Como assim? Quando foi isso? – Peter pergunta olhando de uma para a outra. — Ontem — responde Penny com a voz baixa. Théo se aproxima deles. — Pet... ela se foi, cara... Todos choram. Peter cai no chão de joelhos porque, de todo modo, ele estava sentindo a partida dela. Suas lágrimas apenas significavam o quão insuportável era viver longe ou duas horas que fosse da pessoa que era dona de seus melhores sentimentos. — Kat, meu amor, minha vida – ele balbucia e nem percebe que o faz em voz alta. — Que? — Penny fica sem entender. Na verdade, ela já havia percebido o interesse entre eles, mas não sabia que o Peter era tão apaixonado assim por sua amiga. — Vem aqui. — Kendra diz abraçando Penny. — Pelo menos ela não vai sofrer na mão daquele velho. — Eu... eu... preciso sair daqui Peter se levanta e vai em direção ao carro. Senta-se no banco do motorista, mas não consegue sair do lugar. Theodoro vai até ele. Bate no vidro e o colega, suspirando, o abaixa. — Vem cá, essa dor vai passar — Théo consola, puxando-o do carro. — Está difícil respirar, Théo. — Eu sei, eu sei. Os amigos se abraçam. Então Théo leva Peter de novo para a sala. Estão todos reunidos e em prantos. Não havia palavras suficientes para amenizar a dor de nenhuma das pessoas. De repente o pai de Kat e Oliver chegam em casa. — Era ela mesmo — comenta Thomaz assim que entra e vê todos na sala. — O legista acabou de confirmar – acrescenta Oliver sem demonstrar nenhuma emoção. — Tudo sua culpa, Thomaz, você é um monstro! – Kendra esbraveja. A mulher se levanta e dispara inconsolável até o quarto de Kat. Penny, com os olhos vermelhos, sobe logo em seguida. — Oliver, você deveria se retirar, não faz mais sentido você estar aqui – resmunga Théo. — Theodoro – Thomaz diz em tom de advertência. — Eu vou sair daqui, Théo, quando souber de algo me avisa. Leva a Pen para casa? — pergunta Peter. — Do jeito que você age, parece que o noivo era você – Oliver fala em um tom sarcástico. Peter fecha os punhos. Ele tenta, mas não controla o olhar, que se ergue em revolta na direção daquele senhor desagradável. — Se não fosse esse contrato nojento, talvez seria, eu sempre a amei e sempre vou amar. E o que me deixa mais feliz é que sei que ela me amava também – Peter diz no impulso. Foi a vez da revolta se fazer presente no olhar de Oliver e também em sua voz: — Como você ousa? — O que, falar a verdade? — Peter, por favor — Théo interfere, colocando a mão no ombro do amigo. — Ok, ok. Estou indo. — Peter se retira, mas bate à porta assim que deixa a casa. — Que insolente – rosna Oliver. — E verdade, Theodoro, ela o amava? – Thomaz questiona o filho. — Quer saber, ela já não está mais aqui, então o que importa? — questiona Theodoro abrindo os braços. — Vocês dois acabaram com a vida dela. Espero que estejam felizes. — Do que você está falando? – Thomaz fala em um tom surpreso. — Ela não queria se entregar para esse homem e me pediu para fazer a viagem a Paris porque se fosse para se casar, ela queria pelo menos ter a primeira vez com quem ela amava. E eu permiti isso — acrescentou Théo quase sublinhando as últimas palavras ao mirar seu pai. — Seu.... seu... Ah, isso não vai ficar assim — Oliver diz entredentes e sai da casa. Thomaz se senta no sofá e coloca as mãos na cabeça com exasperação. O homem sempre pareceu uma muralha indestrutível. No entanto, era perceptível que o fato o abalou. Finalmente a montanha desmoronava. — Será que um dia vocês irão me perdoar? — pergunta o pai de Kat. — Por mim, eu nunca mais olhava na sua cara. Você não foi pai para ela. Katerina morreu por causa de sua ganância — acusa Théo e deixa o velho para trás, subindo as escadas. No quarto de Kat, ele entra e diz: — Vamos, Penny, vou te levar para casa. E mãe não voltarei hoje, não tenho condições de ficar na mesma casa que o Thomaz. Kendra apenas concorda com a cabeça, segurando firme os lençóis sobre o colchão da Kat. — T-tudo bem, vamos — gagueja Penny, se levantando da cama. — Onde está o Pet? — Foi embora, depois de falar para o Thomaz e Oliver que amava a Kat. — O que? — Penny se ergue com um olhar perplexo. — Penny, até eu sabia — comenta Kendra, abatida. — Sabe o que acalma meu coração? Ela conheceu o amor de verdade, teve sua primeira vez com o homem que ela amava, passou um mês dos sonhos — abre um sorriso leve ao se lembrar da conversa com a filha. — Você sabia, mãe? — Ela me contou antes que eu saísse do quarto dela, para me arrumar paro jantar... Ela abaixa a cabeça — Penny, você terá que ajudar muito seu irmão – suspira Kendra, se levantando. Ela beija a testa de Penny. — Tentarei ser forte — diz Penny entre soluços e dá mais um abraço em Kendra. — Vamos, te amo, mãe. Théo leva Penny para casa e se encaminha para uma casa noturna pertencente a sua família. Bebe durante a noite como se o álcool fosse acabar, e dorme por lá, no escritório.
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