A “morte” de Kat

1873 Words
Se passaram 28 dias. Chegava o grande dia da morte forjada de Katerina. Durante esses dias, Peter e sua amada passearam bastante, tiraram muitas fotos, registros que nunca seriam postados, mas que ficariam para sempre em suas lembranças. — Amor, precisamos conversar sobre o plano do seu irmão – Peter comenta e Katerina assente. — Amanhã irei mandar o seu sangue para a casa de praia da minha família, para que não surja nenhuma suspeita. — Certo. — Se você precisar entrar em contato por algum motivo, terá que ser através de carta, que você mandará para uma caixa postal que seu irmão irá abrir. Apenas eu e ele teremos conhecimento disso. — E se eu não conseguir? — Sua voz soa melancólica. — Como ficarei lá sozinha? — Não pretendo deixar você por muito tempo. — Como assim? Ele se aproxima de Kat com um sorriso dócil. — Depois desses dias juntos, não consigo mais me ver sem você, me dói só de pensar que daqui há 3 dias estaremos longe. Como eu aguentaria saber que nunca mais poderei te ver? Os dois se abraçam. No entanto, Peter não deixa de sentir o desconforto emanando de Kat. Detalhe que logo é expressado em sua fala. — O problema é que não temos opção, meu amor. — Calma, Kat, eu já pensei em tudo. Ainda nos braços do amado, Katerina ergue a cabeça. Na face, um vestígio de esperança. — Me conta, farei o que puder para ajudar. — No dia da sua morte — ele faz aspas com os dedos —, ficarei inconsolável, isso não será mentira. Então tentarei ficar ao menos uma semana por ali, depois irei informar a todos que vou me alistar no exército. Vou justificar isso dizendo que te amava mais do que a mim mesmo e que com a sua morte não vejo mais sentido na vida. Partirei com documentos falsos e logo após mandarei minha baixa por óbito em campo. Ficaremos livres, Kat. Só nós dois no Brasil. — Será que dará certo? – ela receia. — Precisamos tentar – ele beija a ponta do nariz de Kat. – Não contarei isso nem ao meu irmão. Quero que tudo dê certo. E vai dar. — Tudo bem, confio em você e te esperarei – Kat sorri. Com tudo planejado, eles aproveitam o restinho dos dias juntos. Amaram-se como se fosse a última vez que teriam prazer com o corpo e os sentimentos um do outro. Por outro lado, assim como foi combinado com Théo, não demora para que eles retornem à Austrália para o casamento de Katerina com Oliver. Havia uma maré de hesitação no interior do casal ao mesmo tempo que uma certeza de que ficariam juntos apesar de qualquer coisa. — Oi, pequena, aproveitou? — pergunta Theodoro assim que ela surge descendo do jatinho em que Théo mandou buscá-la. — O máximo que pude, grandão – responde Katerina o abraçando. — Bom, eu vou indo — Peter se despede. — Amor, te espero no nosso lugar — acrescenta para Kat, com aquele olhar de quem queria se despedir melhor. — Tudo bem – o tom de voz da jovem esmorece. — Não fique com medo, está bem? — Peter segura a mão dela. Era como se, com esse ato, ele transmitisse toda a confiança que no fundo ele também buscava. — Vou tentar – responde Kat, por fim. — Vai, já chega — diz Theodoro, cruzando os braços e rindo. — Deem logo esse beijo e vaza daqui, Pet. Kat, no impulso, pula no colo de Pet e o beija apaixonadamente. Calmo, cheio de promessas no olhar, Peter segura o rosto de sua amada. Seus olhos nunca se conectaram tanto com os dela como naquele momento. — Eu te amo — ele diz. — Eu também te amo. Cada um vai para sua casa. De acordo com o plano, Katerina se casaria no dia seguinte. Ou seja, o plano de seu irmão teria que ser feito nessa noite, tudo estava organizado. Théo pegou o jatinho do seu amigo emprestado. Seu amigo iria até o Brasil de toda forma. Enquanto isso, Peter foi para a casa de praia, pois Kat teria que passar uma noite escondida lá. A residência pertencia a família de Pet. Ninguém iria procurá-la por lá. Mesmo Penny iria para a casa de sua amiga, ela ainda não sabia de nada. — Minha princesinha voltou – comemora Kendra, mãe de Kat, assim que ela chega em casa. — Está linda como sempre, minha filha. —Do que adianta a beleza? Voltei para me entregar ao inferno que o homem que deveria me proteger me sujeitou — resmunga Kat mirando o pai com desgosto. O homem referido se encontrava próximo a mesa do jantar, tão pétreo quanto qualquer mobília da casa. — Fizemos um combinado, Katerina – retruca Thomaz com a voz firme. — E estou aqui para honrá-lo. Só que nunca, escuta bem, Thomaz Harris, nunca irei te perdoar. Quando eu sair por aquela porta, para me casar com um velho, você deixará de ser meu pai — após a ameaça, Kat sobe correndo as escadas em direção ao seu quarto. As atitudes da filha fizeram Thomaz sentir uma irritação forte queimando em seu peito. Ele dá um passo firme em direção ao caminho feito pela garota, quando Theodoro o segura firme pelo braço, o interrompendo. — Você está acabando com a possibilidade de um dia ela ser feliz, ter uma família de verdade — a voz de Théo sai por entre os dentes cerrados. — O poder vale tanto assim? — Como ousa? Você deveria me apoiar, pois tudo será seu. Theodoro meneia a cabeça ao ver que seu pai mais uma vez tenta usar a questão do valor que irá ganhar com o casamento de Kat. Aquele homem não parecia não possuir limites. — Dinheiro é algo que eu prefiro conquistar com meus méritos e não com a vida da minha irmã, sabe disso. — Quer saber?! — Ele puxa o braço e se desvencilha da mão do filho. — Chega desse assunto moral irritante. Amanhã tudo isso acaba — e se retira, passando pela mulher em prantos como se ela não existisse. Em seu quarto, Katerina ainda nutria uma pequena esperança de seu pai voltar atrás. Sentada em sua cama e olhando para o vazio, tem sua mente voltada aos momentos que viveu com seu amado. Seu sorriso surge de pronto, até que sua mãe interrompe esses devaneios. — Minha filha querida — ela se aproxima e se senta ao lado de Katerina, abraçando-a. A garota não resiste a todo aquele carinho e suas lágrimas acabam por invadir seu belo rosto. — Prometo que todos os dias tentarei achar uma forma de tirar você das garras daquele nojento. — Eu te amo, mamãe, nunca se esqueça disso — soluça a menina. — Eu entendo, nós somos apenas peças de xadrez para o meu papai e ele gosta de jogar sozinho. — Princesinha, acredite, eu tinha planos e planos para o seu casamento com o Peter. Kat estreita o olhar. Se afasta de sua mãe para examinar sua fisionomia. — Pet? — Filha, acha que não sei que ele entra na sua janela escondido? Que vocês sempre estiveram juntos escondido? Katerina possuía todos os motivos do mundo para sentir receio, naquele momento, mas o sorriso afetuoso de Kendra oblitera esse sentimento. — Eu sei que passaram esses dias juntos, agora pare de chorar e me conte como foi tudo. Ele foi um príncipe com você? Kat não evita um sorriso após a pergunta. Não demora para contar como foi tudo e só não comenta sobre os planos: tanto de Théo quanto o do próprio Pet. — Filha, não desista desse amor, pensaremos em algo juntos: Théo, o Pet e eu. — Tudo bem, mamãe. As duas ficam conversando sobre os dois até que, quando o relógio marca 17:00 horas, o pai de Katerina vai ao seu encontro com a mesma inexpressividade na face. — Às 19:00 esteja pronta. Temos um jantar na casa do seu noivo. Kat sente as mãos tremerem de raiva, mas se controla. Afinal, tinha que colocar em prática o plano que tinha. Vestiu-se da melhor maneira que pôde e sem a mínima vontade. Sua mãe também vai se arrumar. No fim das contas, Katerina caminha até um espelho e se vê trajada num vestido vermelho vinho, de mangas longas, com a saia curta, bem colocado ao corpo, que mostra bem suas curvas, pois apesar de nova, seu corpo era muito bem desenvolvido. Quem a via, não dava a ela a idade que tinha. Ela desce as escadas e pega as chaves do carro da mãe como foi planejado. São exatamente 18:45. Ela sai como se fosse para a casa de Penny. No caminho, havia uma ponte, onde seria o acidente. Ela manda mensagem para Penny: "Amiga, estou a caminho da sua casa, não irei nesse jantar na casa de Oliver, já me basta ter que me casar amanhã com esse nojento.” Penny responde em seguida: “Quer que eu peça a Pet pra ir te buscar?” Kat logo responde: “Não, peguei o carro da mamãe escondido. Logo estarei aí, já estou perto da ponte.” “Só tome cuidado.” As mensagens faziam parte do plano, pois Penny estranharia a demora de Kat e iria atrás dela, encontrando assim, o carro acidentado. Kat chega ao ponto de encontro. Um homem que foi pago para forjar o acidente coloca o corpo que arrumaram e o sangue da menina no carro — como se fosse o dela. O homem capota o carro e põe fogo. Nisso, Pet leva Katerina para onde ela se esconderia naquela noite. — Já estamos quase lá, amor – diz Pet, segurando a mão de Kat enquanto dirige. — O que disse a Penny? — Que precisava fazer uma viagem para o seu irmão. — Ela aceitou? — Eu saí de casa às 17:00 com uma mochila, acho que sim. Eles chegam à casa de praia. Peter desligou o celular assim que saiu de sua casa, para que ninguém o rastreasse. Ele estava com um smartphone descartável, por onde Théo enviaria mensagem dando notícias de outro aparelho semelhante. Eles m*l entram na casa e Pet recebe uma mensagem de Theodoro. “Parceiro, a Penny acabou de me ligar pedindo para ir ao local. Ela estava chorando, acho que já achou o carro. Chegaram bem?” “Já estamos no esconderijo, cuida da Penny para mim, por favor.” “Ok. Mais tarde mando notícias.” Peter e Kat teriam sua última noite juntos, pois na manhã seguinte a menina partiria para o Brasil. Eles fazem amor quase a noite inteira e, em certo momento, Pet desliza a mão na barriga de sua amada. Sussurra com um sorriso afável para ela: — Será que temos um pequeno ou pequena aqui? — Será, amor? — Bem que podia, né? Pensa em uma pequena Kat correndo nas praias do Brasil – diz Peter com um largo sorriso. — Nós três pelas praias, seriam um sonho – suspira a jovem. — Sonho este que iremos realizar – Peter garante e eles se beijam apaixonadamente.
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