Um pedacinho dele

1097 Words
Estão indo em direção ao carro que Brad havia alugado quando Théo atende sua ligação. — Ei, Brad, está tudo bem? Como ela está? – Théo pergunta ao atender. — Ela está inconsolável, disse que sentiu que algo aconteceu com o Peter. Você sabia que eles estavam juntos? – Brad pergunta, interessado na resposta e não no que houve com Peter. — Relaxa, eu sabia sim, dei minha bênção a eles. Enfim, realmente aconteceu algo. Eu não queria que ela soubesse agora, mas já que ela sentiu, conte a ela. Só faça isso com calma. Théo conta sobre o que foi falado na casa dele, a discussão entre Oliver e Peter e sobre a morte recente do amigo. Ele chora muito na ligação. — Você pode ficar com ela uns dias? – Théo pergunta a Brad em meio a lágrimas. — Posso sim. Vou organizar tudo aqui. Levarei ela para o meu apartamento, pode ser? — Fico te devendo mais essa, cara. Agora você é meu único amigo... — Calma... — Brad começa a dizer, mas Théo desliga. Ele respira fundo, não sabe como contar a Kat que Peter está morto, ela já estava sofrendo por se afastar dele. E se soubesse que foi a última vez que ela o viu? — E aí, Brad? – Kat pergunta assim que ela percebe que Brad finalizou a ligação. — Como o Pet está? — Olha, preciso que você se acalme – Brad suspira, suando frio. Katerina não encara aquela expressão assustada com bons olhos. — Fala logo, Brad. — Tudo bem — Brad toma fôlego. — Peter e Oliver discutiram na sua casa, então Oliver ficou sabendo que vocês estavam juntos. Peter saiu, foi para uma praia isolada. Daí, o Oliver foi atrás do Peter e… o matou. — NÃAAAAOOOOOO! – Kat grita. Ela sente que começa a ficar ofegante e de repente tudo escurece. No entanto, Brad se desespera mesmo é quando observa que ela está sangrando. Ele a pega no colo e entra correndo no carro. — Para o hospital, corre! — Brad pede assim que fecha a porta do carro. O motorista faz um sinal positivo com a cabeça e já segue dirigindo em direção ao hospital. Ao chegar lá, Brad desce do carro e carrega a moça no colo. Logo Katerina é atendida e pouco tempo depois o médico se aproxima de Brad. — Doutor, como ela está? — O que você é dela? – O médico o questiona, afinal, ela é menor de idade. — Noivo — ele arrisca, pois sabe que se não houvesse um parentesco, eles não iriam passar nenhuma informação. — Eu sei que ela é menor, mas nossas famílias nos obrigaram. — Tudo bem. Eu já vi de tudo um pouco nesse mundo. Venha, me acompanhe. O médico segue em direção ao quarto onde Kat está. Ao entrar, Brad observa que ela está ligada a um soro com medicamento. — O que aconteceu, doutor? — Ela sofreu algum estresse recentemente? – o médico responde com outra pergunta. — Sim, diversos, principalmente nas últimas 24 horas, é por isso que estamos aqui. Estou tentando afastar ela de tudo isso – explica Brad, tentando parecer calmo. — Tudo bem. Não sei a real situação de vocês, mas por ela ser menor e você ser o único responsável, terei que lhe falar. — Brad engole seco e sente a contrariedade na voz do médico, mas ele quer saber como ela está e o que aconteceu, então deixa isso passar. — Pode me dizer, doutor. — Ela estava grávida de 2 semanas... — Estava? – Brad se assusta e tenta confirmar o que ouviu. — Sim, e no começo de qualquer gravidez, um nível alto de estresse pode causar um aborto espontâneo – o médico explica. — p***a! — Brad passa a mão no rosto. — Como vou contar isso para ela? — Eu posso falar, se quiser, e já deixo um sedativo preparado — sugere o médico, porém, Brad pensa nas consequências do que Kat pode dizer ao descobrir e decide informar. — Não, pode deixar isso comigo. — Certo, qualquer coisa, nos chame — o médico sai do quarto. “Meu Deus, tão nova, já perdeu o amor dela e agora o filho deles”, pensa Brad, enquanto olha para a menina. Alguns minutos se passam e o sedativo que Katerina tomou começa a perder o efeito. Ela acorda lentamente. — Ei... você acordou. — Brad diz, tentando não expressar o nervosismo em sua voz. — Brad... — murmura Kat olhando para ele, ainda meio sonolenta, mas aos poucos ela começa a se lembrar de tudo e logo as lágrimas surgem. — Pet... Nãooo… – ela não tem forças para gritar, então sai quase como um sussurro. Brad se aproxima da cama hospitalar. — Ei, calma, princesa. Eu sei que está doendo, mas vai passar, está bem? — Por que estou no hospital, com esse tanto de coisa ligado em mim? E por que sinto uma dor insuportável na minha barriga? — Então, quando te falei do Peter, você desmaiou. E aí.... — Fala logo, Brad. — Você estava sangrando, me desesperei e trouxe você para o hospital. — Sangrando? – Kat pergunta sobressaltada. — Sim. — Brad pega as mãos de Kat e olha em seus olhos. — Kat, você estava grávida de 2 semanas. — Automaticamente ela passa a mão na barriga e libera um pequeno sorriso. — Um bebê do meu Pet – o sorriso da menina se alarga. Brad apenas concorda murmurando. — Espera. Você falou estava? — o sorriso de Katerina desaparece aos poucos. — Sim – Brad confirma em meio a um suspiro longo. — Eu perdi o meu bebê, é isso? Meu pedacinho do Pet foi embora também? Ela volta a chorar. Brad se comove com toda aquela tristeza e se aproxima. — Ei, vem cá, calma — Brad tenta abraçá-la, mas ela o afasta. — Como posso me acalmar, Brad, eu perdi tudo... — Não, você não perdeu tudo, você ainda está viva, você tem tudo para recomeçar! — Mas… — Nada de “mas”, eu vou ficar aqui com você um tempo, tudo bem? Prontamente ele se arrepende da pergunta, porque era óbvio que a resposta era não. Nada estava bem. No entanto, sentiu seu peito aquecido, quando ouviu a voz fraquinha de Kat: — Obrigada, Brad. Ele respira fundo. Kat se acalma mais um pouco. O médico logo volta ao quarto e faz mais alguns exames. Explica algumas coisas para ela. Passa alguns medicamentos e os libera.
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