Estão indo em direção ao carro que Brad havia alugado quando Théo atende sua ligação.
— Ei, Brad, está tudo bem? Como ela está? – Théo pergunta ao atender.
— Ela está inconsolável, disse que sentiu que algo aconteceu com o Peter. Você sabia que eles estavam juntos? – Brad pergunta, interessado na resposta e não no que houve com Peter.
— Relaxa, eu sabia sim, dei minha bênção a eles. Enfim, realmente aconteceu algo. Eu não queria que ela soubesse agora, mas já que ela sentiu, conte a ela. Só faça isso com calma.
Théo conta sobre o que foi falado na casa dele, a discussão entre Oliver e Peter e sobre a morte recente do amigo. Ele chora muito na ligação.
— Você pode ficar com ela uns dias? – Théo pergunta a Brad em meio a lágrimas.
— Posso sim. Vou organizar tudo aqui. Levarei ela para o meu apartamento, pode ser?
— Fico te devendo mais essa, cara. Agora você é meu único amigo...
— Calma... — Brad começa a dizer, mas Théo desliga.
Ele respira fundo, não sabe como contar a Kat que Peter está morto, ela já estava sofrendo por se afastar dele. E se soubesse que foi a última vez que ela o viu?
— E aí, Brad? – Kat pergunta assim que ela percebe que Brad finalizou a ligação. — Como o Pet está?
— Olha, preciso que você se acalme – Brad suspira, suando frio.
Katerina não encara aquela expressão assustada com bons olhos.
— Fala logo, Brad.
— Tudo bem — Brad toma fôlego. — Peter e Oliver discutiram na sua casa, então Oliver ficou sabendo que vocês estavam juntos. Peter saiu, foi para uma praia isolada. Daí, o Oliver foi atrás do Peter e… o matou.
— NÃAAAAOOOOOO! – Kat grita.
Ela sente que começa a ficar ofegante e de repente tudo escurece. No entanto, Brad se desespera mesmo é quando observa que ela está sangrando. Ele a pega no colo e entra correndo no carro.
— Para o hospital, corre! — Brad pede assim que fecha a porta do carro.
O motorista faz um sinal positivo com a cabeça e já segue dirigindo em direção ao hospital. Ao chegar lá, Brad desce do carro e carrega a moça no colo. Logo Katerina é atendida e pouco tempo depois o médico se aproxima de Brad.
— Doutor, como ela está?
— O que você é dela? – O médico o questiona, afinal, ela é menor de idade.
— Noivo — ele arrisca, pois sabe que se não houvesse um parentesco, eles não iriam passar nenhuma informação. — Eu sei que ela é menor, mas nossas famílias nos obrigaram.
— Tudo bem. Eu já vi de tudo um pouco nesse mundo. Venha, me acompanhe.
O médico segue em direção ao quarto onde Kat está. Ao entrar, Brad observa que ela está ligada a um soro com medicamento.
— O que aconteceu, doutor?
— Ela sofreu algum estresse recentemente? – o médico responde com outra pergunta.
— Sim, diversos, principalmente nas últimas 24 horas, é por isso que estamos aqui. Estou tentando afastar ela de tudo isso – explica Brad, tentando parecer calmo.
— Tudo bem. Não sei a real situação de vocês, mas por ela ser menor e você ser o único responsável, terei que lhe falar. — Brad engole seco e sente a contrariedade na voz do médico, mas ele quer saber como ela está e o que aconteceu, então deixa isso passar.
— Pode me dizer, doutor.
— Ela estava grávida de 2 semanas...
— Estava? – Brad se assusta e tenta confirmar o que ouviu.
— Sim, e no começo de qualquer gravidez, um nível alto de estresse pode causar um aborto espontâneo – o médico explica.
— p***a! — Brad passa a mão no rosto. — Como vou contar isso para ela?
— Eu posso falar, se quiser, e já deixo um sedativo preparado — sugere o médico, porém, Brad pensa nas consequências do que Kat pode dizer ao descobrir e decide informar.
— Não, pode deixar isso comigo.
— Certo, qualquer coisa, nos chame — o médico sai do quarto.
“Meu Deus, tão nova, já perdeu o amor dela e agora o filho deles”, pensa Brad, enquanto olha para a menina.
Alguns minutos se passam e o sedativo que Katerina tomou começa a perder o efeito. Ela acorda lentamente.
— Ei... você acordou. — Brad diz, tentando não expressar o nervosismo em sua voz.
— Brad... — murmura Kat olhando para ele, ainda meio sonolenta, mas aos poucos ela começa a se lembrar de tudo e logo as lágrimas surgem.
— Pet... Nãooo… – ela não tem forças para gritar, então sai quase como um sussurro.
Brad se aproxima da cama hospitalar.
— Ei, calma, princesa. Eu sei que está doendo, mas vai passar, está bem?
— Por que estou no hospital, com esse tanto de coisa ligado em mim? E por que sinto uma dor insuportável na minha barriga?
— Então, quando te falei do Peter, você desmaiou. E aí....
— Fala logo, Brad.
— Você estava sangrando, me desesperei e trouxe você para o hospital.
— Sangrando? – Kat pergunta sobressaltada.
— Sim. — Brad pega as mãos de Kat e olha em seus olhos. — Kat, você estava grávida de 2 semanas. — Automaticamente ela passa a mão na barriga e libera um pequeno sorriso.
— Um bebê do meu Pet – o sorriso da menina se alarga.
Brad apenas concorda murmurando.
— Espera. Você falou estava? — o sorriso de Katerina desaparece aos poucos.
— Sim – Brad confirma em meio a um suspiro longo.
— Eu perdi o meu bebê, é isso? Meu pedacinho do Pet foi embora também?
Ela volta a chorar. Brad se comove com toda aquela tristeza e se aproxima.
— Ei, vem cá, calma — Brad tenta abraçá-la, mas ela o afasta.
— Como posso me acalmar, Brad, eu perdi tudo...
— Não, você não perdeu tudo, você ainda está viva, você tem tudo para recomeçar!
— Mas…
— Nada de “mas”, eu vou ficar aqui com você um tempo, tudo bem?
Prontamente ele se arrepende da pergunta, porque era óbvio que a resposta era não. Nada estava bem. No entanto, sentiu seu peito aquecido, quando ouviu a voz fraquinha de Kat:
— Obrigada, Brad.
Ele respira fundo. Kat se acalma mais um pouco. O médico logo volta ao quarto e faz mais alguns exames. Explica algumas coisas para ela. Passa alguns medicamentos e os libera.