Brad Wilson é herdeiro da máfia de Sidney.
Ele nunca se apaixonou. Era um pegador nato e um dos jovens mais desejados de Sidney. Todas ambicionavam um pedacinho desse rapaz, e ele, claro, sempre estava disposto a dar. A única coisa que ele não fazia era engravidar uma garota.
Quando tinha 16 anos, Brad era apenas um filho de mafioso. Estudou em um internato com todos os herdeiros da Austrália. Lá, ele conheceu Theodoro Harris. Eram colegas de quarto no internato. O rapaz sempre comentava sobre sua pequena irmã, 5 anos mais nova do que ele. Brad nunca viu sequer uma foto dela.
Quando fizeram 18 anos, os rapazes saíram do internato, pois cada um seguiu sua vida. Ele era herdeiro da máfia de Darwin e Brad de Sidney. São cidades próximas, ambas do país australiano, uma distância de duas horas de voo de jatinho. Os dois sempre trocavam mensagens, às vezes ele ia até Sidney e os amigos iam para a balada juntos.
Brad mesmo nunca chegou a ir à cidade de Theo, até que um belo dia se vê no escritório das empresas Wilson, examinando alguns orçamentos para abrir mais um hotel: dessa vez, a filial seria aberta no Rio de Janeiro, estado do Brasil. Brad teria que ir para lá fazer as pesquisas de campo. A princípio, não desejava. Era época de férias e em Sidney lotava de belas turistas.
O rapaz sempre teve o lema de pegar e não se apegar. Por ser mafioso, era complicado se envolver com alguém, pois vivia sob um risco frequente e não desejava ter essa responsabilidade para si. Por isso, para matar seu desejo, vivia pegando geral, como costumava dizer. Nunca se sentiu envolvido por nenhuma garota, era apenas sexo e, de preferência, com uma garota a cada dia. Logo, fazia a festa nos períodos de férias.
No entanto, num dia absolutamente comum, Brad recebeu a ligação de um número desconhecido. Ele franziu a testa e ativou o rastreador. Depois, atendeu a ligação.
— Brad Wilson.
— Ei, cara, é o Théo.
O queixo de Brad cai na mesma hora. Ele sorri.
— Fala, irmão, por que o número desconhecido?
— Estou precisando de um favor daqueles e tem que ser tudo escondido. Podemos nos encontrar? Tem como você vir aqui?
Brad inclina a cabeça e arqueia uma sobrancelha.
— Tem sim, chego aí em 2 horas. Me encontra na pista?
— Sim, claro. E... Brad, não comenta com ninguém.
Milhões de situações surgem na cabeça de Brad antes que ele responda.
— Beleza, invento algo aqui — responde lentamente. — Até mais tarde.
Brad finaliza a ligação cogitando o que estaria acontecendo com o Théo. Contudo, não adiantou bater cabeça para adivinhar. Tinha de ir ao encontro do amigo para descobrir e assim sanar sua curiosidade. Portanto, se organiza e vai até o escritório do pai.
— Brad, preciso que vá ao Brasil fazer as pesquisas de campo para abrir a filial. Quero o hotel pronto em no máximo um ano e meio e, nesse meio tempo, você ficará em um apartamento que acabei de comprar. Já mandei mobiliá-lo, está em seu nome — sorri de canto. — Imaginei que gostaria de ficar de frente para a praia de Copacabana.
— Ok, pai, eu irei, mas preciso do jatinho agora. Vou até Darwin, mas volto hoje mesmo para organizar minha partida ao Brasil.
— O que irá fazer lá? Não temos negócios com ninguém em Darwin.
— Coisas pessoais, senhor Brandon. Relaxa que sei o que estou fazendo.
— Não engravidou nenhuma garota, não é, Brad?
Brad solta uma risada honesta após escutar tamanha bobagem. Enfia as mãos nos bolsos.
— Não, pai, sei das regras da máfia e sei me cuidar bem. Parece até que não me conhece.
— OK, ok — ele faz um gesto abstrato com uma das mãos. — Resolva isso rápido.
— Certo. Até a noite, qualquer coisa, se demorar mais, eu aviso.
Não demora muito para que Brad chegue em casa. O rapaz é ligeiro na hora de arrumar a mochila e armazena tudo o que é necessário. Mesmo porque, nunca se sabe o que pode acontecer, às vezes é necessário matar alguém, torturar… Theo foi muito vago na informação.
Assim que o avião pousa, Brad se ergue da poltrona e vai até a pista. Se depara com Theo o esperando. A tensão nos ombros do colega é sugestiva, deixando Brad ainda mais intrigado.
— E aí, meu amigo?
— Brad, quanto tempo!
O abraço dos dois foi ligeiro, mais por conta de Theo, que parecia com pressa.
— O que está acontecendo, meu caro? — indaga Brad.
— Vamos — ele começa a caminhar. — Te conto tudo em detalhes chegando lá.
Entramos no carro dele e seguimos para o escritório dele, que fica em sua boate. Os dois se isolaram para conversar à vontade.
— Então, meu pai quer casar minha irmã com um homem 30 anos mais velho que ela — Theo praticamente cospe as palavras. Brad demora um pouco para absorver a informação abrupta. — Ela tem só 15 anos, cara. Não vou deixar isso acontecer e queria sua colaboração.
— De que forma posso te ajudar? Sei o quanto você a ama, se eu tivesse uma irmã também não deixaria isso acontecer. O que eu puder fazer para te apoiar, com certeza farei.
— Obrigado, cara. Bom, meu plano é o seguinte...
Ele conta seu plano e Brad aceita cooperar. A irmã dele está em Paris com o amigo e retorna em 15 dias.
Brad se despede do colega e volta para Sidney. Arruma sua mala e voa até o Brasil. Com o plano de Theo em mente, agiliza a preparação do quarto de hóspedes. De toda forma iria ficar nesse apartamento resolvendo as coisas do hotel.
10 dias se passam, está tudo finalmente organizado no Brasil, inclusive a compra de um carro. Já em Sidney, Brad passa tudo para o pai: terreno, valores, empresa de construção, tudo o que foi verificado para dar início a construção do novo hotel.
Mais 5 dias se passam e Brad avisa ao pai que retornará ao Brasil para dar início às contratações. Não fala nada para ele sobre o plano de Théo, apenas se programa para colocar tudo em ação.
Brad pega o jatinho e informa a equipe o pequeno desvio que fariam. Deixa claro que se alguém abrir a boca em relação ao que irá acontecer, o destino será a morte.
Em Darwin, Brad desce para pegar a irmã de Théo e levá-la para o Brasil. Quando a vê, um arrepio percorre desde os tornozelos ao pescoço. Ela tinha só 15 anos, mas era linda demais.
— Oi, você deve ser a Katerina. Eu sou o Brad.
Brad estende a mão para ela. Está hipnotizado, tem plena ciência disso, pois nunca viu uma mulher tão linda. Por outro lado, Peter se aproxima e pega em sua mão. Isso interrompe a contemplação de outrora.
Os dois não eram amigos, mas também não eram inimigos ou algo do tipo. Só o que Brad sabia sobre o rapaz é que ele era o braço direito de Théo.