O sol de outono no Rio de Janeiro parecia lamber as curvas sinuosas do Complexo, que agora brilhava com uma arquitetura que misturava a robustez do concreto com jardins verticais e painéis solares translúcidos. Na Casa Grande, o clima era de uma aparente calmaria, mas para Victor Silva, a paz era apenas o ruído branco que precedia o caos. Ele estava sentado em seu escritório, uma sala cercada por vidros que escureciam conforme a intensidade da luz, operando uma mesa holográfica que projetava os fluxos financeiros da Holding Amaral-Silva. A porta se abriu sem aviso. Guilherme Jr. entrou, jogando uma pasta física sobre a mesa digital, um gesto arcaico que ele usava apenas quando a informação era sensível demais para os servidores. — Temos um problema, Victor. E ele não tem cheiro de pólvor

