Capítulo 2: Rejeição

1251 Words
Na manhã seguinte, Ashley veio batendo em sua porta. Nem mesmo eram cinco da manhã quando Laurel teve que semicerrar os olhos e se arrastar para fora do sótão. Seu corpo estava quebrado e consertado tantas vezes que às vezes agia de forma estranha depois de uma noite de sono. Às vezes era o braço que se recusava a funcionar, ou sua cabeça ficava extremamente preguiçosa. Hoje de manhã, era a perna que se recusou a coordenar. "Prepare-se para sair!" Ashley gritou na sua cara. Laurel se lavou, trocou para uma boa camisetas e jeans, pegou sua bolsa e seguiu Ashley para fora. Não era a primeira vez que ela tinha que seguir Ashley em algum lugar. Sempre que precisava de alguém para carregar suas coisas ou até mesmo para ir a uma loja, Laurel ia com ela para carregar suas coisas. Desta vez, Laurel ia agir como uma assistente adequada. Antes de sair, Laurel foi puxada para o lado por Ana. Seus dedos longos foram apontados para o rosto de Laurel com um aviso piscando nos olhos dela. "Tenha certeza de que Ashley está bem. Se houver até um arranhão em seu corpo, eu vou te esfolar viva e nem mesmo seu próprio pai será capaz de te reconhecer!" A ameaça de Ana não era assustadora o suficiente, mas Laurel sabia que era verdade. Laurel achava que seu pai não seria capaz de reconhecê-la mesmo que ela não fosse esfolada. Afinal, ele não se incomodou de olhar para ela por tanto tempo e não deveria se lembrar de sua aparência. Apesar de pensar assim, Laurel assentiu solenemente, pois ainda tinha um medo imenso da morte. Ela seguiu Ashley até o carro. Max iria dirigi-los ao local e mais tarde seus amigos os levariam de volta para casa. Foi só então que Laurel descobriu o que tanto alarde era sobre. Na verdade, o lugar para onde eles iriam passar o dia não era outro senão as redondezas onde raramente as pessoas apareciam, e eles não voltariam até tarde da noite. Laurel estava ficando cada vez mais desconfortável com a ideia de ter que estar perto dos amigos de Ashley. Eles eram amigos de Ashley e definitivamente não seriam generosos o suficiente para poupar qualquer ponto de humilhação a ela. No momento em que Max os deixou no local, Laurel segurou a bolsa e se convenceu de que nada do que fizessem poderia ser pior do que as surras de Ana. Pelo menos ela poderia fugir ou algo assim se eles achassem divertido intimidá-la. Só depois de passar algum tempo com eles que Laurel descobriu quão ingênuos eram seus pensamentos. Laurel tinha três amigos com quem ia sair. Dois deles eram meninos jovens e uma era menina. As meninas e meninos eram muito amigos. Laurel não planejava saber os nomes deles, quanto menos falar com eles. Ela estava ocupada demais se preparando para o confortável piquenique de Ashley e organizando tudo o que eles precisavam. Ashley comandava e Laurel fazia. Esse era o seu trabalho. Isso continuou até a noite, quando o sol começou a se pôr no horizonte e uma noite assustadora começou a chegar. Foi quando um convidado não convidado chegou para estragar sua festa. Laurel estava encarregada de grelhar a comida em um canto do parque abandonado, então tudo o que pôde ouvir foram os gritos animados do grupo e inalou uma quantidade de fumaça em seus pulmões. Grelhar não era para os fracos. A princípio, Laurel não pensou nada disso. Tudo o que pôde ver de onde estava era outro rapaz que dirigia até lá e abraçava o grupo de quatro pessoas. Ashley depois se recusou a deixá-lo ir e se agarrou a ele. Uma ideia passou pela mente de Laurel, mas ela rapidamente a descartou porque não era da sua conta. Enquanto cantavam juntos em volta da fogueira, Laurel foi até eles para servir espetinhos frescos de carne e legumes. Os hematomas em seu braço estavam bem cobertos pela camiseta de manga longa escura e seus movimentos tímidos eram quase irreconhecíveis na escuridão. Também foi difícil ver para onde ela estava indo quando nem sequer lhe deram uma lanterna. Aproximando-se do grupo, Laurel conseguiu ver o jovem que havia chegado e deu um suspiro rápido. Ele era bonito. Talvez fosse a fumaça afetando seus órgãos internos, mas Laurel realmente conseguia sentir seu cheiro frutado até onde estava. Momentaneamente distraída, Laurel não viu a pedra em seu pé e tropeçou nela. A bandeja de espetinhos caiu na grama e nas pedrinhas, fazendo um som estrondoso. A comida caiu e Laurel apertou os olhos horrorizada. Seu corpo doía como o inferno quando as contusões e feridas que não estavam totalmente curadas entraram em contato com o solo duro. Não era fácil levantar, mas antes de ela conseguir tentar, um pé caiu pesadamente em sua mão estendida e ela pressionou nela. Laurel gritou de dor. "Inútil!" Ashley exclamou furiosa, "Você tinha um trabalho, e nem isso conseguiu fazer direito!" Laurel queria dizer alguma coisa, mas inesperadamente não conseguiu encontrar nenhuma palavra. Ela foi dominada pelo cheiro frutado que se aproximava. O grupo de amigos estava um pouco atrasado em seguir Ashley. Eles cercaram Laurel, todos eles com expressões de diversão como se estivessem assistindo a um espetáculo. No momento em que o jovem com o cheiro frutado se aproximou, os olhos de Laurel escureceram. Ela tinha um pressentimento. Não...  Laurel levantou os olhos para olhá-lo com desespero, vazando em forma de lágrimas de seus olhos. Se eram resultado da dor ou da oração, era desconhecido. O rapaz parecia ter sentido isso também, mas sua reação foi completamente oposta à de Laurel. O nojo em seus olhos não podia ser escondido. O escárnio em seus lábios era mais odioso do que o de Ashley. "O que está olhando?!" Ashley a encontrou encarando Justin e chutou seu braço para longe. Agarrando-a pelos cabelos, ela levantou a cabeça de Laurel do chão e a empurrou de volta para a grama, esfregando suas bochechas na grama e nas pequenas pedras. As bordas duras das pedras arranharam suas bochechas até ficarem rudes e mostrarem sangue. Laurel continuou a chorar de dor, mas as lágrimas só fizeram a ferida doer mais. Ela lançou outro olhar desesperado ao rapaz na esperança de ser salva. "Ashley, espera!" Justin finalmente falou. Os olhos de Laurel se iluminaram de esperança e alegria. Finalmente... "Você vai matá-la?" Justin franziu a testa ao pensar nas consequências e acrescentou: "Se for, deixe-me fazer algo primeiro." O coração de Laurel deu um salto, mas não foi de empolgação, mas algo semelhante a horror. Ele não parecia estar ajudando-a... Ashley não ficou feliz com isso. "Não há nada para pensar. Não posso matá-la, mas posso espancá-la até que perca a consciência", Ashley chutou o torso de Laurel com força, "Ela não poderá fazer nada. O que você quer fazer?" O jovem chamado Justin se agachou ao lado de Laurel. Seu corpo estava jogado no chão, com lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ela parecia lamentável, mas no momento não havia ninguém que tivesse nem ao menos uma onça de simpatia por ela. Tudo a que ela foi reduzida era alvo de piada para Ashley e seus amigos, que riam dela sempre que pensavam nela. "Deixe-me rejeitá-la primeiro..." Justin disse, arrancando uma série de suspiros dos outros. Ashley ficou tão chocada que os olhos estavam prestes a saltar das órbitas. Ela agarrou a gola da jaqueta de Justin e perguntou: "O que você quer dizer com isso?"
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