Capítulo 2: Rejeição-2

1178 Words
Justin revirou os olhos e tocou seus dedos, "Quero dizer que essa garota infelizmente é minha parceira. O que quer que você queira fazer com ela, faça depois. Primeiro, deixe-me rejeitá-la, para não ter que viver com esse fardo por mais um segundo. Eu realmente não consigo suportar isso." "Qual é o nome dela?" Laurel pressionou o nariz no chão. O chão estava misturado com o cheiro de grama esmagada, sujeira, seu sangue e lágrimas, arruinando o aroma refrescante. Ela deveria ter percebido. Por que alguém a aceitaria pelo que ela era? Laurel era quebrada, uma coisa inútil. Ninguém em sã consciência a quereria. E definitivamente não alguém que conhecia Ashley. Laurel já conseguia perceber que Ashley tinha algumas intenções em relação a Justin, e elas não se limitavam à amizade. Não apenas ela seria rejeitada, mas também seria mais espancada por Ashley. As próximas palavras de Justin vieram como uma flecha imparável em direção ao seu coração. "Eu, Justin Aguera, rejeito você, Laurel Hopewell, como minha parceira." Foi tão fácil. Essa frase foi dita sem pensar duas vezes. As palavras simples carregavam tanto peso e tanta dor que parecia que o coração de Laurel estava sendo despedaçado. Laurel agarrou o peito com a mão que ainda funcionava. Ela se contorceu de dor no chão. Ela nem sequer conseguia fazer um som. Seu corpo estava coberto de sujeira, mas nenhum deles teve a simpatia de ajudá-la. Eles só zombavam dela e saíram um por um. Ashley foi a última a sair e o fez depois de dar outro chute nas costelas de Laurel e uma maldição ríspida. A fogueira estava a alguns metros de distância. Desde que cantassem alto o suficiente para abafar os gemidos dolorosos de Laurel e lhe dessem as costas, poderiam esquecer que deixaram Laurel sozinha em dor. Laurel estava acostumada com a dor, mas isso não significava que ela não tinha medo dela. Doía da mesma forma, mesmo depois de tantos anos de experiência. E a dor de ser rejeitada era cem vezes pior. Quando a dor era tão intensa, era impossível acompanhar o tempo. Laurel só se lembrava da dor se dissipando lentamente e seus olhos se fechando com exaustão quando a aurora iluminava o céu de laranja. Laurel não tinha relaxado por dez minutos quando sentiu um chute nas costas. Todo o seu corpo tremeu devido ao entorpecimento. "Embrulhem tudo! Estamos indo!" Ashley chutou-a novamente sem cerimônia e ordenou. Imediatamente, todas as memórias da noite anterior invadiram a mente de Laurel. Desde ver Justin e achar que ele parecia bom até o ponto em que ele a rejeitou. Não levou mais do que meia hora entre os dois pontos. Laurel deve ter estabelecido um recorde mundial de ser rejeitada em meia hora após conhecer seu parceiro. Por mais que ela soubesse que eventualmente seria rejeitada por seu parceiro, não esperava que fosse assim. Com o corpo bambo e os braços tremendo, Laurel pegou todos um por um e os colocou no carro. A pele em sua bochecha estava machucada e o sangue morto estava misturado com sujeira. Laurel estava ocupada demais lidando com a dor do rejeição para curar essas palavras. Além disso, neste ponto, Laurel nem se importava mais. Ela não via necessidade de curá-la quando seu coração já estava partido em pedaços. Por mais machucada que estivesse, Laurel ainda não conseguia se impedir de lançar um olhar para Justin. Ele estava rindo com Ashley e os outros como se a noite passada não tivesse acontecido. Como se ele não tivesse acabado de infligir a dor de mil espadas em Laurel. A dor residual da noite passada ainda estava presente em todo o seu corpo. O ponto central sendo seu coração, à medida que se espalhava para cada m****o. A autodepreciação veio na forma de lágrimas quando ela percebeu que a única coisa que esperava com esperança tinha desaparecido de sua vida. Ela não achava que seu parceiro ficaria feliz em tê-la, talvez até a rejeitasse, mas definitivamente não assim. Nunca assim. Isso quebrou uma parte dela que nunca poderia curar. Além disso, sua única esperança de deixar para trás a vida horrível com sua madrasta e Ashley agora também se foi. Laurel nem sabia como conseguiu arrumar e colocar tudo na mala grande do carro. Era mais como uma minivan do que um carro. Laurel foi deixada para ser enfiada na parte de trás com coisas variadas. Ela se sentou em posição de cócoras, usando lentamente toda a sua força residual para se curar. Afinal, ela ainda tinha que voltar para casa e retomar sua vida diária de servir a Ana. Enquanto olhava para seus dedos machucados e a ardência em sua bochecha começava a voltar, Laurel veio a aceitar o fato de que sua vida nunca iria melhorar a partir deste ponto. A única coisa que ela esperava que pudesse trazer coisas boas para sua vida tinha aparecido e desaparecido de sua vida em questão de horas. Era ridículo, não importava o quanto Laurel tentasse dizer a si mesma que não era.Ninguém era tão patético como ela era. Ainda assim, Laurel tinha que viver. Ela sobreviveu à custa de sua mãe. Ela não podia desistir, apesar de sua vida ser sinônimo de inferno. Esfregando os ombros até ficarem quentes, Laurel fechou os olhos para ajudar a si mesma a aceitar a realidade de sua vida. Pelo menos agora, não poderia ficar pior do que já estava. Nada mais poderia fazê-la cair ainda mais. Conforme a minivan voltava para a cidade lotada, uma por uma, cada pessoa era deixada com suas próprias coisas. A van pertencia a Justin, que se juntou ao grupo no final. No final, apenas Ashley e Laurel ficaram. Justin dirigiu até a casa delas e ajudou Ashley a sair do banco do passageiro. Laurel abriu a porta e saiu, devagar tirando as coisas de Ashley antes que ela começasse a reclamar. "Foi legal sair com vocês. Estou tão feliz de minha mãe ter autorizado. Agora vou poder fazer mais passeios como esse!" Ashley abraçou-o empolgadamente após dizer isso. Os dedos de Laurel apertaram a sacola. Ela ficou atrás do porta-malas do carro, escondida de sua visão direta, mas Laurel tinha uma imagem clara do que estava acontecendo. Laurel sabia que Ashley a odiava e que ela gostava de Justin. Não poderia ser mais óbvio pela forma como ela se comportava perto dele. Laurel também não estava apaixonada por Justin, então não doía dessa maneira. Mas ainda doía, pois Justin era a única pessoa que compartilhava um vínculo com ela e ele cortou esse vínculo de forma impiedosa. Isso era o que doía. Ela nem mesmo era alguém que valia a pena considerar. Apenas um pedaço de lixo inútil que eles poderiam agredir sempre que quisessem. Com a ideia de não assistir a eles se comportando dessa maneira, Laurel abaixou a cabeça e levou as sacolas de Ashley de volta para dentro da casa. Atrás dela, Ashley virou a cabeça e olhou com raiva para suas costas curvadas. Ela bufou de nojo e foi abraçar Justin novamente.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD