Carlinhos já não dormia direito fazia dias. O som dos rádios no morro, os passos na laje, o motor das motos subindo a ladeira... tudo parecia aviso. Qualquer barulho era o suficiente pra ele pular da cama, suando frio, achando que os homens do Caveira tavam chegando. Ele tentava se convencer de que ainda tinha o controle, que podia reverter a situação. Mas no fundo sabia — o Comando já não acreditava mais nele. A mentira que contou sobre o Espectro tava desmoronando devagar, e ele sentia o chão sumindo debaixo do pé. Naquela manhã, o morro tava mais quieto do que o normal. A neblina subia das vielas e os meninos da contenção olhavam pra ele de canto, cochichando. Até o Nando Fiel, que sempre foi parceiro, não cumprimentava mais do mesmo jeito. O respeito tinha virado desconfiança.

