Durante todo o dia, Bárbara esteve arrumando suas malas, em silêncio, parando vez outra apenas para responder mensagens de seu namorado e de sua melhor amiga, que logo se prontificou para ajudá-la a organizar suas coisas, e como morava ali perto, não tardou em chegar.
– oi amiga, como está? – Priscilla perguntou já abraçando a amiga.
– Estou bem na medida do possível, vem, vamos para o quarto.
– e o bonitão? – Priscilla perguntou enquanto a acompanhava.
– Otávio? Acho que está no quarto
– ainda não acredito que você vai embora, Baby.
– pois é. – Bárbara disse encolhendo os ombros.
– mas vai ser melhor pra você, São João da boa vista é uma boa cidade pra morar, mas não se compara com a grande São Paulo, lá você vai ter oportunidades incríveis.
– me promete que vai me visitar sempre que puder? – ela pediu.
– eu prometo, e você não me esquece tá, você vai ser pra sempre minha melhor amiga. – disse Priscilla mostrando seu carinho, em seguida elas deram mais um abraço. – e o Guilherme, apareceu?
– sim, mandou mensagem ontem explicando o que houve, o pai dele passou m*l e ele teve que o acompanhar ao hospital e acabou esquecendo o celular em casa, ele não viu minhas mensagens a tempo de vir, mas ele já voltou.
– contou pra ele que vai embora? – Priscilla perguntou.
– não, ainda não, marquei de me encontrar com ele hoje a noite, pra poder contar, espero que ele entenda.
Pelo restante do dia, Barbara e Priscilla estiveram organizando tudo que ela ia levar, quando terminaram, apenas deitaram juntas, abraçadas, se conheciam desde crianças, e nunca haviam ficado tão longe uma da outra, e aquilo estava pesando.
– quem vai dormir de conchinha comigo quando eu estiver carente? – Priscilla perguntou e Bárbara sorriu.
– vou vir te visitar sempre que eu conseguir, e vou te mandar mensagem todos os dias.
Naquele dia mais tarde, Bárbara e Priscilla se despediram, então ela começou a se arrumar para ir encontrar com Guilherme, quando já estava pronta, saiu do quarto e na sala encontrou Otávio, sentado no sofá.
– vai sair? – ele perguntou de forma simples.
– sim, vou encontrar meu namorado, preciso me despedir dele.
– tudo bem.
– até mais tarde. – disse ela, em seguida saiu. Barbara caminhou até a lanchonete a qual haviam marcado, era perto de casa, apenas algumas quadras, ao entrar, avistou logo Guilherme, já sentado, tomando uma água.
– oi amor. – disse ela sentando a frente dele, que logo tratou de se desculpar.
– Baby, desculpa por não ter vindo, meu pai passou m*l, eu o acompanhei até o hospital, mas esqueci meu celular em casa, me perdoa mesmo.
– tá tudo bem Guilherme, acontece. – disse ela, apesar de estar sentida com a ausência dele, entendia a situação por ele explicada.
– desculpa mesmo, como você está?
– bem na medida do possível. – disse ela sem muito ânimo.
– vamos lá pra casa hoje, minha mãe foi pra casa da irmã dela, quero ficar juntinho de você, te dar carinho.
– não tô no clima, eu nem queria sair, te chamei pra gente poder conversar.
– claro, pode falar.
– eu vou embora, vou pra capital.
– embora, por que? – ele perguntou confuso.
– O irmão da minha mãe me propôs ir morar com ele, ele vai pagar minha faculdade. – Guilherme ficou calado por uns instantes, então soltou um suspiro e disse.
– ele vai poder te dar o que merece, qualidade de vida, apoio e você precisa disso nesse momento, é o melhor pra você no momento ir com seu tio. – disse ele, então ela franziu a testa, era estranho ouvir ele se referir a Otávio como tio dela, pois ela não o via assim, não havia convivido com ele, mas ela não o corrigiu. – quando você vai?
– amanhã pela manhã, não podia ir sem me despedir.
– e como fica nosso namoro? – ele perguntou um tanto sentido.
– eu não quero terminar, eu te amo Guilherme. – disse ela.
– eu também te amo, então continuamos juntos?
– sim.
– prometo que vou te visitar sempre. – disse ele. A conversa durou cerca de duas horas, então eles decidiram ir embora, Guilherme a acompanhou até em casa, em frente a porta, eles se deram um beijo com gosto de despedida, por fim um abraço apertado que durou longos minutos, então se despediram e Bárbara entrou em casa.
Na manhã do dia seguinte, Otávio ajudou Bárbara a levar todas as malas para o táxi que os aguardava fora da casa, a noite havia sido longa, ela ficou por horas organizando tudo na casa, esvaziando a geladeira, deixando tudo limpo, dormiu apenas três horas, seu rosto não negava o cansaço, mas também não negava a tristeza em deixar a cidade que morou por toda a vida. Enquanto o táxi passava pelas ruas da cidade, Bárbara olhava tudo com atenção, guardando cada memória daquele lugar, Otávio apenas olhava em silêncio, estava acostumado a estar só e o silêncio era o que havia aprendido, seu companheiro inseparável. Quando chegaram ao heliporto, o helicóptero já os aguardava, Bárbara olhou admirada, nunca havia voado nem de avião, quem dirá de helicóptero.
– Otávio…
– diga.
– ele é seu?
– sim, preciso me deslocar entre cidades de forma rápida as vezes, por conta do trabalho.
– uau, você é demais. – disse ela, ele apenas sorriu.
Quando o helicóptero levantou vôo, Bárbara ficou inquieta, sentia um frio na barriga, mas também a sensação de que algo novo se iniciava. Bárbara manteve os olhos na janela, olhando com atenção cada paisagem que se apresentava, nem mesmo percebeu o tempo passar, até que a grande São Paulo se apresentou, Bárbara ficou admirada, sua mente ficou distante, presa apenas a paisagem, mas então escutou Otávio lhe chamar.
– Bárbara, estamos chegando, já vamos pousar. – ela assentiu com a cabeça, então continuou olhando pela janela, o olhar dela era curioso e o olhar de Otávio sobre ela também era, ela parecia uma criança impressionada.
Quando o helicóptero pousou, Otávio a ajudou a sair do mesmo, enquanto junto ao piloto, pegou as malas dela, tirando uma por uma, enquanto ela olhava o local, estava no topo de um local, que não fazia ainda ideia qual era.
– que lugar é esse?
– minha casa. – ele disse simples.
– sua casa, sua casa fica aqui embaixo?
– sim.
– caramba. – ela disse impressionada.
– vamos?
– e as malas? – ela perguntou.
– os empregados vem buscar, não se preocupe com isso. – ela assentiu, então o acompanhou, olhando cada canto da propriedade com atenção, foi então que ele falou. – quando seu pai faleceu quis que Mariana e você viessem morar aqui, mas ela não aceitou.
– ela não queria deixar a casa que morávamos, nem as lembranças que construímos lá.
– entendo perfeitamente. – disse ele, então abriu a porta que deu entrada para casa e Bárbara mais uma vez se surpreendeu, era de um luxo que somente havia visto nos filmes, e aquilo só a fez o admirar ainda mais, ele havia construído aquele império do exato nada. Otávio a guiou por uma escada, que deu para um grande corredor, nele havia sete portas. – pode escolher o quarto que quiser. – disse ele.
– sério?
– sim. – ela deu uns passos pelo corredor, então parou em frente a uma porta e a abriu, vendo o luxuoso quarto que a deixou de boca aberta.
– esse… – ela disse encantada.
– esse não está disponível, é o meu. – ele disse com um sorriso divertido.
– tudo bem. – ela deu alguns passos mais, parou em frente a outra porta e a abriu, revelando outro luxuoso quarto.
– me contento com esse facilmente. – ela disse em um tom divertido, o que o fez sorrir.
– é seu, depois pode o redecorar como quiser, se precisar de alguma coisa pode pedir aos empregados, precisarei sair, tenho umas coisas de trabalho para resolver, você vai ficar bem? – disse ele, então a viu se atirar na cama e agarrar o travesseiro.
– tudo bem, não se preocupe comigo. – disse ela, ele assentiu com a cabeça, então virou-se para sair, mas ela o chamou. – Otávio.
– o que?
– obrigada mesmo.
– não precisa agradecer. – disse ele, em seguida saiu e ela levantou-se, olhando cada canto daquele quarto, mas o que mais lhe encantou foi o enorme banheiro, só dela, e logo se imaginou cantando enquanto tomava um banho quentinho, igual fazia em sua casa e sua mãe ria, Bárbara suspirou ao lembrar-se e seu coração se apertou, então ela retornou ao quarto e viu um homem colocando suas malas ali silenciosamente.
– senhorita Bárbara, me chamo Roger, sou mordomo, se precisa de algo basta me falar. – disse ele, Roger era um senhor de pouco mais de sessenta anos, por quem Otávio tinha um grande carinho, ele era discreto, silencioso, atento e prestativo, tudo que Otávio precisava em sua vida agitada, ao mesmo tempo parada.
– senhor Roger…
– apenas Roger senhorita.
– claro que não, o senhor é mais velho. – disse ela.
– mas aqui sou um empregado, senhorita.
– pode ser, mas não é meu empregado, me chame apenas de Bárbara.
– como queira senhorita…quer dizer, Bárbara, mas não precisa me chamar de senhor.
– eu sou bem teimosa, senhor Roger. – ela disse o fazendo rir.
– tudo bem Bárbara, como quiser, vou pedir a Eliza que venha guardar suas coisas.
– não precisa, eu guardo tudo.
– mas…
– eu quero guardar, pra ocupar a mente com algo, e para que algo tenha minha cara sabe. – disse ela, então deixou transparecer em seu rosto, um ar de tristeza a qual Roger reparou.
– entendo perfeitamente, foi uma grande mudança, sobre sua mãe, sinto muito.
– eu também, mas bem, a vida precisa seguir e pra isso vim. – ele assentiu com a cabeça, então perguntou.
– precisa de algo mais?
– na verdade sim, não comi nada antes de sair de casa, onde fica a cozinha?
– a levo até lá senhorita…quer dizer, Bárbara. – ele disse sem graça, Bárbara riu e cruzou os braços. – é o costume.
– o senhor vai se acostumar.