Encontro entre Alfas

1038 Words
**Isacar** Saber que Fenrir desejava encontrar-se com Lorcan era um passo mais próximo da paz que tanto desejávamos. Quando dois alfas poderosos como eles entram em conflito, nunca é bom, pois as alcateias menores tendem a tomar partido de um lado, visando ganhos futuros, e isso sempre termina em tragédia. Portanto, quanto mais cedo resolvêssemos isso, melhor seria. Depois do que houve na alcateia do Alfa Lorcan, resolvo antecipar a minha visita. Ele não iria gostar daquilo, mas eu não tinha escolha. Assim que todos dormem, converso com o meu irmão antes de tomar uma decisão definitiva. — Olá, Dorian — digo assim que ele atende o telefone. — Não acha que está um pouco tarde para me ligar? — pergunta ele, chateado, mas eu o ignoro. — Não pensei que houvesse hora para conversar com o meu irmãozinho — digo, e ouço uma série de palavrões do outro lado. — Antes que me pergunte, verifiquei o que me pediu — diz ele. — O que descobriu? — pergunto, sem conseguir esconder a minha apreensão. — Não é da minha família, Isacar. Vai ter de pesquisar melhor sobre isso — eu travo; ele devia estar errado, tinha que estar errado. Era a única explicação que passava pela minha cabeça. — Não, não, eu tenho certeza de que ela pertence à sua família — insisto, mesmo sabendo qual seria sua resposta. — Eu mesmo verifiquei pessoalmente cada m****o da minha família. Estão limpos — aquilo não fazia sentido. Eu havia tido um único filho, e do acasalamento dele apenas uma criança nasceu, e ela não era Zara. — Algo deve estar errado, temos que investigar isso mais a fundo — insisto, sem entender o que estava acontecendo. — Tem certeza de que o seu filho não teve nenhuma aventura fora do acasalamento? — pergunta ele, e eu rosno. Se havia algo de que eu tinha absoluta certeza era da lealdade do meu filho com a sua companheira; aquilo estava fora de questão. — Claro que tenho! Ele jamais faria isso — digo, cerrando os dentes de raiva por sua suposição. — Vou até você, irmão. Preciso ver essa menina com os meus próprios olhos. Talvez estejamos deixando algo passar — diz ele, finalmente. — Tudo bem. Quando vier, preciso que traga fotos de todas as lobas douradas que conseguir, aquelas que tenham idade suficiente para serem mãe de Zara — ouço o silêncio na linha. — O que pretende fazer? — pergunta ele, embora já saiba a resposta. — Ela já viu fotos da mãe; se conseguirmos fotos de algumas mulheres, pode ser que ela a reconheça — explico. — É a melhor ideia que já ouvi até agora. Em dois dias, estarei aí — diz ele. — Vou aguardar — digo, desligando. Dorian podia ser um irmão terrível quando queria, mas era um ótimo observador, e eu tinha confiança de que, com sua ajuda, conseguiria resolver aquele enigma de uma vez por todas. A minha noite passou voando. Dormi m*l, e, quando acordo, estou m*l-humorado. Desço para a cozinha e encontro todos à mesa tomando o café da manhã. — Não parece bem hoje, conselheiro — diz Fenrir ao me ver. — E não estou, mas tenho muito a fazer — digo, servindo-me de uma xícara de chá. — Vai até Lorcan? — pergunta ele. — Sim. Estive pensando, e quanto antes resolvermos isso, melhor. — Posso ir com você, conselheiro? — pergunta Zara, animada. Observo Fenrir lançar um olhar chateado para ela. — Melhor não, Zara. Ainda existe uma tensão entre as alcateias, e a sua presença pode não ser bem vista pelos membros do bando — explico, e vejo o sorriso sumir do seu rosto. — Entendo. Diz ao Lorcan que desejo vê-lo novamente, gosto das nossas conversas. — Pequena, não faça isso. Sabe o quanto o odeio, e te ver falando assim de outro homem não me agrada — diz Fenrir, puxando-a para o seu colo. — Mas é a verdade, Fenrir, não mentiria para você — diz ela, inocente. Eu admirava aquilo em Zara, a forma como ela se abria às pessoas à sua volta, especialmente com Fenrir. Zara tinha algo que encantava todos ao seu redor, e eu acreditava que era aquele mesmo magnetismo que devia ter fascinado Lorcan. — Eu sei, amor, mas ainda é difícil ouvir isso — diz ele, esfregando o nariz no pescoço dela. Sorrio ao ver aquilo; Fenrir podia ser c***l com todos, mas com a sua companheira era apenas um cachorrinho adestrado. — Bem, preciso ir. Quanto mais cedo conversar com o Alfa Lorcan, melhor será — digo, levantando-me e partindo. O meu motorista já me aguardava do lado de fora. A viagem até a alcateia Lua Azul seria rápida, já que ela era vizinha da alcateia Presa Branca. Em menos de uma hora de viagem, chegamos ao nosso destino. Assim que desço do carro, vejo Corin me aguardando. — Faz tempo que não o vejo, Isacar — diz ele, dando-me um abraço. — Posso dizer o mesmo, Corin. Tem andado sumido nos últimos tempos — digo a ele, sorrindo. — Apenas ocupado tentando colocar juízo na cabeça daquele moleque — a forma com que Corin falava de Lorcan transbordava carinho em cada palavra. — E onde ele está? — pergunto, já que não o vi junto com Corin. — Aguardando-o na sala do Alfa; sabe como ele é — diz, enquanto me guia para dentro. — Sim, sei bem como ele é. Entramos e vamos direto para a sala do Alfa. De longe, avisto Lorcan sentado na sua cadeira, parecendo um rei no seu trono; pelo que parecia, ele continuava tão dramático como sempre. — Perguntava-me quando viria até mim, vovô — diz ele, com um sorriso de canto. — Não sou o único, meu neto; poderia ter ido me ver quando quisesse — digo, justificando-me. — Mas aí o nosso plano não daria certo — diz ele, com a sobrancelha arqueada. — Realmente, acho que não daria. — Ver o meu neto daquele tamanho despertava em mim muitas lembranças, e também dor por ter perdido boa parte do seu crescimento. Esse era o peso do dever, e de mim ele estava cobrando um alto preço.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD