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Perdeu as contas de quantas vezes tentou se esconder, como também já não sabia mais quanto tempo se encontrava naquela situação.
Todas suas tentativas de fugas eram fracassadas, pois, sempre que tentava procurar algum lugar para se esconder tinha que sair dali o mais rápido possível afinal de contas queria sair dali ainda com vida.
O tempo lá fora não ajudava, era noite o céu cobria a floresta com as nuvens carregadas de água desejando muito despejar por todo aquele lugar, contudo apesar da grande vontade não fazia nada disso visto que ainda não tinha encontrado a hora perfeita.
Além disso,seu perseguidor estava na sua cola ela não poderia parar nem mesmo se quisesse fazer isso.
Seu coração batia rápido e a mulher de longos cabelos loiros tentava ao máximo fugir, ao mesmo tempo, em que trilhava seu caminho se perguntava mentalmente como foi que parou ali naquela situação.
Os cabelos estavam bagunçados, parte de sua roupa estava rasgada e o coração errava as batidas sempre que ouvia a voz masculina ecoar em meio as folhas, destacando se naquela sinfonia devido ao tom que seu portador colocava.
" — Você não pode se esconder por muito tempo, logo não vai mais existir lugar e eu vou te achar."
Em partes ele não estava realmente errado, por mais que a floresta fosse um lugar relativamente grande já não mais existia lugar para onde a jovem pudesse fugir ou tentar se esconder.
Primeiro tentou se esconder atrás de algumas pedras, entre elas existia um pequeno volume de água que dava início ao rio próximo dali. Se andasse mais um pouco poderia então dar de cara com a caverna um pouco longe dali, escondida por causa do mato.
Não pensou duas vezes quando a luz da lua agraciou seus olhos com aquele lugar, tanto que se permitiu sorrir por alguns segundos e respirar aliviada só precisava ficar ali até amanhecer e tudo ficaria bem, com calma para não escorregar a loira moveu seu corpo até aquele lugar escondendo se na penumbra.
Ele não vai me achar aqui, vai ficar tudo bem e logo eu vou estar em casa foi o que ela pensou.
Seu corpo se alojou no chão molhado, não se importou com aquilo como normalmente faria a dona dos cabelos loiros apenas desejava um momento de paz para quem sabe assim seu corpo pudesse relaxar.
Aquele estava bem longe de ser o melhor dos cenários para isso ainda assim não reclamou quando o corpo encostou na parede, ficando encolhida no chão.
Fechou seus olhos e respirou fundo, juntando tanto os braços como as mãos a mulher sorriu de maneira fraca.
Estava salva, acreditava que estava.
Antes de estar ali tinha tido um relacionamento curto com Gabriel, durou pouco tempo — felizmente — se durasse mais tempo tinha medo do que poderia acontecer consigo nas mãos daquele homem.
Não que agora estivesse em uma situação melhor, ainda assim aquilo só comprovava o quanto tinha azar quando o assunto era o sexo masculino.
Distraiu se tanto que não percebeu um fato muito importante, não estava mais sozinha naquele lugar.
Alguns animais que viviam por ali resolveram procurar abrigo para quem sabe assim pudessem sair da chuva e ter uma noite de sono tranquila, entre eles o mais perigoso estava próximo dos pés femininos, uma cobra perambulava pelo chão que só foi notada no momento em que seus dedos tocaram a região abaixo de si.
Ainda com a cabeça abaixada a loira permitiu se pensar nas coisas que aconteceram até que ela chegasse ali, acabou se deixando enganar pela faceta bonitinha e o sorriso encantador sem contar é claro o jeito cavaleiro e único que a encantou desde os primeiros segundos que seus olhares se cruzaram, moveu a cabeça para os lados em uma lenta negativa.
Antes de estar naquele lugar a dona dos cabelos loiros estava em um relacionamento serio com Gabriel, porém um dia antes do casamento encontrou provas que o amor dele por ela não era assim tão puro como dizia e para piorar encontrou também provas vivas que ele estava mentindo durante todos os anos que estavam juntos.
Magoada, chateada a jovem mulher decidia mudar de vida; saindo da cidadezinha em que cresceu para ver ser sua situação mudava ou ela apenas parasse de ser uma tola apaixonada.
Ela não passava de uma boba.
Assustada, com medo e com parte do corpo tremendo a loira não perdeu tempo em se mover dali e ir direto para a saída do lugar.
Por mais que quisesse muito um lugar para descansar ela não queria passar mais nem um segundo por perto de uma cobra, primeiro que morria de medo e segundo preferia ficar correndo por aí fugindo do assassino do que fugir de um de seus medos.
Por falar nele, não fazia nem ideia de onde ele estava.
Talvez só, talvez, Deus tenha sido um pouco generoso e fez com que sua sorte mudasse e essa perseguição agora não fazia o menor sentido na cabeça do homem.
Mesmo que esse pensamento rondasse em sua mente a mulher não ficou ali parada, tinha que se manter em movimento caso quisesse sair dali com vida.
Como não via nem a sombra e muito menos a voz dele decidia que poderia dar uma pequena folga aos pés e iria andando até um lugar seguro. O tempo infelizmente naquele dia não era seu amigo e sim aliado de seu inimigo pronto para interromper qualquer plano de fuga que a mulher tivesse em mente.
O terreno que pisava ficava escorregadio, o coração batia dentro do peito ao mesmo tempo, em que tentava correr mais rápido, todavia, por mais que existisse essas tentativas, sentia se correndo em círculos.
Não conhecia nada dali, seus olhos apenas viam árvores e mais árvores.
Quando virou o rosto para cima ouviu com atenção o som de raios, ao virar na direção contrária apenas um pouquinho a mulher sentiu a respiração falhar no momento em que viu aquela faca.
À terra junto da água não ajudava de nada a mulher a andar — correr — por aquele espaço, já era naturalmente atrapalhada então andar por aquele terreno estava realmente se tornando uma prova de sobrevivência.
Enquanto corria não percebeu a pedra no meio do caminho o que levou consequentemente seu corpo a deslizar ladeira abaixo.
O homem logo atrás de si não perdeu tempo, acelerou os passos e ainda com a faca em mão assistiu de longe o corpo feminino cair e se misturar com a vegetação do lugar e as pedras, daquela altura ela com toda certeza estaria morta e pensar isso o fez sorrir de leve.
[...]
Tempos atuais.
Abria os olhos devagar, sem pressa o quarto era iluminado pelas luzes do sol deixando exposto a pequena bagunça que ela havia feito durante a semana.
Seus dias eram agitados, sempre vivia em movimento e não tinha um segundo de folga.
De fato, a vida de um universitário era um inferno.
Felizmente poderia dizer com um sorriso grande no rosto que esse período havia acabado e ela não teria que nunca mais lidar com problemas universitários nunca mais na vida, ao menos claro que por algum acaso decidisse cursar algum curso novamente.
Algo que por agora não estava nos planos de Emma Torres.
Ela havia recém se formado em administração, como também havia já concluído seu estágio em uma pequena empresa da cidade em que morava - um ambiente pequeno onde todo mundo se conhece - agora estava pronta para dar um passo muito importante na sua vida, algo que mudaria tudo e talvez causaria um pouco de caos na vida da morena.
Porém, o que era a vida sem caos?
Uma vida totalmente sem graça, era essa a filosofia da jovem de cabelos curtos.
Emma Torres tinha pele parede, cabelos lisos e ondulados nas pontas puxados diretamente da parte materna.
O corpo era um pouco cheinho ainda assim se passava por um modelo saudável de corpo.
Olhos tão escuros como a noite completavam o rosto da jovem.
Com preguiça e pouco de falta de ânimo a morena abria os olhos devagarinho, a primeira coisa que viu foi seu ursinho de pelúcia com o formato do ursinho Pooh envolvido em seus braços, tal coisa a fez rir baixinho.
Apesar de ter a idade que tinha - vulgo seus vinte e sete anos de idade - ainda fazia coisas que não seriam adequadas para a sua idade, como por exemplo dormir agarrada em um ursinho de pelúcia.
Por mais que existisse esse pensamento alheio Emma nunca se importou com a opinião alheia, fazia o que tinha vontade sem medo de julgamentos.
Riu baixinho consigo mesma, abandonando temporariamente seu colega de cama.
Os braços foram até acima da cabeça, os olhos se fecharam e o corpo consequentemente se moveu para cima ficando sentada na cama ao mesmo tempo em que se espreguiçava.
Tinha tido uma ótima noite de sono, tinha sonhado com sua nova vida e como ela poderia ser fantástica nos próximos meses.
Já tinha até tudo minimamente planejado, iria marcar entrevistas de emprego enquanto ficaria hospedada no apartamento de uma amiga da faculdade que foi para lá um pouco mais cedo que ela, quando Elizabeth estava pela cidade as duas tiveram uma noite de meninas e fofocaram até o amanhecer, planejando tudo nos mínimos detalhes até como poderiam decorar o apartamento.
Se lembrar disso fez com que a jovem sorrisse sem perceber para no fim soltar um leve resmungo entre os lábios quando se deparou com todas as coisas que tinha para arrumar.
Antes mesmo que falasse algo ou tivesse alguma reação a porta do quarto se abriu, mostrando uma Theresa Torres sorridente, sua mãe era uma mulher que sempre cuidava da aparência logo não era surpresa - para ela ao menos - que parecesse alguns anos mais nova do que realmente deveria parecer.
Emma era uma cópia fiel daquela mulher, menos pela cor dos olhos visto que os de sua mãe eram claros e os seus escuros.
A matriarca então moveu se até a cama, sentando se no lado livre para acariciar os fios de cabelo da filha.
— Sabe que te amo não é? — questionou a matriarca.
Desconfiada ao ouvir tal pergunta Emma torceu o olhar, seus braços se cruzaram e por fim observou com atenção a mulher bem ali ao seu lado.
— O quê você quer mamãe? — perguntou a mais nova.
Ouvindo aquilo Theresa sorriu largo, parecendo o gato de botas de Alice.
— Posso transformar o seu quarto em um salão? — questionou.
Quando as palavras tocaram seus ouvidos Emma arregalou os olhos um tanto surpresa, achava que sua mãe estaria triste por vê lá partir e não planejando o que fazer com seu quarto sem ela ao menos ter arrumado suas malas.
Não resistiu ao impulso de dar um tapinha fraco em um dos ombros da mãe, deixando pra trás um sonoro "aí" quando a ação foi realizada com sucesso.
O relacionamento delas era algo a mais do que apenas mãe e filha, elas eram amigas; melhores amigas que contavam sempre uma com a outra assim como também viviam compartilhando segredos entre si.
Logo, por mais que aquela ação não tenha sido totalmente correta a mãe não viu com outros olhos já que aquilo era uma brinca dela entre ela e a filha.
Theresa fez um beicinho manhoso depois de sentir o tapa em sua pele, ainda com os olhos fixos na figura mais nova respondeu. — Sabe como é, eu preciso seguir em frente então nada mais justo do que fazer um negócio próprio não acha?
Ela nada disse, ainda estava de certa forma desconfiada das intenções da mãe.
Apesar de concordar com aquilo não podia e nem queria esconder o lado dela que ficava um pouco magoado com aquilo.
Sentia se como se levasse um chute, que não era mais bem vinda. — E se não der certo lá? Pra onde eu vou voltar? — questionou a mais nova, aproveitando a situação para expor seu medo.
É claro que pensou nas coisas que poderiam não acontecer caso colocasse seu pé para fora de casa, como também pensou nas coisas que poderiam acontecer com ela caso tudo ocorresse certo.
No pior dos casos das duas opções a seguir uma delas acontecia: A primeira era que teria sucesso naquilo que escolhesse fazer, não iria demorar para consequentemente ter a sua independência.
E a segunda opção não menos importante que a anterior, a jovem apostava tudo o que ficou batalhando durante anos e por fim não obtinha nada para então voltar para a casa dos pais.
Sabia que tanto uma como a outra só iria acontecer se por acaso fosse ela a mudança, não poderia de forma alguma ficar parada e ver as coisas acontecerem, afinal de contas não era assim e não iria começar a ser assim.
Ouviu com atenção e suspirou de leve quando ouviu aquelas perguntas, agarrando as mãos da filha fazendo um leve carinho assim que teve contato com a pele da primogênita.
Sorriu de volta quando os olhares se encontraram.
— Está com medo? — perguntou.
— Morrendo. — Respondeu a mais nova, deixando um suspiro fraco escapar dos lábios fazendo com que sua mãe soltasse um riso baixo entre os lábios, ainda assim continuou ali olhando a atentamente.
Já esteve no lugar da filha há alguns anos atrás, quando estava para se casar com o pai de Emma essa ideia não foi muito bem aceita por sua família para eles ela não passava de uma garotinha mimada na cidade sendo que não era bem assim.
Desde muito novinha Theresa Torres aprendeu o que era trabalhar e aprendeu também o que era o valor do próprio dinheiro, seus pais - avós de Emma por parte materna, James e Ana - não era pessoas ricas.
Os pais de Pedro eram muito menos, ambas as famílias eram pessoas humildes a questão era que o preconceito vindo dos pais do homem era muito maior e por um motivo muito bobo, na cabeça deles o filho deveria se casar com uma das mocinhas da cidade e ter uma família grande e linda e não se casar com alguém de fora.
Felizmente ou infelizmente Thomas e Diana não pensam mais assim, pelo menos isso acabou com o nascimento da neta que segundo ambos foi a melhor coisa que poderiam querer como pessoa; a sensação de ser avô e avó.
Com a mão esquerda a mais velha acariciou levemente os fios de cabelo da filha, olhando a fixamente.
— O medo assusta não é? — questionou e a mais nova apenas concordou com a cabeça no momento exato em que recebeu a pergunta.
Os lábios de Theresa se moveram em um sorriso pequeno, indo até o canto esquerdo da boca que por alguns poucos segundos ficou ali em seu rosto envelhecido pelo tempo.
— Sei que tem medo, porém não deixe que isso seja uma desmotivação certo Em? — Disse a matriarca da família.
— Eu posso tentar. — Retrucou a mais nova, um sorriso nervoso dançava em sua boca.
No fim soltou um suspiro longo e pesado, fechando seus olhos por alguns poucos segundos.
O rosto se virou até que seus olhos novamente encontrassem o olhar da filha no meio do caminho.
— Vamos fazer um trato então. — Declarou.
Confusa pelas coisas que ouvia Emma franziu o cenho, não tardando a questionar.
— Um trato? — perguntou apenas para ter certeza que o que ela dizia era sério.
Moveu a cabeça em uma afirmativa no momento em que ouviu tal coisa, ajeitando se um pouquinho na cama até que suas pernas estivessem também no colchão e agora Theresa pela posição em que estava lembrava muito o estilo oriental de sentar.
— O seu quarto fica do mesmo jeito durante o período de teste assim que você conseguir o emprego. — Falou dando uma pequena pausa entre as falas. — Quando o período de teste passar, você vai ter exatamente o período de um mês para me comunicar o que aconteceu com você e se caso não fizer, o seu quarto vira o meu salão de beleza.
Era de certa forma um acordo justo, não queria ver a filha passando dificuldades por isso não estava apressada em mudar tudo de uma hora para outra, além disso, também poderia usar desse tempo para pensar no que poderia fazer em relação ao seu pequeno negócio independente.
Emma escutou todas aquelas palavras e por longos minutos a mais nova não expressou nenhuma reação, aquilo preocupou Theresa que apesar desse sentimento começar a tomar conta de cada célula do corpo deixou que a filha tivesse seu tempo.
Encostou o corpo na cama, abraçando o ursinho de pelúcia favorito de Emma.
O silêncio não demorou em vir, ao mesmo tempo em que a mais nova fazia caras e bocas e considerava todos os fatores antes de dizer alguma coisa sobre o que foi proposto.
No fim, virou seu corpo até o da mãe e estendeu a mão como se estivesse prestes a selar um acordo de negócios importantíssimo.
— Theresa Torres. — Chamou pela mãe que em resposta sorriu largo.
— Sim, senhora Emma Torres? — respondeu.
— Negócio fechado? — Devolveu a outra, sorrindo largo em resposta aos atos da mãe.
Theresa não se aguentou e riu baixo com as ações da filha, adorava aquela menina e seria sem sombra de dúvidas muito difícil ver ela partir de uma hora para noite.
Não tinha muitas pessoas que confiava, além de seu marido a única pessoa que sabia de seus segredos mais profundos era aquela pessoinhas que teve a sorte de dar a luz.
Por um lado sentia o coração apertar em seu peito, um pouco triste e por outro estava feliz em ver a filha dando os seus próprios passos para crescer mesmo que isso significasse ficar longe da família.
Não iria ameaçar para que ela ficasse, iria se odiar se fizesse isso faria o oposto, iria apoiar Emma.
Meio chorosa a mulher apertou a mão da filha, sorrindo.
— Acordo fechado, senhorita Torres.
Algumas horas mais tarde o quarto da jovem nem parecia o mesmo de antes, as roupas jogadas no chão estavam embaladas nas malas e bem organizadinhas nem ao menos parecia coisa de Emma Torres ou melhor dizendo, a bagunça em pessoa.
As coisas dela estavam separadas em caixas, desde o que poderia quebrar ou o que não poderia correr algum risco de quebrar.
Estava com um macacão, uma camiseta branca de meia manga e os cabelos presos em duas Marias chiquinhas fazia com que a jovem tivesse um ar um tanto infantil, porém era naquelas peças de roupas que se sentia verdadeiramente confortável.
Os pés avançaram em passos lentos para dentro do quarto, observando tudo com cuidado.
Primeiro viu as paredes cheias de alguns pôsteres de atores e cantores que gostou durante os anos, do lado um quadro em forma de círculo exibindo algumas fotos dela mesma como também fotos dela acompanhada, seja por amigos ou pela família.
Aquilo fazia seu peito ficar cheio, e um sorriso consequentemente surgir em seu rosto.
Tinha passado muito tempo naquele lugar e adorava cada cantinho daquele quarto, era difícil demais para ela dizer adeus, porém era algo necessário que tinha que fazer afinal de contas não tinha planos de ficar na casa dos pais para sempre.
Despertou de seus pensamentos quando ouviu uma pequena série de batidinhas na porta, virou se imediatamente vendo sua mãe ali parada.
— Vamos querida? — perguntou. — Você tem que pegar o trem.
Ela confirmou logo após ouvir a voz da mãe, os dedos que se abraçavam arranharam levemente as unhas de leve na própria pele.
— Mais cinco minutinhos, por favor mamãe. — Pediu a mais nova, queria ter mais tempo com um dos principais lugares que foram influencia na sua infância e adolescência.
Ao ouvir o pedido não pode evitar de sorrir, um sorriso que veio para o lado de seu rosto confirmando em silêncio que ela teria aquele tempo depois disso saiu dali deixando a sozinha.
Quando a mãe saiu Emma fechou os olhos, respirando fundo até o ponto de seu peito subir e descer, era um grande passo que estava dando e apesar do medo existir a adrenalina de tentar algo novo de se arriscar era tão tentadora que não poderia de forma alguma deixar passar essa oportunidade, se por acaso fizesse tamanha loucura ela mesma iria se bater e talvez até mesmo fazer a internação no hospício.
Riu baixo com os próprios pensamentos, tinha realmente vivido coisas emocionantes durante todos aqueles anos.
Por exemplo, em sua infância Emma Torres era uma menininha muito ativa, nunca ficava quieta sempre - mais sempre mesmo - fazia com que sua mãe ficasse com cabelos brancos devido às atividades que a jovem planejava durante o dia a dia.
Uma vez, quando estava descobrindo como era divertido mexer com tinta, a dona dos cabelos escuros e olhos claros imaginou que seria uma ótima ideia pintar as paredes do quarto de uma outra cor, visto que a atual era totalmente sem graça e fora de moda aos seus olhos.
Theresa Torres tinha deixado a filha sozinha por alguns poucos segundos, ela acreditava fortemente que não teria problema algum em fazer isso visto que a mais nova estava distraída pintando no chão do quarto com tinta e algum giz de cera com algumas folhas de papel para pintar. Então não viu m*l algum em tirar alguns poucos minutinhos para fazer uma pequena rotina de cuidado básico, como tomar banho e lavar o cabelo um pouco para cuidar da pele.
Quando voltou até o quarto da filha a mulher teve quase um mini infarto vendo a parede toda pintada com referências aos desenhos que Emma assistia, como algum clássico da disney ou algum livrinho que vez ou outra a mais nova pegava para aprender a ler.
Se lembrar disso fez Emma rir sozinha, sem sombra de dúvidas tinha aprontado muitas coisas quando mais nova.
No momento em que passou a frequentar a faculdade começou a ser um pouco mais responsável e menos doidinha, sua mãe de certa forma agradecia profundamente por isso.
Não que não gostasse da filha doidinha, porém achava que uma hora ou outra a primogênita teria que adquirir um pouco de responsabilidade já que querendo ou não entraria na vida adulta.
Sem perceber lágrimas começaram a cair no rosto feminino, deixando o um pouco molhado.
O corpo feminino foi lentamente girando no mesmo lugar em que estava, vendo cada coisinha naquele quarto e se lembrando de todas as coisas que passou dentro daquelas paredes, Emma levou uma das mãos até o rosto limpando o com cuidado até começar a andar em direção a porta e antes que colocasse então seus pés para fora do comodo a morena virou se mais uma vez olhando aquele lugar com atenção e um sorriso nascia aos pouquinhos em seu rosto, apesar de ter o coração apertado dentro do peito sabia que aquela era a decisão correta.
— Obrigada. — Disse em voz baixa, guiando a porta na direção oposta até se fechar.
Iria inicialmente levar consigo uma mala - mochila - pequena, contendo as coisas que achava importante para a viagem e o restante seria enviado até ao endereço de Elizabeth nos próximos dias, em relação a isso pelo menos a dona dos cabelos escuros não tinha assim tanta pressa muito menos urgência. Agarrou a bolsa deixada no sofá da sala, colocando a em seus ombros e começando a andar até a saída da casa, sua mãe já estava ali esperando a na caminhonete.
Abriu a porta, sentou se no banco e por fim colocou o cinto pelo corpo.
— Pronta? — perguntou.
Apenas confirmou com a cabeça ao ouvir a pergunta e a mãe acariciou de leve o rosto da filha sorrindo de canto.
— Ele estaria orgulhoso de você, sabe disso não sabe? — indagou a mais velha.
Imitou a ação anterior, movendo a cabeça uma lenta afirmativa quando ouviu a voz materna.
— Estaria não estaria? — retrucou mesmo já sabendo da resposta.
Há algum tempo quando estava prestes a se tornar uma caloura na universidade, seu pai Pedro Torres acabou sofrendo um acidente de carro.
O motivo? Ele queria presentear a filha por aquela conquista, mesmo que fosse apenas uma lembrancinha queria fazer isso.
O homem só não contava com a chuva vinda do nada, a alta velocidade que dirigia influenciou o carro na pista e consequentemente uma tragédia aconteceu quando encontrou um caminhão dirigido por um motorista que não dormia há um dia.
Emma quis cancelar tudo quando aconteceu, quis parar sua vida e sofrer o luto.
Tinha perdido o seu melhor amigo e aquilo era horrível, porém por mais que essa sensação fosse horrorosa a jovem encontrou apoio na mãe que assim como ela também tinha perdido alguém, seu marido e seu amigo.
Juntas as mulheres da família Torres conseguiram superar aquela dor insuportável, é claro que sentiam falta ainda assim seguiam vivendo um dia de cada vez.
Para distrair ou pelo menos tentar fazer isso a mãe de Emma colocou para tocar no rádio uma música, quando começou a melodia ambas sorriram cúmplices do que estava por vir.
Simplesmente adoravam músicas pop, por exemplo, Lady Gaga e Katy Perry.
O clima triste não ficou muito por ali, logo foi preenchido por algo muito alegre e contagiante com músicas serem cantadas de uma maneira muito errada e desafinada.
Algumas horas depois de viagem e uma pequena paradinha rápida em uma lanchonete próxima a estação de trem, Emma já se encontrava sentadinha na cadeira do trem apenas esperando chegar ao local de destino.
Iria ser uma viagem com algumas paradas, então a jovem de cabelos escuros tinha planos de chegar até a casa da amiga pela noitinha, já que naquele momento se iniciava a tarde.
Arrumou suas coisas na parte de cima, destinada originalmente para que seus passageiros pudessem colocar seus pertencentes ali caso não quisessem levar durante a viagem.
Escolheu um assento na janela, queria ver a paisagem como também gostaria de acenar para sua mãe no momento em que que o trem partisse rumo ao seu destino.
Para comer ela pegou um lanchinho, um saco com duas coxinhas e uma coca cola para molhar um pouco a garganta.
Adorava aquele refrigerante, não era dependente já que foi educada desde nova a beber com moderação aquele líquido.
Seu corpo se passava por saudável, apesar dela ser um pouco fora do peso.
Não ligava para o que os demais pensavam sobre seu físico, pois, se amava do jeitinho que era.
Da mochila que levava consigo trazia uma pequena coberta que tirou antes de guardar a bolsa assim como também uma pequena almofada para por na região do pescoço, iria ficar ali durante algumas boas horas e queria que aquela viagem fosse confortável.
Quando o trem começou a andar procurou rapidamente com os olhos a figura materna, moveu a mão para esquerda e para direta com rapidez, acenando em despedida para a mãe.
O coração de apertou ainda mais dentro do peito, deixar o lar realmente era uma tarefa difícil ainda assim precisava disso.
Queria chorar, queria descer do trem e tentar mais uma vez em alguma empresa daquela cidadezinha do interior ainda assim não fez, pois, apesar dessa vontade sua mente começava a aceitar que era aquilo que precisava. É claro que no começo quando surgiu a ideia a moça não aceitou nem um pouquinho, não queria deixar sua mãe sozinha, porém acabou sendo convencida - obrigada - pela matriarca da família a fazer diferente, a pensar grande e ficar naquele lugar não era uma boa escolha para os sonhos que Emma Torres tinha em mente.
Até tentou procurar alguma vaga na cidade onde cresceu com medo de deixar a mãe sozinha e algo acontecer, até conseguiu sim achar algumas coisas por lá, porém sentia que não era para ela estar ali, precisava demais e sentia que não iria conseguir caso ficasse ali.
Percebendo o estado em que sua filha se encontrava Theresa Torres não teve escolhas, motivou a sua filha a sair do ninho e começar a voar por conta própria. É claro que gostaria muito que ela ficasse na cidade, um lugar tranquilo longe da agitação da cidade grande e de possíveis perigos que ela poderia trazer, tinha o total conhecimento que mesmo no lugar em que moravam elas não estavam imunes a coisas como: roubos, acidentes com fogo entre outras coisas.
A questão mesmo era que perto conseguia proteger sua filha do que quer que fosse que ameaçasse sua segurança, já longe não era bem assim... Por mais que esse pensamento estivesse rondando em sua mente Theresa não deixou se afetar por isso, motivou Emma a viver a vida dela uma vez que a sua já tinha vivido.
No momento em que a plataforma saiu do seu campo de visão Emma novamente se sentou, olhou para os lados e reparou em algumas pessoas observando a o que a fez ficar com as bochechas coradas.
Um rapaz próximo de onde estava riu um pouco alto - debochado - olhando a enquanto sua cabeça se movia para os lados em uma lenta negativa, aquilo obviamente atraiu a atenção da mulher que o encarou por alguns segundos.
— O quê? — ela perguntou em voz baixa.
Ótimo, não fazia nem mesmo uma hora direito que tinha deixado sua casa e acabou de arrumar uma briga. Parabéns! Emma sempre muito brilhante como sempre, pensou a dona dos cabelos escuros.
Ele ouviu a pergunta, a voz feminina fez com que uma das sobrancelhas ficasse um tanto erguida e por fim moveu o olhar até que se cruzasse com o dela olhando a diretamente.
Estavam separados por uma distância curta, um pequeno espaço entre as cadeiras do trem.
— Doida. — Falou, sua voz era alta o bastante para que ela ouvisse.
Emma arregalou os olhos e mostrou o dedo do meio.
— Babaca.