Mesmo faltando cinco minutos para eu ir embora, Delmom ainda não apareceu.
Lembro-me perfeitamente de como ele estava vestido. E para a exposição, onde eu estava com um vestido elegante e joias, ele teria sido muito simples. Embora mesmo se tivesse vindo com camiseta e shorts, Delmom teria parecido igualmente impecável.
Eu estava segurando a caixinha onde a gravata borboleta estava em minhas mãos e não conseguia conter um sorriso. O perplexo Kael passou diante dos meus olhos. Achei engraçado, mesmo que apenas uma vez, tirar aquela máscara de gelo. E, como pensei, o homem não foi atrás de mim. Então, quando criança, fiquei feliz com aquela pequena pegadinha.
De repente, naquele exato momento, quando eu não esperava, a porta se abriu. Virei a cabeça ali e fiquei parado.
Delmom varreu a sala com os olhos e correu para mim. Sem tirar os olhos de mim, ele entrou e fechou a porta.
Minha respiração parou com sua aparência.
— Há um minuto você já deveria estar sentado no carro — ele diz secamente, enquanto seus olhos ainda não saem do meu corpo.
Eu também não pude deixar de olhar para isso. E agora ele estava vestindo um terno. Fiquei surpreendido. Onde ele poderia fazer isso?
Uma dúvida repentina criou raízes profundas em mim quando vi a gravata preta. Tudo nele era perfeito, e aquela voz fria, cheia de reprovação, me fez querer pedir que ele colocasse sua gravata borboleta. Apertei a caixinha com mais força e escondi-a atrás das costas.
— Já estava saindo — Eu respondo e espero que vire para poder colocar a caixinha na gaveta.
Mas, em vez disso, Delmom franze a testa e caminha em minha direção. Veja abaixo. No final ele percebeu.
— O que você tem em mãos? — Recebo a pergunta exigente que já esperava.
— Nada — Digo mais abruptamente.
Delmom, é claro, não acredita em mim e coloca a mão atrás das minhas costas. Não respiro quando ele se inclina muito perto de mim e facilmente tira a caixa de mim. Ele abre e franze a testa.
— O que é isso? — Ele pergunta e olha para mim.
— Uma gravata borboleta — Eu murmuro, olhando para qualquer lugar, menos para ele.
— Vejo que não é uma flor. É para mim?
— Não — Eu balanço a cabeça, teimosa.
— E claro que é. Combinando com a cor do seu vestido. Isso é como um colar? Quer marcar-me? — Delmom de repente tira suas conclusões, e isso me agita por dentro.
Abro bem os olhos e olho para ele rapidamente.
— Então me devolva, se você não gostar —Eu estendo a mão para pegar a caixa. Mas Delmom a empurra para o lado.
— Eu não devolvo o que é meu, diz Natália — E então, inesperadamente, de uma só vez ele arranca a gravata e em meio minuto coloca a gravata borboleta. Tudo sem tirar os olhos de mim. Muito intenso. Muito pesado.
Olhei para ele, perplexo, enquanto a acomodava pela última vez e, de repente, uma mão grande pousou na minha cintura. Eu engasguei quando ele me virou e pressionou minhas costas nuas contra seu peito. Olhei para sua mão, possessiva em minha barriga, e então levantei meus olhos ao nível dele.
Encontramo-nos no espelho de corpo inteiro. Por um momento, tudo parou de importar e eu não quis dizer nada. Ver-me ao lado dele foi como um relâmpago. Éramos dois opostos, mas juntos parecíamos nos encaixar.
— Não se esqueça, Natália — acrescenta, olhando para mim com aqueles olhos, como abismos.
Ele pega minha mão e nós vamos embora. Mas quando chegamos ao primeiro andar, perco o ritmo e quase bato o nariz no chão, embora a mão de Delmom não permita.
— Você está bem? — a voz dele soa por perto.
Aceno lentamente e Delmom olha para onde estou olhando.
— Kael — deixa ir, irritado, o homem que estava nos esperando na entrada — E aquele olhar de palhaço?
— Não é palhaço, é demoníaco — Kael corrige Delmom e depois presta atenção em mim.
Delmom sibila algo e me leva mais longe, em direção a Kael. O homem estava na nossa frente, vestindo um terno vermelho brilhante; na gola de sua camisa branca, ele usava uma gravata borboleta vermelha. Meus olhos ainda estavam bem abertos de choque.
— Para que você usou isso? Você está drogado só pode além de ser um guarda-costas, filho da mãe, não um alvo — Delmom cospe no rosto de pedra de Kael que parecia um alienígena naquele traje.
— Eu não poderia negar sua esposa. Pediu-me para usar a gravata borboleta que me deu, e só combina este fato com ela. Certo, Natalia?
Minhas pernas quase se soltam enquanto Delmom endurece e olha através de Kael sem nem olhar para mim. Engulo em seco e, como se não entendesse nada e como se não tivesse nada a ver com isso, desvio o olhar. E eu suspiro quando Delmom faz um movimento, e Kael se curva ao meio, m*l fazendo um som surdo.
— A verdade é que combina com você — A voz de Delmom ecoa e, antes de passar por Kael, ele lhe dá um tapinha “amigável” no ombro.
Mas posso ver um sorriso quase imperceptível nos lábios de Kael. É louco?
Delmom silenciosamente me levou até o carro e me ajudou a sentar no banco do passageiro. Ele sentou-se ao volante e, sem dizer uma única palavra, saiu do local da casa. Dois jipes partiram atrás de nós; Em um deles, certamente, estava Kael em seu terno vermelho.
Tive medo de dizer qualquer coisa ao furioso Delmom. Eu estava indo rápido demais e me agarrei firmemente a tudo que pude. Minha respiração ficou pesada e rápida, e meu pulso ecoou em meus ouvidos. Eu precisava dizer algo para diminuir a velocidade, mas fechei os olhos com força para não ver a estrada ou o quão perigoso era ultrapassar carros.
Deixei o ar escapar do meu peito enquanto o carro parava com um guincho estridente de pneus. Gritei quando as mãos de Delmom de repente puxaram meu pescoço para frente. Abri meus olhos de repente, no momento em que seus lábios atacaram os meus.
Respirei fundo pelo nariz e agarrei-me com uma mão ao seu ombro tenso.
A língua do homem irrompeu abruptamente em minha boca; Seus lábios e movimentos eram exigentes, dominantes, furiosos. E isso não me assustou. Em vinte segundos fechei os olhos e comecei a ceder. Ele rosnou na minha boca, ouvi o clique do cinto de segurança se soltar e, no instante seguinte, eu estava ajoelhado no colo de Delmom.
As mãos de Delmm apertaram minhas nádegas com força, atingindo seu m****o. Senti o quanto estava tenso e animado. Percebendo como estava me molhando, gemi por uma nova onda de calor.
Ernest finalmente se separou de mim. Sua mão continuou a me segurar firmemente pela nuca.
— Você vai dizer novamente que é contra a sua vontade? — ele pergunta em voz baixa, diretamente contra meus lábios.
A única coisa que posso fazer naquele momento é balançar a cabeça.
O homem bufa e me obriga a olhar diretamente nos olhos dele, e então diz:
— Você não vai dar presentes para outros homens. Você me entende?
Abro bem os olhos. Embora eu suspeitasse do motivo de Delmom ter ficado tão bravo, não entendo o que há de errado nisso. Além disso, não foi um presente. Não entendo por que diabos Kael colocou isso.
— Por quê?
— Porque eu digo —Ele corta e, alguns segundos depois, eu estava sentado no assento novamente.
Ele saiu em silêncio, batendo a porta que me fez pular. Olhei para ele, em choque, enquanto diminuía a distância circulando o carro da frente e abria a porta. E, sem esperar, agarrou-me pela cintura e levantou-me no chão.
Ele virou a cabeça para Kael enquanto caminhávamos em direção à entrada.
— Mais um — e aparece um buraco na tua cabeça.
— Promessas vazias — Kael bufou e senti sua presença quando entramos.
Todos os olhos estavam voltados para nós. Segurei-me com mais força no cotovelo do Delmom enquanto avançávamos. As pessoas nos deixaram passar e olharam com desconfiança para o rosto pedregoso de Delmom. Os olhares também pararam em mim: curiosos e invejosos.
Engoli com força. Essa atenção me deixou desconfortável, mas tive que suportá-la. Delmom me trouxe por um motivo... Embora eu não tivesse dito não a uma noite com um dos meus livros.
Paramos ao lado de uma das mesas redondas gratuitas, no meio da sala. Fotos estavam penduradas nas paredes e a maioria nem entendia o que elas deveriam representar. Mas as pessoas ficavam olhando para eles e comentando como se tivessem uma obra de arte na frente deles. Embora talvez quem não entenda seja eu. Bem. Melhor assim. A mente ficará mais saudável.
Delmom, por outro lado, não estava interessado em pinturas ou pessoas. Eram eles que estavam interessados nele. Tenho certeza de que se as pinturas tivessem olhos, elas também olhariam para ele.
— Você quer comprar uma pintura? — Pergunto um minuto depois que o garçom nos traz as bebidas. Para mim, champanhe; para Delmom, algo escuro em uma taça menor, porém mais larga.
Ele virou-se para mim. Seus olhos não tinham mais aquele fogo e aquela raiva; Eles eram frios e não demonstravam emoção. Ele levantou uma sobrancelha e olhou para mim como se eu fosse uma menina. Mas eu não sabia como iniciar uma conversa. Eu não ia falar sobre o clima.
— Não — ele respondeu, seco.
— Então, para que estamos aqui? Para o seu trabalho?
— Não vá para onde você não precisa —ele diz abruptamente.
Mordi meu lábio lá dentro. Há apenas cinco minutos ele estava me beijando, e agora nem uma palavra.
— Você tem algum limite de palavras?
— Não estou com vontade de seus pequenos atos.
— Ah, mas você está com vontade de flertar, certo?
— Flertar?
— É a primeira vez que você ouve essa palavra?
— Não estou flertando com você, Natália — ele diz, franzindo os lábios em descontentamento.
— Suas palavras contradizem suas ações, Delmom — Eu digo e tomo um gole de champanhe.
De repente, Delmom dá um passo em minha direção e se inclina para baixo. Fico imóvel, olhando-o diretamente nos olhos.
— Não preciso flertar com minha esposa. Agora é completamente meu.
— Não é seguro —Eu sussurro, teimosamente, sem desviar o olhar.