Assim que Delmom saiu, continuei imóvel, mas minhas pernas tremiam tanto que literalmente caí no saco de feijão. Descansei a cabeça nas palmas das mãos e, acho, fiquei assim para sempre, tentando recuperar o juízo. Suas palavras zumbiam em minha cabeça, e suas carícias deixavam um eco em meu corpo.
Engulo em seco e tento respirar fundo novamente. Sai instável.
Eu não me entendo, e menos ainda ele. Seu longo monólogo me deixou confusa, me forçou a pensar: e se tudo realmente não for como eu vejo? E se eu olhasse mais de perto para entender quem é meu amigo e quem é meu inimigo?
E que ele disse que não me considera uma prostituta... Parecia real demais para continuar duvidando. Não gostei de ouvir falar de outras mulheres com quem ele estava, embora tenha sido eu quem tocou no assunto. Quase o mandei até eles...
Tiro meu vestido, coloco meu sarafan e vou embora, nervosa. Eu estremeço quando encontro a garota. Ele sorri, acena com a cabeça e, pegando todas as coisas, vai até a caixa. Mas continuo olhando em uma direção.
Delmom está lá, franzindo a testa, conversando com alguém ao telefone. Ele me dá uma olhada. Fico vermelha, engulo nervosamente e, ganhando forças, caminho em sua direção e paro a dois passos de distância. Ele me olha para frente, encerra a ligação e desliga primeiro.
— Vamos — ele diz, e pega minha mão.
Vamos ao caixa, onde nos servem rapidamente e nos seguem com olhares atentos. Um dos guardas pega as bolsas e caminha para frente sem nos esperar. Mas aparentemente Delmom não planeja sair do shopping.
— Não terminamos? — Pergunto, ainda assim, enquanto caminhamos, atraindo a atenção de todos.
Delmom é uma pessoa muito conhecida. Na internet existem algumas fotos oficiais dele, como seu passaporte ou campanha eleitoral. E quem não sabe o nome dele pode não notar uma dúzia de guarda-costas gigantes com uma expressão que faz o coração encolher.
— Não — responde seco.
Pressiono um pouco os lábios diante do tom dele, mas continuo caminhando ao lado dele, de mãos dadas. Levanto as sobrancelhas quando entramos numa joalharia.
— Bem-vindo, Sr. Delmom — o conselheiro cumprimenta educadamente, acenando para nós dois.
— Precisamos escolher joias para esta noite — Delmom diz com voz neutra.
— Ok — ela responde com um sorriso e nos leva até as vitrines. Parado atrás do vidro, ele olha para mim — Você poderia esclarecer com quais roupas devemos combinar joias?
Olho para ela, um pouco perdida, mas ele toma a iniciativa.
— Vestido de noite escuro — diz curto.
A mulher estava claramente esperando por mais detalhes e, percebendo sua leve dúvida, decidiu completá-lo.
— É um vestido de cetim de seda azul marinho com decote profundo e costas baixas. Comprimento midi, com a******a na coxa, solta no corpo — esclareceu com um leve sorriso, olhando para o orientador.
Ela acena com a cabeça, aliviada, e começa a mostrar opções que podem caber. Ignoro o olhar de Delmom e me concentro nas peças, ouvindo atentamente a explicação e observando os cenários. Com alguns eu olho fixamente, prendendo a respiração.
— De quais você gosta? — Ele pergunta, interrompendo meus pensamentos.
— Levando em conta o preço ou não? — Respondo sem tirar os olhos da janela.
— Você acha que estou com pouco dinheiro? — A voz dele soa lenta, sem nenhum vestígio de ofensa.
Mordo o lábio e dou de ombros.
— E eu sei quanto dinheiro você tem? Isto — digo, apontando para uma roupa com um colar de ouro branco e safira azul, uma pulseira de ouro branco e brincos com diamantes e safiras.
Olho para Delmom. Ele acena sem demonstrar nenhuma emoção, enquanto o conselheiro embala o conjunto escolhido e ele silenciosamente paga uma quantia considerável de cartão. Tudo com uma expressão de pedra, sem nenhum indício de nervosismo ou prazer.
E eu cresci em uma família rica. Mas meu pai sempre economizava em roupas caras, joias ou qualquer coisa, se não fosse estritamente necessário. E aqui... É difícil se acostumar com um homem sendo capaz de comprar silenciosamente tudo o que você diz. Será apenas no começo? Ou apenas para o evento? Não sei. Mas suas palavras e ações me levam a pensar que não devo tirar conclusões precipitadas.
Delmom me leva a um spa e me deixa lá, dando ordem para fazer o que eu quiser, e me entrega seu cartão. Depois ele desaparece, deixando-me sob a vigilância de vários guardas e do Kael.
Eu o teria seguido com meu olhar por muito tempo, pensativo, se não fossem os trabalhadores, que me cercam instantaneamente como abutres, com sorrisos excessivamente gentis. Nem preciso dizer que meu pai nem gastava dinheiro em spas? Acho que não.
— A ordem é para te levar para casa, Natália — Kael me diz secamente quando estou pagando pelos serviços.
Aceno com a cabeça e vou atrás dele.
— Delmom já está no carro? — pergunto.
—Não. Delmom passará pela casa antes de sair.
Eu franzo a testa. Ele pensou que tinha sumido por um momento, mas desapareceu novamente. Rosno dizendo que entendo e caminho ao lado de Kael, tentando não encontrar olhares curiosos. Olho com desconfiança para minha guarda.
Quanto mais o observo e quanto mais o vejo comunicar com todos, até com o Delmom, mais me inclino a pensar que ele não é apenas um guarda, como os outros. Embora seja igualmente c***l, à sua maneira, Kael é diferente.
Você pode se dirigir a Delmom encurtando seu nome, enquanto os outros não podem. Só ele entra em casa quando Delmom está fora. Os outros ficam do lado de fora e, se entram, é só para dizer alguma coisa e sair, e somente quando Delmomestá em casa. Mas Kael fala com aqueles homens como se ele fosse o chefe deles. E nunca ouvi nada sobre um status especial dele.
— Você notou algo interessante em mim? — Kael pergunta, me surpreendendo.
Ele nem estava olhando para mim para notar meu olhar...
Desvio o olhar de repente e me ocorre fingir que não estava olhando para ele. Mas, por alguma razão, ouso perguntar:
— Por que Delmom colocou você como meu guarda-costas?
A sobrancelha de Kael treme por apenas um segundo, mas seu rosto rapidamente se torna impenetrável novamente.
— Sua pergunta não é para mim — resposta curta.
Não sei o que dizer a ele, mas meus pensamentos param em um manequim atrás da vitrine de uma loja pela qual passamos. Eu paro e me aproximo. Os homens reagem instantaneamente, me cercando, e Kael bufa irritada atrás de mim.
— Você não ouve? Vamos direto para o carro, sem parar — diz.
Mas eu não me importo. Penso, nervosamente, naquele desejo absurdo de comprar uma gravata borboleta masculina azul marinho.
— Por que você olha para roupas masculinas?
— Quero comprar alguma coisa — Digo, virando a cabeça para ele e encontrando seu olhar meio fechado e insatisfeito.
— Não me importa o que você quer. Essa ordem não existe — Kael me interrompe, me colocando no meu lugar.
Aperto minhas mãos, mas esse desejo de fazer pelo menos alguma coisa sem receber ordens pesa mais do que qualquer coisa.
— Preciso entrar naquela loja. Espere um minuto — adiciono com firmeza.
— Razão?
— Isso importa? Por que não posso entrar por um momento? Mesmo com um acompanhante?
— Você tem que me dar uma razão para que eu entenda se é necessário ou não.
Aperto os dentes, irritado. Diz-lhe que quero aquela gravata borboleta? Para que ele possa olhar para mim como se eu fosse um i****a? Algo me diz que ele recusará. Você tem que dizer algo que lhe interesse...
— Preciso de roupa íntima — De repente, soltei e quase gritei lá dentro para que meu rubor não aparecesse.
Mas o olhar de Kael... Deus, pela primeira vez perde a máscara por mais de um segundo. Ele franze a testa e me explica, lentamente, como uma criança:
— É uma loja masculina. Precisa de um para mulheres.
— Não. Eu preciso disso.
— Aqui você só pode comprar roupas íntimas masculinas — repita.
— Preciso de roupas íntimas masculinas — Sento-me e olho para ele como se o t**o não fosse eu, mas ele.
Ele permanece imóvel. Não diz nada. Ele olha para mim com atenção e ainda não consigo conter meu rubor. Algo acende em seus olhos e se apaga imediatamente. Ele se afasta e estende a mão em direção à entrada.
— Você tem no máximo dez minutos.
Quase suspiro. E, depois de respirar fundo, vou para a seção de roupas íntimas. Ainda vou ter de o escolher primeiro. E aí, quando paro, entendo que se uma gravata borboleta é tamanho único, a roupa íntima não é. Que tamanho devo levar? Agarra qualquer um e pronto? Bom, é isso que farei. No geral, é só tê-lo e depois jogá-lo fora.
Mas ainda fico em frente à prateleira de roupas íntimas masculinas. Minhas bochechas queimam, sentindo a atenção dos homens. Pego uma cueca boxe escura e vou em direção às gravatas-borboleta quando Kael me impede.
— Delmom veste um tamanho maior — ele diz, e pega a mesma roupa, mas um tamanho diferente. Eu acidentalmente olho e fico ainda mais vermelha. XL. Deus. E onde é que ele sabe o seu tamanho?
Aceno com a cabeça e arranco-lhe o tecido, deixando o outro no seu lugar. Fico com raiva de Kael e a deixo ir sem pensar:
— E você, você é gay? — Sai, e só por causa da vermelhidão nos olhos e da expressão dele eu entendo a estupidez que acabei de dizer. O riso de alguns homens piora a situação.
— Não se atreva, droga, e não me chame de gay. Eu só fodo mulheres — ele diz com ameaça, sem se conter.
— Ok, ok, eu acredito em você — Eu digo rápido e evito, indo em direção às gravatas-borboleta. E quando vejo as que quero, de repente, embora eu fosse usar apenas a azul, por algum motivo também pego uma vermelha. Depois corro para o caixa.
Peço que o vermelho seja embalado separadamente, sentindo o olhar penetrante de Kael. Se eu não fosse a esposa de Delmom, provavelmente não teria mais cabeça. Mas parece que ser casado tem a sua vantagem.
Quando vamos para o carro e chegamos em casa, fico ao lado da escada e, virando-me de repente, empurro a sacola com a gravata borboleta vermelha nas mãos de Kael.
— Para que serve isso? Ele pergunta, olhando para dentro e franzindo a testa, perplexo.
— Isso combina com seus olhos quando você fica com raiva. “Que diabos”, digo e subo as escadas rapidamente, contendo o riso, para me esconder no quarto. É o único lugar onde você está proibido de entrar sem mandado.