CAPÍTULO 18

2093 Words
Delmom silenciosamente me levou até o carro e me ajudou a sentar no banco do passageiro. Ele sentou-se ao volante e, sem dizer uma única palavra, saiu do local da casa. Dois jipes partiram atrás de nós; Em um deles, certamente, estava Kael em seu terno vermelho. Tive medo de dizer qualquer coisa ao furioso Delmom. Ele estava indo rápido demais e me agarrei firmemente a tudo que pude. Minha respiração ficou pesada e rápida, e meu pulso ecoou em meus ouvidos. Eu precisava dizer algo para diminuir a velocidade, mas fechei os olhos com força para não ver a estrada ou o quão perigoso era ultrapassar carros. Deixei o ar escapar do meu peito enquanto o carro parava com um guincho estridente de pneus. Gritei quando as mãos de Delmom de repente puxaram meu pescoço para frente. Abri meus olhos de repente, no momento em que seus lábios atacaram os meus. Respirei fundo pelo nariz e agarrei-me com uma mão ao seu ombro tenso. A língua do homem irrompeu abruptamente em minha boca; Seus lábios e movimentos eram exigentes, dominantes, furiosos. E isso não me assustou. Em vinte segundos fechei os olhos e comecei a ceder. Ele rosnou na minha boca, ouvi o clique do cinto de segurança se soltar e, no instante seguinte, eu estava ajoelhado no colo de Delmom. As mãos dele apertaram minhas nádegas com força, atingindo seu m****o. Senti o quanto estava tenso e animada. Percebendo como estava me molhando, gemi por uma nova onda de calor. Delmom finalmente se separou de mim. Sua mão continuou a me segurar firmemente pela nuca. — Você vai dizer novamente que é contra a sua vontade? — ele pergunta em voz baixa, diretamente contra meus lábios. A única coisa que posso fazer naquele momento é balançar a cabeça. O homem bufa e me obriga a olhar diretamente nos olhos dele, e então diz: — Você não vai dar presentes para outros homens. Você me entendeu? Abro bem os olhos. Embora eu suspeitasse do motivo dele ter ficado tão bravo, não entendo o que há de errado nisso. Além disso, não foi um presente. Não entendo por que diabos Kael colocou isso. — Por quê? — Porque eu quero — Ele corta e, alguns segundos depois, eu estava sentado no assento novamente. Ele saiu em silêncio, batendo a porta que me fez pular. Olhei para ele, em choque, enquanto diminuía a distância circulando o carro da frente e abria a porta. E, sem esperar, agarrou-me pela cintura e levantou-me no chão. Ele virou a cabeça para Kael enquanto caminhávamos em direção à entrada. — Mais um — e aparece um buraco na tua cabeça. — Promessas vazias — Kael bufou e senti sua presença quando entramos. Todos os olhos estavam voltados para nós. Segurei-me com mais força no cotovelo do Delmom enquanto avançávamos. As pessoas nos deixaram passar e olharam com desconfiança para o rosto pedregoso dele. Os olhares também pararam em mim: curiosos e invejosos. Engoli com força. Essa atenção me deixou desconfortável, mas tive que suportá-la. Delmom me trouxe por um motivo... Embora eu não tivesse dito não a uma noite com um dos meus livros. Paramos ao lado de uma das mesas redondas gratuitas, no meio da sala. Fotos estavam penduradas nas paredes e a maioria nem entendia o que elas deveriam representar. Mas as pessoas ficavam olhando para eles e comentando como se tivessem uma obra de arte na frente deles. Embora talvez quem não entenda seja eu. Bem. Melhor assim. A mente ficará mais saudável. Delmom, por outro lado, não estava interessado em pinturas ou pessoas. Eram elas que estavam interessados nele. Tenho certeza de que se as pinturas tivessem olhos, elas também olhariam para ele. — Você quer comprar uma pintura? — Pergunto um minuto depois que o garçom nos traz as bebidas. Para mim, champanhe; para Ernest, algo escuro em uma taça menor, porém mais larga. Ele virou-se para mim. Seus olhos não tinham mais aquele fogo e aquela raiva; Eles eram frios e não demonstravam emoção. Ele levantou uma sobrancelha e olhou para mim como se eu fosse uma menina. Mas eu não sabia como iniciar uma conversa. Eu não ia falar sobre o clima. — Não — ele respondeu, seco. — Então, para que estamos aqui? Para o seu trabalho? — Não vá para onde você não precisa —ele diz abruptamente. Mordi meu lábio lá dentro. Há apenas cinco minutos ele estava me beijando, e agora nem uma palavra. — Você tem algum limite de palavras? — Não estou com vontade de seus pequenos atos. — Ah, mas você está com vontade de flertar, certo? — Flertar? — É a primeira vez que você ouve essa palavra? — Não estou flertando com você, Natália — ele diz, franzindo os lábios em descontentamento. — Suas palavras contradizem suas ações, Delmom — Eu digo e tomo um gole de champanhe. De repente, Delmom dá um passo em minha direção e se inclina para baixo. Fico imóvel, olhando-o diretamente nos olhos. — Não preciso flertar com minha esposa. Agora é completamente meu. — Não é seguro — Eu sussurro, teimosamente, sem desviar o olhar. Mas um movimento átras de Delmom me obriga a fazer isso fico surpresa quando olho para trás e vejo meu pai e minha mãe. Cada célula dentro de mim congela, transformando-me numa estátua de gelo. Os olhares do meu pai e da minha mãe deixam uma marca pesada no meu coração. Você está surpreso em me ver nesta sala. Está claro aos olhos do meu pai que ele não ficaria surpreso em me ver em um bordel, e não em uma exposição de pintura. Mas quando Delmom se vira, sentindo uma presença estrangeira, o medo se soma a essa paleta. Os olhos da minha mãe se arregalam e seu rosto muda. Meu pai fica rígido e franze a testa, mas ainda se aproxima, puxando minha mãe com ele. — Boa noite, Delmom — acena com a cabeça e me olha de lado. Não consigo deixar de notar como, naquele momento, sua boca se contorce. Você achou, talvez, que estou aqui para me divertir? Um caroço fica preso na minha garganta e não me deixa respirar. Olho para o lado para não poder mais ver meus próprios pais. — Para você eu sou o Sr. Delmom — Delmom corta com uma voz metálica. Com o canto do olho, percebo como meu pai se recupera e, apesar de toda a raiva e humilhação que fervem dentro dele, aceno com a cabeça. — Achei que não havia mais problemas entre nós... — meu pai diz com cautela, e sinto minha pele queimando sob seu olhar cheio de desprezo. — Eu não te disse que teria perdoado a dívida — Delmom responde. — Como não? Eu já te paguei por isso — A voz do meu pai se eleva, indignado com o choque. — Você acha que pode resolver seus erros com sua filha? — Delmom pergunta, baixo e frio como uma folha. — Você não se opôs quando aceitou ela em vez de dinheiro. Se o problema é que isso não te satisfaz... — diz meu pai, mais cauteloso. Delmom sorri audivelmente, interrompendo as palavras do meu pai. E então, de repente, sua mão cai na minha cintura e me puxa para o lado dele. Eu prendo a respiração. Todos os músculos do seu corpo estão tensos, mesmo que externamente não sejam perceptíveis. Intrigado com esse gesto, encontro o olhar da minha mãe. Fico em seus olhos por um segundo, surpreso com a expressão com que ele olha para mim. Pela primeira vez na vida, esse olhar não é indiferente. Pela primeira vez na vida, sinto um arrepio percorrer meu corpo por causa dela. Mas as palavras de Delmom nos forçam a romper esse contato. — Eu não preciso de presentes. A minha mulher não pode estar a pagar a tua dívida ridícula e miserável, Sr. Gustavo. Não consigo controlar minha expressão quando o significado de suas palavras chega até mim. Meu coração desacelera. A descrença me morde por dentro, em cada canto. Não pode ser... Ele mesmo repetiu tantas vezes que eu era o pagamento... Ele mesmo disse isso na minha cara. — Esposa? — meu pai pergunta, com voz surda. O rosto da minha mãe se alonga e fica cinza, como se todo o sangue tivesse saído do rosto dela. Meu pai olha para mim sem acreditar, como se estivesse vendo um fantasma. — Por que isso te surpreende? Não estás contente por a tua única filha não se ter tornado apenas mais uma daquelas mulheres usadas, mas e a minha mulher? — Estou feliz — meu pai cospe, engolindo com força e desvia o olhar de mim. Fica um pouco mais fácil quando ele para de olhar para mim. Aperto o cotovelo do Delmom, porque de repente tenho dificuldade em ficar de pé. A aparência e a atitude dos meus pais em relação a mim eram como sacos de vinte quilos nos ombros. — Mas então, e a dívida? Você não pode simplesmente levar minha filha com você... Delmom se transforma em pedra sob minhas mãos. E então sua voz percorre toda a sala, chamando a atenção dos presentes: — Recentemente você não tem mais o direito de chamá-la de sua filha. Para você é a Sra. Natalia Novas. Como você atrasou o pagamento, a cada dia sua dívida aumentava em dois por cento. Para a questão do pagamento, dirija-se ao meu assistente. Vim aqui para passar tempo com minha esposa, não para ouvir empresários inúteis. Depois disso, Delmom se vira e nos leva para o outro lado da sala, para uma das pinturas. Sinto um olhar entre as omoplatas que perfura um buraco, mas mantenho as costas retas. Quando paramos em frente à pintura, meu peito sobe com dificuldade e o zumbido em meus ouvidos começa a desaparecer aos poucos. Sem olhar para ele, quebro o pesado silêncio entre nós: — Você... O que você disse aí... Eu não entendo você, ele —Eu balanço a cabeça, incapaz de encontrar as palavras. Estou tão perplexo com o que ele disse que nem sei o que pensar. — E quanto lhe custou entender? Acho que disse isso muito claramente, Natalia. — Que de repente meu pai me dá um homem como pagamento de uma dívida, e esse homem não faz nada além de me tratar como uma coisa e nem esconde que para ele sou apenas uma compensação. E então, um dia, você diz ao meu pai na cara dele que não sou um pagamento. Que não me tomaste como compensação pela dívida. Suas palavras... Elas são diferentes a cada vez. Por que você está fazendo isso? Quem sou eu para você?.. Expiro com força nessas últimas palavras e, de repente, a respiração fica mais fácil. Como se uma pedra tivesse caído do meu peito. Durante muito tempo essas palavras viveram dentro de mim, apertaram meu coração e tive medo de dizê-las. Medo de perguntar e ouvir a resposta. E agora, de repente, como se eu não me importasse mais. Não posso avançar se não obtiver uma resposta clara. De repente, Delmom segura meu queixo com dois dedos. Seu contato é firme, mas ao mesmo tempo inesperadamente suave. Ele levanta meu rosto em sua direção, forçando-me a olhá-lo nos olhos. Meu olhar desliza rapidamente por suas feições: maçãs do rosto tensas, lábios apertados, aquele olhar pesado. Tento conter as lágrimas que estão prestes a sair... E então, sem qualquer aviso, Delmom se inclina em minha direção; Seus lábios cobrem os meus suavemente, mas com segurança. Uma respiração surpresa escapa dos meus lábios e se perde em sua boca. Os lábios dele queimam e, ao mesmo tempo, me dão uma estranha sensação de ternura. Seus dedos correm ao longo da linha da minha maçã do rosto, fazendo-me tremer a cada carícia. Uma onda de calor me cobre da cabeça aos pés, deixando sua marca em todas as células do meu corpo. Delmom me beija mais profundamente, mais lentamente, como se fosse a única maneira de dizer tudo o que ele não consegue expressar em palavras. E essa foi a resposta dele. Minhas mãos se erguem sozinhas em direção ao peito de Delmom, sentindo a tensão de seus músculos, a batida de seu coração, que responde à minha. Eu mergulho naquele momento, em sua força, em sua necessidade, em sua verdade. E pela primeira vez em muito tempo, acho que estou começando a entender quem eu sou para ele... ‍ ‍ ‍ ‍
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