CAPÍTULO 5

1230 Words
— Você não é uma escrava. Mas você está certa sobre uma coisa: só eu posso te tocar — a voz dele se abaixa para um rosnado profundo — porque você será minha esposa. Meus olhos se arregalam, meu coração bate forte. O que é que ele acabou de dizer? — Esposa? — Repito com voz rouca. — Esposa — Delmom confirma com um tom frio que me perfura até os ossos. — Não vou me casar com você… — Murmuro, m*l ouvindo minhas próprias palavras entre o rugido do meu peito. Seu rosto endurece, ele franze a testa e aperta um guardanapo nas mãos. — Você não tem escolha. Você será minha esposa, e eu não me importo tanto com seu “sim” quanto você. — Por quê? Ele se recosta na cadeira e me olha apaticamente. — Você sabe o que seu pai me ofereceu quando te entregou? Não é o que eu te proponho. O teu pai deu-te para ser prostituta, para me agradar. Talvez uma e outra vez, e depois para os meus homens. Mas o casamento nem estava em seus pensamentos. E sabe o que aconteceria quando pagasse a dívida? Seus pais dificilmente a receberiam de braços abertos. Pior ainda, você acabaria na rua ou em um bordel. Esse era o seu futuro dado pelos seus pais. Ofereço-lhe um teto e proteção. — Mas o sexo ainda faz parte da oferta. — Sim. Então você será uma esposa, não uma prostituta. Meus toques não terão desprezo, e pelos outros você será intocável. Você percebe a diferença? Eu permaneço em silêncio. Sinto essa diferença, e o destino de uma prostituta me aterroriza mais do que o casamento. — Você odeia meu pai? Eu sinto isso em você… Então, por que você está me propondo isso? — Meu ódio não se estende às crianças. Esta proposta beneficia você mais do que eu, embora também seja lucrativa para mim. Não queres mostrar ao teu pai que ainda estás de pé com a cabeça erguida? Que ele tem receio de olhar m*l para você se quiser sobreviver? Ele permanece em silêncio enquanto Delmom fala, depois se inclina sobre a mesa, descansando as mãos. — Pergunto novamente: Você será minha esposa voluntariamente? Engulo o nó na garganta com dificuldade e pergunto em voz baixa: — Se eu aceitar, você fará sexo comigo imediatamente? — Você quer? — Não — Eu respondo sem rodeios, sentindo um fogo subir com seu tom profundo. — Mentira. Ainda sinto seu aroma em meus dedos como prova disso. Mas não vou forçar você. Muito em breve será você quem me implorará… Então, o que está dizendo? — Vou me casar — respondo com uma voz abafada e resignada. Delmom não parece surpreso; eu sabia que não escolheria outro caminho. Não sou de brigar quando tudo está em jogo. O medo do que me espera se eu disser não me paralisa. — Você se saiu bem — ele diz, sem desviar o olhar, levantando-se da mesa para se aproximar lentamente de mim. Aperto minhas mãos, cravando minhas unhas na pele, tentando me controlar. Ele para muito perto, olhando-me de cima a baixo com uma intensidade que passa por mim. Minhas pernas se contraem acidentalmente com a onda inesperada de calor que retorna. Delmompercebe. Seus olhos escurecem, como chamas, e sinto um fogo interno. Ele olha para meu rosto; meu corpo fica tenso. Ele estende a mão e para de respirar enquanto seus dedos acariciam meu cabelo, puxando-o suavemente para trás, depois desliza a parte de trás dos nós dos dedos pelo meu pescoço e ombro, tocando a marca que ele deixou ontem. Minha pele queima e meu corpo responde com uma onda de calor inesperada. — Mesmo que você tivesse recusado, você teria sido minha — diz ele, com um brilho selvagem e quase animalesco nos olhos. Fiquei sem palavras, perplexo com sua atitude e palavras… O que tudo isso significa? Mas não me deixa pensar nem falar. — Em breve trarão vestidos para preparar você para a noite — diz ele com um tom diferente, autoritário e indiscutível. — E o que vai acontecer a noite? — Pergunto, confuso, tentando entender. — Vamos nos casar — responde naturalmente. Continuo paralisada. Ele examina cada emoção em meu rosto, esperando por uma reação. — Tão cedo? — Eu balbucio, perdido em pensamentos. — Não vejo razão para esperar — Ele afirma com voz firme que não permite resposta. Um turbilhão de pânico me invade. m*l consigo entender que meus pais me venderam para esse homem, que quer me possuir de todas as maneiras, e agora ele diz que hoje, esta noite, vou me casar com ele. Um furacão de emoções me abala por dentro; meu coração e minha respiração ficam fora de controle. Não é o futuro que imaginei. Nem remotamente. Delmom provavelmente viu mais em meus olhos do que eu queria mostrar. Suas bochechas tensas e suas veias à mostra. Sua mão no meu pescoço aperta por um instante, intensificando seu controle e me forçando a prender a respiração. O ar entre nós ficou tenso, mas de repente ele rompeu o contato e foi embora, transformando-se em uma rocha fria e implacável. — Suas coisas estão no armário. Não saia assim de novo, se você não quer que meus homens acabem sem olhos — a voz dele era gélida, sem nenhum traço de piada ou exagero. Você está realmente disposto a cegar aqueles que me veem nesse estado? Como é que passei tão depressa de objeto para alguém que ele está pronto a magoar? Eu não entendo. — Não há minhas coisas aqui — digo baixinho, tentando manter a calma. — Sim, há — ele responde secamente, encerrando o assunto. Seu tom não permite resposta. — A partir de hoje, observe como você se veste fora do nosso quarto. Mesmo nos dias em que é só ele e o cozinheiro — suas palavras soam em ordem. — Quando eu não estiver lá, sempre haverá alguém meu com você. — Para que ele não escape? — Não posso deixar de perguntar, embora saiba que ele vai considerar isso uma provocação. — Então você não tem problemas — ele corrige, franzindo a testa, olhando para mim como se estivesse medindo minha paciência. Ele não gosta das minhas perguntas bobas, mas se eu não as fizer, vou parar de entender e controlar algo na minha vida. — Você se importa? — Pergunto novamente, tentando esconder o tremor na minha voz. Desta vez, Delmom não responde. De repente, atrás de mim, soam passos. Quero me virar para ver quem ele é, mas sua mão firme em meu ombro me impede de fazer isso. Seu toque é dominante e me paralisa. — Delmom, a costureira chegou — relata uma voz masculina neutra que não reconheço. — Bem, deixe-o esperar na sala — ele ordena. O homem vai-se embora, deixando-nos em paz. Continuo sentada, sentindo o peso da mão dele no meu ombro. — Ir. Você não tem muito tempo — ele diz calmamente, mas suas palavras fazem meu coração disparar. Levanto-me e, apesar de mim, olho para ele. Seus olhos me perfuram, fazendo-me sentir minúsculo, e minhas pernas enfraquecem. Arrependido, viro-me e subo as escadas correndo. A realidade me esmaga: hoje me tornarei esposa de um homem que só conheço pelo nome… e por ser perigoso e implacável. ‍ ‍
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