CAPITULO 6

1581 Words
Assim que a costureira chegou com uma dúzia de vestidos de noiva, um verdadeiro caos começou. Eles não me deixaram em paz, me transformando em uma boneca perfeita para que eu não envergonhasse o poderoso Delmom. Pelo menos foi assim que me senti. A costureira tirou minhas medidas e anunciou que meu novo guarda-roupa chegaria em breve. Fiquei surpresa ao encontrar algumas roupas femininas no armário, ocupadas principalmente por suas roupas. Quando vesti um manto de seda, observei os especialistas transformarem não apenas minha aparência em algo bonito — que nunca me considerei feio —, mas em algo mais adulto. Não pude deixar de me perguntar: Delmom não gosta da minha juventude? Então por que você está me mantendo? Finalmente pronta, vestida com um vestido de renda branca que abraçava meu corpo e com uma saia larga como o r**o de uma sereia, me senti estranha. Meu cabelo escuro estava preso em um coque elegante, e um véu caía sobre meus ombros. Nervosa, estava mexendo meus dedos tentando controlar minha ansiedade quando bateram na porta. Fiquei surpresa: eu estava sozinha há algum tempo. Respirei fundo e permiti a entrada — como isso soou estranho: um prisioneiro que pode decidir quem entra A porta abriu-se e apareceu aquele homem que me trouxe comida na primeira noite. Prendi a respiração e fiquei tensa, ele não entrou, mas olhou para mim com um olhar frio e calculista. — Meu nome é Kael e serei sua guarda-costas, Natalia. Se você estiver pronta, precisamos ir. Delmom não gosta de ficar esperando — disse ele em um suspiro comedido, como se economizasse palavras e tempo. Eu franzi a testa. Lembrei-me da voz dele: foi ele quem avisou da chegada da costureira. Delmom me designou para esse homem. acenei em silêncio, não querendo falar com alguém que me intimidasse tanto quanto todos os outros aqui. Respirei fundo e fui embora. Kael manteve uma distância de três passos enquanto avançava com dificuldade naquele vestido desconfortável, cuja saia era uma tortura. Quando cheguei às escadas tentei consertar o tecido, mas fiquei surpreso quando Kael se agachou ao meu lado e levantou o vestido. Um suor frio percorreu minha pele. — Você não deve ter medo de mim. Nunca lhe darei uma razão para isso — disse ele, lendo meu status sem erros. Engoli em seco e olhei para ele. Ele se endireitou, olhando fixamente e segurando a saia. — Por quê? — Perguntei com uma voz trêmula, esperando sua resposta a cada batida do coração. — Porque você é a esposa do chefe. Você é intocável. Estou aqui para proteger você — Ele respondeu com tanta confiança e serenidade que não pude deixar de sentir um calafrio percorrendo meu corpo. Aceno com a cabeça e começo a descer as escadas. Saio de casa e olho para trás novamente. Escapar daqui parece impossível. E assim é. Com a ajuda de Kael, sento-me num carro preto com vidros escuros; Saímos da propriedade, escoltados por mais dois veículos. Isso me deixa tenso. Por que tanta segurança? Eles têm tanto medo que ele tente fugir? — Por que tanta proteção? — Ouso perguntar a Kael, ciente de que terei que contatá-lo mais cedo ou mais tarde. Além disso, tenho a impressão de que, aconteça o que acontecer, ele não vai me machucar. Kael olha para mim brevemente, enquanto o motorista finge não ouvir. Seus olhos se estreitam, como se ele não entendesse por que pergunto isso. — E para que serve a segurança? Piscar. — Para nos proteger... — Eu respondo. — Essa é a resposta à sua pergunta. — Não estamos seguros? — Pergunto, sentindo o medo começar a se infiltrar. Kael suspira profundamente e olha pela janela. Então, como se estivesse tomando uma decisão, ele saca uma arma. Continuo paralisado. — Nós somos perigosos, garota, se você ainda não entendeu — ele diz, sem olhar para mim, segurando a arma. — E esse joguinho que pode explodir seu cérebro em um segundo está disponível para qualquer um para quem a morte de qualquer pessoa ligada a nós seja conveniente. Agora você está vinculado. Então sim, você está em perigo. E você não deve se afastar de mim ou de Delmom, a menos que queira outra bala no seu corpo. Suas palavras soam calmas, quase casuais, o que só aumenta meu horror. Não respiro, grudado no encosto do assento, sangue escorrendo do meu rosto. Kael se vira para mim e algo em minha expressão parece satisfazê-lo. Ele guarda a arma sem mudar seu rosto frio. Continuamos em silêncio. Caramba, já não quero falar com ele. Respiro fundo, fixando meu olhar vazio na janela. Deus, vou me casar com um bandido? Para onde eu fui? Não me inscrevi para um thriller infernal. Chegamos a um grande edifício iluminado. Todo o perímetro e entradas são guardados por homens de preto. Um arrepio percorre meu corpo quando ouço Kael dizer no rádio que chegamos. Então ele sai do carro e abre a porta para mim. Respiro fundo, minha cabeça está girando e sinto náuseas, mas preciso sair. Saio de costas retas, tentando parecer calmo, e avanço em direção à entrada. Quase tropeço quando as enormes portas se abrem e Delmom aparece. Como um anjo n***o. Seu casaco preto esvoaça a cada passo, e seu olhar firme faz com que tudo dentro de mim congele e depois exploda. Eu paro. Demom encurta a distância entre nós em cinco batidas do meu coração. Seu olhar possessivo percorre meu corpo, fazendo minhas bochechas ficarem vermelhas. Então, com um gesto confiante, como se eu tivesse feito isso mil vezes, ele segura minha mão com firmeza, me forçando a me aproximar dele quase perto dele. — Vamos— ele diz, lançando um rápido olhar para Kael enquanto me leva para dentro. Eu instintivamente me apoio nele quando passo pelos homens que guardam as portas de ambos os lados. Respiro fundo e, quando chego à escada, tropeço e paro. Delmom aperta mais a cintura em volta de mim e eu prendo a respiração enquanto nossos olhares se cruzam. — Algo acontece? — ele pergunta com uma voz metálica. — Fico desconfortável em andar rápido com esse vestido — Eu sussurro para ele. Ele franze a testa, olha para meu vestido e, com um movimento que me tira o fôlego, coloca o braço sob meus joelhos e me levanta em seus braços. Só consigo me agarrar ao pescoço dele, com os olhos bem abertos, enquanto admiro sua bochecha barbada. Ele olha para frente, com passos firmes, enquanto Kael nos segue de perto. Em poucos minutos chegamos a uma sala com vários guardas e um homem que parece ser o oficial de busca, nervoso, mas tentando escondê-lo. Ernest me coloca na frente daquele homem, enquanto Kael se posiciona dois passos ao meu lado. Estamos cercados. — Início — Delmom ordena com uma voz áspera. O homem acena com a cabeça e tudo acontece como num filme. Meu cérebro atordoado ainda não consegue processar que em breve serei a esposa daquele homem. Deus... Ouço uma voz masculina trêmula e me viro para ela. — Isso? —perguntou. O policial engole e rapidamente enxuga o suor da testa. — Você concorda em se casar com Delmom Salvatore? — ele pergunta nervosamente, sorrindo apenas com os lábios. Continuo paralisada, como se o tempo estivesse congelando. Sigo seu olhar e minhas batidas do coração pesam cada vez mais. Delmom aperta minha mão com força enquanto me olha nos olhos. — Eu aceito — Eu respondo com uma voz que não parece minha. Ouve-se um suspiro ao lado. O homem então faz a mesma pergunta a Delmom. — Sim — responda com firmeza. Sem perceber, vejo uma aliança de casamento nas mãos dele. Olho para baixo, fixo em seus dedos ásperos que magistralmente colocam aquela linda e muito cara aliança de casamento em meu dedo. Ele mesmo coloca seu anel, mais simples, mas igualmente valioso. O homem desliza os documentos sobre a mesa e Delmom, inclinando-se, assina. Então ele me oferece a caneta. Eu olhou para ela por segundos, tremendo, antes de assinar sem jeito. A caneta cai na mesa com um golpe forte e eu me endireito, respirando com força. — ...você pode beijar a esposa — a voz ressoa. Olho lentamente para Delmom. Ele dá um passo e, colocando o pescoço em volta de mim, me beija com força. Estremeço e apoio minha mão em seu peito largo, que sobe e desce com minha respiração. Sem perceber, fecho os olhos e retribuo aquele beijo duro e exigente. Parecia que nada poderia nos parar... exceto uma coisa. De repente, um rugido corta o ar e uma mão grande agarra minha cintura com força, me derrubando no chão. Grito de dor na região lombar, permaneço imóvel, apoiado no corpo do homem que me cobre. É difícil para mim respirar entre a confusão, os gritos e um cheiro penetrante de metal. Tudo fica tenso dentro de mim e minha visão está cheia de flashes. Delmom se afasta um pouco, mas apenas para alcançar atrás dele. Observo seus movimentos com olhos arregalados. Na mão dele há uma arma. Estremeço ao ouvir o tiro alto, mas fico paralisado ao ver uma mancha escura em seu antebraço, infiltrando-se no tecido de sua camisa preta. Ele olhou para mim, ofegante ao ver o sangue manchando meu sutiã branco. Meus olhos se arregalam, um caroço se forma em minha garganta e o cheiro metálico agudo junto com o barulho dos tiros me deixa inconsciente.
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