CAPITULO 7

1538 Words
Abro os olhos lentamente, semicerrando-os por causa do zumbido nos ouvidos. Logo percebo que não estou me movendo sozinha; estou sendo levada em um carro. Viro a cabeça e foco nas mãos tatuadas que seguram o volante e um homem atrás dele. Em uma das mãos, ele segura uma arma. Dou uma olhada no meu corpo, mas logo desvio o olhar, me forçando a evitar a visão do sangue. Uma forte náusea sobe pela minha garganta, e o movimento do carro e o cheiro metálico só pioram meu desconforto. — Você está acordada?— A voz grave de Delmom me atinge, um toque de preocupação que m*l consigo ouvir por causa do zumbido. Então suas palavras me enchem de dúvida. "Perdemos a consciência?" Minha boca se abre em descrença. — Nem isso consigo fazer sem a sua permissão?— Respondo fracamente, fechando os olhos com força. — Você não consegue, droga — ele rosna. — Agradeça por eu estar aqui e você não ter sido esmagada como um inseto. — Se você não estivesse na minha vida, eu nem estaria nessa situação, retruco. — Você está indo longe demais, ele bufa, me lançando um olhar severo. — Eu desmaiei por causa do seu perfume. Não aguentei o cheiro e caí, confesso, ofegante. — Não te incomodava antes, Delmom repete, secamente. — Tenho pavor… de sangue, sussurro. — Em que enrascada eu me meti?, ele murmura, praguejando novamente. — Ninguém te obrigou a fazer isso. Você ainda pode cancelar e me deixar ir, digo a ele. — É melhor você calar a boca, Natalia, ele ruge, prestes a explodir. Fico sem palavras, sentindo sua fúria chegar ao limite, enquanto me sinto ainda pior e sei que minhas palavras estão me levando ao desastre. Finalmente, o carro para. No instante em que me sento, a porta se abre, eu pulo para fora e caio de joelhos, vomitando tudo. Tremo e luto contra o enjoo enquanto meu corpo se contorce. De repente, uma mão quente e forte repousa em meu pescoço, removendo o véu que havia escorregado. Sinto Delmom ao meu lado, me segurando em silêncio. Quando a náusea diminui um pouco, respiro fundo, percebendo que vomitei no gramado impecavelmente cuidado. — Desculpe... sussurro, limpando a boca e sentindo o gosto e o cheiro desagradáveis. Mas não sinto mais vontade de vomitar e me sinto um pouco melhor. — Não se desculpe. — ouço sua voz acima de mim. No instante seguinte, ele me levanta nos braços. — Mas eu estraguei o gramado... —Tudo bem, resmunga Delmom, me carregando de volta para dentro de casa. Antes que eu possa pedir para ir ao banheiro, ele me leva direto para lá. Ele me ajuda a levantar devagar. Nossos olhares se encontram; Seu olhar é tenso, mas não raivoso. O meu, certamente, é de exaustão. Meus olhos descem e noto o sangue em seu antebraço novamente. A náusea me invade mais uma vez, e me inclino sobre a pia. — Vou te deixar sozinha... diz Delmom antes de sair. Não me incomoda que ele vá embora. Sei que ele está ferido, mas se ainda está vivo, o ferimento não é fatal. Se eu continuar encarando o sangue, morrerei antes. A água fria me desperta. Agora só ouço o som da água, não o zumbido nos meus ouvidos. Fecho a torneira e olho para o espelho. Engulo em seco e verifico o nível da água onde as manchas vermelhas desapareceram. De repente, arranco meu véu e o jogo no chão. Começo a me despir aos trancos e barrancos. Minhas mãos tremem demais, ou talvez o vestido seja complicado demais para eu vestir sozinha. Soluços nervosos escapam do meu peito. Minhas mãos doem, mas não consigo ficar com esse vestido. As lágrimas brotam e não consigo contê-las. Meu corpo treme; minhas mãos escorregam, incapazes de alcançar os botões. Exausta, começo a rasgar o tecido com força. De repente, a porta do banheiro se abre e Delmom entra. Ele me observa rapidamente, notando minhas mãos e meu rosto banhado em lágrimas. — Natalia, ele diz suavemente, aproximando-se. — Me ajude... imploro fracamente. Não importa que tudo isso seja por ele; se não fosse por ele, nada disso teria acontecido. Seu rosto endurece. Com um único movimento, ele saca uma faca e fica atrás de mim. Ele segura minhas mãos com cuidado e as afasta. Tremendo, obedeço enquanto ele corta o tecido do vestido sem tocar minha pele. Estremeço ao sentir a renda se soltar do meu corpo. —Tira isso... soluço, tentando arrancar o tecido restante, quase impossível sem a ajuda dele. Em menos de vinte segundos, o vestido está no chão. Abro os olhos, aliviada por poder respirar melhor, e nesse instante vejo os olhos escuros e famintos de Delmom me encarando no espelho. Estremeço, e só depois de um minuto percebo que estou vestindo apenas uma calcinha delicada e grampos de cabelo. O sangue do meu rosto pálido sobe de repente, deixando minha pele com um vermelho intenso. Os m*****s endurecem, seja pelo frio, seja por aquele olhar masculino e penetrante que desliza sobre meu corpo sem nenhum obstáculo. Soltei um grito e rapidamente cobri meu peito com a mão. Mas só consigo cobrir os m*****s. E parece que isso não muda mais nada. Ele olhou para eles por tanto tempo que agora os verá até mesmo através de suas roupas. Os olhos azuis escuros se erguem até encontrarem os meus, bem abertos. E só então percebo que o torso do homem está nu e que há um grande curativo em seu antebraço. Seus músculos cobertos de tinta estão tensos e seu peito sobe com respiração pesada. Quase em pânico, aperto minha mão com mais força contra meu peito e, sem tirar os olhos dele, digo em voz baixa: — Desvia o olhar... — sussurra, m*l conseguindo conter o tremor. — Porque? — Delmom levanta uma sobrancelha e de repente dá um passo em minha direção. Seu peito sólido gruda nas minhas costas e um choque percorre meu corpo. Minha pele se enche de calafrios, e fico sem ar quando seus braços são colocados em ambos os lados de mim, como se fechassem todas as rotas de fuga possíveis. Mas mesmo se eu quisesse, minhas pernas não me obedeceriam. Não consigo dar um único passo. — Diga-me pelo menos uma razão pela qual não olho para o corpo da minha própria esposa — Sua voz soa baixa, como um trovão surdo, e perfura minha alma. — Sua falta de desejo? — m*l posso dizer, sentindo o sangue batendo nas têmporas. — Ah, é? — ele sussurra com aquela voz profunda, inclinando-se em direção ao meu ouvido. Seu olhar não está separado do meu reflexo no espelho. — Você disse que não me forçaria... — E eu não vou —ele diz calmamente, mas o tom me dá arrepios— Não me retiro as palavras. Mas eu não prometi que seria cego e mudo. Fico parada, sentindo seu hálito quente roçar meu pescoço. — E já que estamos nisso — continua—, não tirarei sua virgindade sem seu consentimento. Mas... — de repente ele se inclina ainda mais, sussurrando para mim tão perto que sua voz queima—. Eu nunca disse que não conseguiria fazer... isso. Seus lábios roçam cuidadosamente meu pescoço, deixando um rastro de queimação. E de repente a mão de Delmom, que até então repousava sobre a superfície de cerâmica, repousa firmemente sobre minha cintura. Inalo ar pela boca, tentando controlar a onda de emoções que me cobre completamente. Minha respiração para e, quando sua palma adornada com tinta começa a subir lentamente, meu coração para e então explode em um ritmo selvagem. Seu polegar toca a parte inferior do meu peito, exatamente onde meu coração bate loucamente. Meu peito sobe e desce rápido, rápido demais para ele acreditar que não sinto nada. Sinto muito mais do que deveria. Para este homem eu sou um livro aberto. Eu engulo convulsivamente quando ele com certeza desliza a mão sob meu cotovelo. Ele consegue isso facilmente. Em segundos, a ponta áspera do dedo dele toca minha pequena ponta endurecida, que se transforma em pedra ao entrar em contato. Um gemido escapa dos meus lábios, que sufoco rapidamente, mordendo meu lábio. Meu corpo pulsa em suas mãos como cera derretida, cedendo a cada movimento seu. — Que sensível... — Delmom sussurra, guturalmente, sem tirar os olhos dos meus olhos. Seus lábios secos roçam a borda da minha orelha e, inesperadamente, a arranham com os dentes, provocando outro gemido meu que se mistura com sua expiração pesada — E tão inacessível... Fico em silêncio, incapaz de pronunciar uma única palavra. Meus braços me falham e sinto que vou cair, mas suas palavras me mantêm naquele limite entre a realidade e o abismo. De repente, quando menos espero, Delmom se afasta abruptamente. Seu calor desaparece e tenho que me segurar na pia com uma mão para não perder o equilíbrio. Com os olhos nublados vejo-o dar um passo atrás, mantendo distância, como se fosse obrigado a parar à força. Mas você não precisa. Podes fazer comigo o que quiseres. Ele sabe disso. Eu sei. Ele quer isso. Mas por alguma razão, isso não acontece.
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