CAPÍTULO 12

1119 Words
Abro os olhos, apertando os olhos na luz brilhante da manhã. Os pensamentos, assim como o corpo, permanecem adormecidos. Depois de alguns minutos, ainda saio da cama, sento-me e deixo meus pés caírem no agradável frescor do chão. Olho para o meu próprio corpo. Uma camiseta escura que m*l cobre a parte superior das coxas e calcinhas de ontem. Eu franzo a testa. Uma após a outra, as imagens da noite passada retornam. Olho para o pé enfaixado com mais clareza. Eu diria até com choque. De repente fico vermelhA e aperto minhas coxas. Deus... Ele... E eu... Levanto-me de repente e corro para banheiro. A calcinha está molhada e eu também... Oh meu Deus... Tiro a camisa que não é minha, mas ainda inalo o cheiro do sabão em pó por um segundo, percebendo que não é nova. Delmom me deu algo dele. Eu respiro forte, jogo as roupas na cesta e entro no chuveiro. No quarto retiro o curativo e, quase sem olhar para a ferida, desinfeto-a rapidamente e cubro-a com um curativo. Eu me repreendo pela minha falta de jeito e... por ter cedido a ele? Não consigo parar de morder o lábio, lembrando-me do que isso me fez sentir. Mil vezes mais intenso do que quando estou sozinha. Mesmo quando eu imaginava. A realidade superou todas as expectativas. Expiro com dificuldade, aceitando minha derrota. Nunca lidei com homens, e muito menos com homens que conseguem subjugar com um único olhar. É justo me punir pela minha fraqueza diante dele? Quando meu coração finalmente retorna ao ritmo habitual, coloco um vestido preto curto e baixo. Ouço barulho e entendo que Maria, a governanta e cozinheira, já terá preparado a comida. Quando me viro para a sala de jantar, ao lado da cozinha, já quero dizer olá, mas as palavras ficam presas na minha garganta. Olho para Delmom, em choque. Ele está verificando algo em um tablet, sentado com uma camiseta preta com decote em V, tomando café. Maria, naquele momento, pega os pratos que acabou de comer. Ele olha para mim, afastando-se da tela. E nesse momento o coração sai do ritmo novamente. Meu peito fica pesado só de me envolver naquela onda quente de atenção dele. — Por que você ainda está aqui? — A voz dele parece despreocupada. Eu respiro ar, minhas bochechas brilham e olho para o relógio. Não, não me levantei cedo. É Delmom que, por algum motivo, ainda não... Para onde ele vai o dia todo? — Bom dia — Ignoro sua pergunta e, reunindo paciência, sento-me do outro lado da mesa. E é como voltar ao dia do começo, quando nos sentamos assim pela primeira vez e, como eu pensava naquela momento, pela última vez. Eu menti. Mas porquê hoje? Duas semanas seguidas ele estava saindo antes de eu me levantar, e agora ele ficou e, ao que parece, nem planeja sair. — Bom apetite — diz Maria, colocando um prato cheios de coisas diante de mim. — Obrigado — aceno para aquela mulher gentil. Desde o primeiro dia fiquei surpresa com a forma como alguém tão inteligente trabalha aqui. E ela nem tem medo de Delmom ou dos outros homens. E eu mesmo notei que com ela eles conversam como se fossem uma mãe ou uma tia... Ignorando Delmom de propósito, começo a comer. —Você dormiu bem? — ele pergunta de repente, assim que termino o prato principal e tomo um gole de café. Quase engasguei com a surpresa. Olho para ele e limpo a boca com o guardanapo, dando-me alguns segundos. — Sim — respondo brevemente. Por que essa pergunta? Em duas semanas ele não estava mais interessado e agora, de repente, está. — E o pé? Vejo que você conseguiu curar isso sozinha — Delmom continua, sem tirar de mim aquele olhar atento que continuo ignorando, cuidando de um croissant. — O pé está melhor. Só porque tenho medo de sangue não significa que eu seja inútil. Posso curar um simples arranhão — digo depois de mastigar e engolir — Obrigado por me fazer companhia no café da manhã, Delmom — acrescento, levantando-se e afastando-se do olhar pesado em direção à cozinha para largar a xícara — Obrigado, Maria. Estava tudo muito delicioso. — Estou feliz — ela responde com um sorriso. Mas de repente seu olhar se volta para cima de mim. — Maria, verifique os potes no segundo andar — A voz de Delmom é ouvida atrás de mim. Uma avalanche de calafrios percorre minha pele e eu fico tenso. Maria acena com a cabeça e, quando termina na cozinha, passa rapidamente por nós. Vou atrás dela, mas m*l dou um passo para o lado, braços fortes apertam minha cintura, não me deixam mexer e me prendem a um peito poderoso. Engulo com dificuldade. — Solte-me — Eu digo, e ainda assim minha voz treme. Sinto-o inclinar-se para mim, queimando meu pescoço com seu hálito quente. — A maneira como você pronuncia meu nome me afeta de uma forma estranha — a voz dele, baixa e profunda, soa sobre mim e fica profundamente dentro de mim — Principalmente como você grita... Meu coração me bate na garganta. Abro a boca e solto um gemido enquanto ele me vira e, um segundo depois, me senta na mesa. A mesma mesa. A mesma postura. O mesmo olhar. Deus... Olho nos olhos dele, mais brilhantes do que nunca. Suas mãos grandes e ásperas repousam sobre a pele nua das minhas coxas. A saia curta do vestido sobe, revelando mais do que é decente. Mas com ele isso não existe. Um tremor percorre-me por causa do seu contacto, por causa da sua proximidade. ‍ ‍“Você gostou, não negue”, diz Delmom, como se lesse meus pensamentos. — Meu corpo gosta disso. Mas não na minha cabeça... Você não me dá escolha em nada. Nem na escolha de um homem, nem na decisão de quem deixo me tocar. Você apenas pega o que você acha que pertence a você. — E você não me pertence? Você é minha do topo da cabeça aos calcanhares. Ninguém. Você está me ouvindo? “Ninguém tem direito sobre você”, ele ruge na minha cara. Vejo como seus olhos ardem de raiva, como a veia de sua têmpora lateja de tensão. Meu corpo treme quando suas palmas caem sobre minhas nádegas, cobertas por rendas finas. Mas com enorme esforço não desvio o olhar para dizer o seguinte. — Mesmo que todo o meu corpo e a minha vida pertençam a você, isso — coloco um dedo sobre o coração— nunca será seu. E isso vale cem vezes mais do que cada célula do meu corpo, que será sua.
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