Júlia não pensou. Não respirou fundo. Não buscou o refúgio da lógica que costumava usar para sobreviver aos dias na Villaça Corp. Ela apenas foi. A notícia do noivado oficial já corria pelos corredores como um rastro de pólvora — não por mensagens de e-mail, mas por sussurros, olhares e o silêncio pesado que se formava toda vez que ela passava. "Pedro e Helena". As palavras martelavam em sua têmpora, um mantra de traição que agora tinha forma e nome. Ele tinha escolhido. E, no fim das contas, a escolha nunca fora ela. O corredor parecia estender-se ao infinito, cada passo dado sobre o carpete cinza ecoando como uma sentença. Quando parou diante da porta da presidência, Júlia teve um milésimo de segundo para recuar. Não o fez. A porta abriu-se com violência, sem aviso, rompendo o santuári

