Os dias que se seguiram ao anúncio do noivado não foram preenchidos pelo caos que Júlia imaginara. Ela esperava uma dor lancinante, daquelas que dobram o corpo ao meio e impedem de respirar. Esperava uma saudade corrosiva e aquela sensação de vazio constante que costuma acompanhar as rupturas definitivas. Mas o que veio foi algo muito mais perturbador: o silêncio absoluto. Pedro Villaça não a procurou. Não houve chamadas à meia-noite, não houve olhares carregados de promessas não ditas nos corredores, nem a tensão elétrica que costumava eletrificar o ar sempre que ele passava por sua mesa. Ele existia, é claro, mas a uma distância. Tornara-se o CEO impecável, o profissional irretocável que atravessava os ambientes como se nunca tivesse cruzado um único limite com ela. Ele agia como se Júl

