O grito de Aurora ecoou como uma ruptura no tempo. Na vida passada, aquele mesmo som não existira — ninguém reagira, ninguém acreditara que o perigo fosse real até ser tarde demais. Desta vez, o eco do aviso dela se espalhou antes que o destino pudesse repetir a própria tragédia. Em outra época, todos haviam ficado parados, olhando a porta como se esperassem uma explicação lógica. Alguns acharam que era um competidor tentando assustar os ômegas. Outros acreditaram que os instrutores estavam testando a coragem deles. Ninguém quis ser o primeiro a correr, ninguém quis parecer covarde diante das câmeras. E foi exatamente essa hesitação que custara tantas vidas. Agora era diferente. O som do tranco veio como um trovão. A porta explodiu em estilhaços de ferro, a madeira se partindo em peda

