POV. Dante A cela estava mergulhada num silêncio estranho, desses que incomodam mais do que qualquer ruído. O vento que entrava pelas frestas trazia o cheiro frio da madrugada, e a pedra sob o colchão parecia ainda mais dura. Eu devia dormir, mas o corpo não obedecia. A cabeça estava cheia dela. “Vai até ela.” A voz de Mael veio baixa, carregada de impaciência. — Cansa, Mael. Já deu. — Passei a mão pelo rosto, tentando afastar o cansaço. “Ela está viva, mas você ainda age como se não importasse.” — Não importa. “Mentira.” Revirei os olhos, virei de lado e fechei as pálpebras com força. Queria o silêncio. Queria o vazio. Mas o nome dela continuava latejando por trás das têmporas, pulsando junto ao sangue. Aurora. A imagem dela coberta de luz, o olhar furioso e assustado, o corpo se

