Soluthur, ano 1990
Na Mansão
Chloé estava determinada encontrar a tão misteriosa chave que abriria a caixa; lá, poderia conter informações sobre os Ruschels.
Chloé começava acreditar que a voz que ouvia claramente não era fruto de sua imaginação, havia pistas reais. Ela descobriu que o nome Isabellle realmente existiu; que ela havia escutado antes mesmo de chegar a Soluthur através da voz do Giocondo. Chegara imaginar que pudera ter sido uma espécie de biografia psicológica, na qual havia lido em alguma parte e guardado no subconsciente, era tudo pertubador. Não se lembrava de ter ouvido falar das histórias do Cantão de Soluthurn, mas tinha sonhos recorrentes com o número 11.
O próximo passo seria perguntar aos Meyes sobre sua espiritualidade. Chloé passou a manhã sozinha, enquanto Amelie estava na cozinha com sua prima nas tarefas domésticas. Então, ela decidiu procurar a chave na biblioteca; havia estado lá algumas vezes, mas não procurando por um objeto tão pequeno. Chloé subiu as escadas para encontrar vestígios de um passado esquecido, ela gira a maçaneta da pesada porta da biblioteca em forma de uma cabeça de leão na cor bronze, respira fundo e entra.
-Meu Deus. Ajude-me a encontrar essa bendita chave. -Ela procura nas gavetas de uma mesa, mas não está lá. —Aonde eu me esconderia se fosse uma chave? Justamente quando preciso de uma pista, a voz não aparece! Ei, Giocondo,você está aqui? - Chloé pergunta à voz. - ela não escuta nada.— Pelo visto não terei resposta, mas vou continuar procurando.
Chloé examinou a maioria dos livros que estavam ao seu alcance. Havia muitas prateleiras e muitos estavam bem acima, no topo. Ela se sentou e pensou um pouco... olhou para a caixa com desânimo mas sentiu uma brisa soprando no lado esquerdo de seu rosto. Chloé segue seu instinto e olha para o lado vendo uma pequena imagem da Catedral de São Urso feita em Cristal. Ela percebe que as portas do pequeno objeto podiam ser abertas. Para seu espanto, dentro havia um molho de chaves
tamanhos diferentes.
-Graças a Deus! Algumas dessas chaves devem abrir a caixa. -ela olha para o céu em forma de agradecimento.
Chloé tinha em suas mãos algo que não lhe pertencia e, ao mesmo tempo, seria como voltar no tempo. Será que ela e Isabellle tinham algo em comum com o passado? Isso a confundia porque não entendia o relacionamento da vida após a morte; ou voltar em outro corpo com características diferentes, mas com a sensação de ter vivido algumas situações semelhantes.
Chloé precisava pôr um fim a essa angústia que não a deixava em paz. Ela procuraria os Meyes assim que pudesse.
-Bem, deixe-me ver o que há aqui de uma vez! Espero que uma dessas chaves possa abrir. -Chloé começa a testar uma por uma: —Esta aqui ....mas que droga, não abre; vou tentar esta... também não cabe... acho que é a menorzinha.... uau, que emocionante, está aberta- ela acaricia os dedos como estivera pronta para provar um doce.— Vamos ver o que temos aqui. Hum...acho que são algumas cartas, há pequenos envelopes lacrados. Preciso abri-los. Terei alguma pista para desvendar o mistério desse fantasminha?
Chloé estava prestes a levar o maior susto de sua vida.
Ela olhou para uma carta endereçada à Itália em 1878 para Isabelle Marrie Du Boise. O rosto de Chloé estava ardendo.... ela apertou a carta contra o peito,sentiu receio ao abrir e ler o conteúdo, isso à assustaria mesmo sem saber o motivo; mas não conseguiu conter sua curiosidade e rapidamente Começou a ler...
[Meu raio de sol,
Gostaria de saber como se sente sozinha na casa de sua prima. É a primeira vez que estamos tão distantes! Sabemos que foi necessário silenciar a linguagem que criou esse falatório m*****o. Cuide-se meu amor; as coisas não andam muito bem por aqui, meu pai está piorando a cada dia. Acho que você não conseguiria suportar essa angústia por muito tempo estando aqui ao meu lado. Não quero preocupá-la, mas fizemos um trato de não ocultar nada um do outro. Houve situações desagradáveis na fábrica. Temo por minha posição como presidente. Mesmo sendo herdeiro temos um conselho; sem meu pai ao meu lado, não serei suficiente. Pense em mim e tenha nosso amor em suas orações. Quando puder, me responda. Eu amo você, meu sol. "
Giocondo Ruschel]
As lágrimas da Chloé rolaram por seu rosto. Era como se a carta estivesse endereçada a ela. Essas palavras não lhe pareceram estranha. Ela sentiu seu peito se encher de amor. Nunca havia experimentado esse sentimento antes por alguém. Chloé estava sozinha, sem namorado; como poderia sentir a saudade e o amor batendo em seu peito neste momento. Então, ela decidiu deixar as cartas de lado para não se emocionar demais e foi abrir outro envelope.
-Céus, por que estou tão emotiva? Vou abrir esse envelope cor de rosa, tudo era tão delicado! Nossa, são fotografias.
Chloé parecia reviver aquele dia, quando olhou a foto de um grupo de jovens, numa grande sala.
— Que belos jovens, que roupas lindas! É uma pena que as fotos na época eram em preto e branco. As senhoras com seus trajes super elegantes.
Olhando para a próxima foto, viu Evril ao lado de Charlotte, Nikläus e Henrico; sentiu uma alegria inexplicável em seu peito. — Esse casal devem ter sido namorados, - ela fala sorrindo.
As fotos seguintes eram de uma senhora ao lado de outras jovens que pareciam tocar instrumentos numa pequena orquestra improvisada. Chloé vira a foto e na inscrição dizia: Chá beneficente, Duquesa Genevieve.
Após ver algumas fotos de pessoas distintas, a penúltima foto fez com que ela tentasse se levantar da cadeira mas não conseguiu, suas pernas não respondiam ao comando.
- Que loucura é essa, que isso significa? São eles: Giocondo e Isabellle... Oh, meu Deus... Eu não estou bem. Preciso respirar!
Chloe se enxergou ali naquela fotografia antiga. Uma emoção a tomou por completo. Ela chorava enquanto passava os dedos sobre a foto de Giocondo. Era como fazer uma viagem de volta no tempo. Ela ficou ali mesmo, chorando baixinho abraçada à foto. Acabou adormecendo sentada, sendo despertada por Amelie.
-Chloé, está tudo bem? Por que você dormiu aqui?- Amelie vê as fotos espalhadas.— Você abriu a caixa!!
-Sim.
Eu à abri Amelie, confesso fiquei atônita com uma carta que li e com as fotos. Olhe para elas; sinceramente, não sei mais o que pensar! Serão só coincidências?- Chloé busca respostas olhando pra Amelie.— Os fatos são muito convincentes, entende? Como se eu estivesse revivendo minha vida no passado, só que minha cabeça não quer aceitar essa possibilidade. Como meu corpo pode voltar novamente? Não me lembro de nada; sinto que esta casa é muito agradável para mim, mas isso não significa que eu tenha vivido aqui. Tenho algumas sensações muito estranhas. Estou me sentindo perdida Amelie.
—Calma Chloé. Tudo a seu tempo. Beba esse chá que lhe trouxe. Vai relaxar.
—Obrigada Amelie, mas preciso ir para o meu quarto. Conversaremos mais tarde. Se você quiser, pode ir para sua casa com a Sofia, preciso refletir sobre o que vi nesta caixa. Explicarei minhas impressões a você em outro momento.
Chloé foi para seu quarto cheia de dúvidas. Deitou sentindo-se exausta desmaiando no sono novamente.