Após ter vivenciado emoções tão fortes ao ter visto as lembranças na caixa no dia anterior, Chloé desperta. Passava das 9:00h, havia dormido bastante, mas sentia seu corpo ainda pesado. Ela então decidi ir ao centro de pesquisa da mente, pedir orientação a Emma e Frederick, os diretores do centro.
Duas horas depois...
-Bem-vinda, Chloe! Você nos devia essa visita- disse Emma.
-Sim. É verdade. Estou sempre dizendo que apareço e acabo desaparecendo- risos—mas finalmente aqui estou.
- Então... O que você tem feito de bom?- Pergunta o Sr. Frederick.
-Na verdade, tenho pesquisado os Ruschels e outros membros da sociedade daquela época. Ao menos, ouvi muitas histórias sobre eles de uma senhora de mais de noventa anos, chama-se Ezra, vive na zona montanhês. Por sinal, ela me deu o vestido usado no baile por Isabellle.
-Maravilhoso, Chloé! Ele pertence a você agora, cuide bem dele. Gostaria muito de vê-lo quando puder. - disse Emma.
-Claro! Você verá como é lindo em riqueza de detalhes, um acabamento da alta costura.
—Mas então, o que mais você tem para nos contar?
-Sra. Emma, esse é um dos motivos pelo qual estou aqui. Tive fortes impressões estranhas ao tocar no vestido, algumas das fotos e cartas que li. Foi como se eu estivesse revendo meus próprios objetos; estou ficando louca, isso seria possível?
-Querida, não há nada de louco nisso. Eu vi em você, desde o primeiro momento que entrou naquela mansão, a personalidade de Isabellle. Eu sou uma sensitiva não se esqueça. O Frederick também me disse que havia uma sombra muito antiga ao seu lado precisando ser removida.
-Mas por que só agora está me contando isso? Eu poderia ter ficado doente com essa coisa atrás de mim?
-Chloé, calma. Não é nada que uma boa doutrina não resolva. É somente um espírito que ainda não descansou até descobrir quem o matou, ele é inofensivo; acha que está te protegendo de alguém.
- Senhora, quer dizer que o Giocondo é realmente a voz que me trouxe a este lugar querendo me proteger de uma coisa que nem existe? A Sra. ainda diz que é inofensivo um ser que me tirou do emprego??
-Mais ou menos isso Chloé, mas ele não tirou seu emprego, você mesma o perdeu por não ficar de boca fechada.- Emma lhe responde com muita exatidão.
—Eu não lhe disse nada antes, porque você precisava reconhecer primeiro que havia algo além do seu ceticismo; tanto que veio buscar ajuda por conta própria. Sabíamos de quem se tratava; Giocondo nunca saiu da mansão por está perdido.
-Eu Já ouvi falar de pessoas que morreram por causa dessas coisas. Estou com medo.
-Ninguém morre fora da hora. Esses espíritos que tiveram morte injustas ao seu parecer, ficam como que saudosos da vida; querem resgatar o mínimo que seja para sentirem felicidade. E até onde eu sei, você não teve nenhum problema na mansão. Por isso mandei à Amélie ficar como sua cozinheira, ela é uma garota esperta e sensível.
- Sim, não n**o que gosto muito dessa mansão. Às vezes penso que sempre vivi por lá. Com relação à Amélie, também me sinto bem com sua amizade e dedicação.
- Querida, então vamos ajudar o Giocondo? Ele precisa se comunicar; não podem continuar assim. Venha participar das palestras por um tempo até que ele entenda que na vida tudo tem um motivo para acontecer. Ninguém é totalmente vítima de nada. Todos nós somos capazes de cometer erros em algum momento.
-Tudo bem Sra. Emma, eu virei toda esta semana e trarei Amelie comigo.
Chloé se despede; ela saiu com um espírito calmo, mas ainda esperava desvendar todo o mistério que a levou a Soluthurn."
[...]
Como posso ser a Isabelle?- Chloé divaga em pensamento enquanto caminha até a Mansão.— Somos fisicamente tão diferentes, deu pra ver pela foto. Como o Giocondo me enxerga sendo ela? Sem contar que devo ser bem mais esperta, ativa e brigona; com certeza ela era uma mosca morta, num bom sentido, é claro! -Chloé olha ao redor como se alguém a escutasse, ela chega a mansão.
-AMELIE... Você está em casa? - após um breve silêncio —Acho que ela já foi. Bem, vou ver o que há para o almoço e depois lerei mais cartas, verei fotos. Quero saber tudo.
Chloé comeu sua salada grega com peito de peru defumado que era seu prato preferido. Após o almoço descansou por duas horas, fez um lanche; estava ansiosa para voltar àquela caixa. Foi para a biblioteca, a primeira coisa que encontrou foi uma carta com o nome de Catrina, estava fechada com um selo, mas esse nome não lhe parecera familiar como os outros. Decidiu não ler no momento, deixaria para o final.
-Hum, Catrina? Será que pertenceu a família Ruschel. É um nome desconhecido para mim até agora. Deixe-me ver outra pequena carta.... Oh! Que lindo bilhete. - era uma folha em papel de seda com rosas.
Aqui está escrito:
[ Meu amado Giocondo,
Não pude deixar de admirar como você estava elegante na tarde do chá beneficente; era o homem mais bonito de todos. Eu te amo para sempre!
Isabelle Marrie. ]
- Hahaha que garota romântica. Elogiar um homem nessa época, não era coisa de mosca morta não! Era sinal de personalidade forte.
Chloé olhava admirada para tudo o que havia na caixa. Encontrou
uma outra foto com dedicatória de Aleida Ruschel mencionando Catrina de Berna, sua dama de companhia.
—Ah, então essa Catrina é a mãe de Johhan, a carta que não li só pode ser dela. - Chloé olha para a carta da Catrina mas não abre.
—Depois verei o que há nesta carta endereçada a Anna.
Enquanto Chloé lia as outras cartas algo aconteceu na mesa. Os gatos Germain e Lara subiram e começaram a arranhar o ar como se quisessem pegar algo.
- O que há de errado com vocês, estão vendo alguma coisa ou só de olho em algum inseto? - Os gatos continuam agitados.
—Não tenho mais medo, seja lá quem tiver aqui tentando me assustar.- Germain e Lara saem da biblioteca.
— Então Giocondo, se quiser conversar comigo, essa é a hora. Amanhã não se esqueça que temos um compromisso. Você será meu convidado a juntar-se numa palestra. Não sei se sou sua Isabellle, mas gostaria de ter sido. Você parece ter sido um bom homem.
De repente um vento forte espalhou as cartas sobre a mesa deixando uma foto dos dois no piquenique. Não havia nenhuma janela aberta na biblioteca. Ele simplesmente mostrou a Chloé que a tinha escutado.
-Uau, isso foi... incrível! - ela se referiu as cartas voarem. — Bem, eu preciso entender algumas coisas do seu passado; se não se importa, peço-lhe que fique quietinho para que eu possa continuar.
Após meia hora vasculhando tudo, Chloé esquece de ler a carta endereçada a Anna, ela guarda a caixa.
Amelie ao telefone...
-Oi Amelie, sou eu. Você poderia me acompanhar na palestra amanhã?
-Sim, vou gostar muito. Faz semanas que não vou lá.
-Eu me sentirei melhor sabendo que você está comigo, obrigada.
-Até logo, Chloé!
Muitas surpresas viriam pela frente. A carta que Chloé não leu tinha pouca importância; mencionava apenas como estava sendo tratada pela sua senhora e sobre a suposta gravidez. Catrina ou seja "Berna", nem chegou a enviar essa carta. Mas adiante haveria uma uma outra; essa sim, continha o nome do pai do seu bebê.