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1231 Words
— Sim... mas é melhor você vim aqui.— o médico respondeu seriamente. — Tudo bem... Desliguei o telefone, pensando em como eu iria sair dali. Era o meu primeiro dia de trabalho, e se eu saísse poderia ser despedida. Era melhor eu ficar até o horário certo, afinal, eu não poderia me dar ao luxo de perder esse emprego. Terminei de arrumar as coisas com a mente nas nuvens, eu tentava disfarçar, mas meu coração estava apertado e minha mente estava em um turbilhão de pensamentos. Quando deu o horário, eu peguei minhas coisas e saí correndo para o hospital. Quando eu cheguei lá, um doutor estava a minha espera. — Você é a Louise Lee?— ele perguntou olhando para mim. — Sim... O médico era n***o e tinha um sorriso encantador. Ele estava com um jaleco branco, mas mesmo assim pude observar seus músculos bem marcados na roupa. Ele tinha os olhos escuros como breu, o que de alguma forma me trazia uma certa paz. — Muito bem, Louise. Sua mãe é a senhora Isadora, certo?— o doutor perguntou lendo uma planilha. Balancei a cabeça dizendo que sim, e ele continuou. — A senhora Isadora não tratou a diabetes corretamente, isso ocasionou complicações no quadro dela. A diabetes ocasionou ferimentos nos pés, que se tornaram úlceras. Ela terá que... amputar o pé direito, e alguns dedos do pé esquerdo.— o médico disse me olhando seriamente. Olhei para o médico sem acreditar no que eu estava ouvindo... amputar um dos pés? Isso deixaria mamãe desconsolada. — Não tem outro jeito doutor?— perguntei. — Infelizmente não... tentamos de todas as formas fazer os ferimentos do pé cicatrizarem, mas não foi possível. Teremos que amputar. Olhei mais uma vez para o médico, e senti meu mundo desabar. Tudo ficou ainda mais complicado... — Tudo bem, obrigada doutor.— disse suavemente, enquanto tentava segurar as lágrimas. O doutor se afastou, e eu olhei para o fim do corredor do hospital. O quarto de mamãe ficava lá, mas eu não tinha coragem de olhá-la nos olhos depois dessa notícia. Enfiei minha mão na bolsa, e peguei meu celular, logo liguei para a única pessoa que eu podia contar. — Alô? Liana? — Oi Lu... como foi o primeiro dia de trabalho?— Liana perguntou aparentemente entusiasmada. — Liana...— disse com a voz trêmula.— por favor, me ajuda, eu preciso de você. — O que houve Louise? Aonde você está?— Liana perguntou preocupada. — No hospital...— disse com os olhos lacrimejando. — Aconteceu alguma coisa com a sua mãe? — Liana... Tem como você vir me buscar?— perguntei. — É claro... já estou indo. Desliguei o telefone, e minha mente foi invadida por milhões de pensamentos. Como iria ser dali pra frente? Eu estava com medo... Saí do hospital, e fiquei do lado de fora esperando Liana. Já era noite na grande cidade de Nova York, e eu pude ver as estrelas no céu. A Lua minguante brilhava forte, naquela linda noite de verão. As estrelas eram tão lindas, que me faziam esquecer da dor que eu estava sentindo naquele momento. De repente ouvi a buzina de um carro, e minha atenção se voltou para um carro preto parado a alguns metros a minha frente. Eu andei até o carro e entrei, era o pai de Liana que estava dirigindo, e ela estava no banco da frente me encarando pelo retrovisor. — O que houve Louise?— ela perguntou. Comecei a chorar descontroladamente, e ela olhou para o pai que estava sem reação. Ela desceu do carro, e entrou no banco de trás para ficar ao meu lado. Logo ela me puxou e me abraçou, enquanto eu chorava. O pai dela então, deu partida no carro, que começou a andar nas movimentadas ruas de Nova York. O pai de Liana nos deixou na minha casa, e ela avisou que iria dormir comigo essa noite. Nós entramos, e Liana me levou para o sofá. Ela então sumiu por alguns instantes e voltou logo depois com uma xícara de chá. Ela me entregou a xícara e se sentou ao meu lado. — Lu... O que houve?— Liana perguntou me encarando. Tomei um gole do chá, e olhei para os olhos de Liana. — Minha mãe terá que amputar um dos pés... Liana olhou para mim sem reação, e depois abaixou a cabeça. — Eu sinto muito, Lu... — O que eu vou fazer Liana? Quando mamãe sair do hospital, como vou cuidar dela e ficar no trabalho? E o pior que ela nem sabe que eu saí da faculdade, quando ela souber, ela vai ficar desconsolada. Ela vai se culpar, Liana... O que eu faço?— perguntei com a voz trêmula e os olhos lacrimejando. — Calma Louise... você precisa descansar, não irá resolver nada assim. Tome um banho, e durma um pouco, até porque, amanhã você trabalha. Olhei para Liana, e ela tinha razão. Agora, mais do que nunca, eu não poderia perder esse emprego. — Tudo bem...— concordei. — Já jantou?— Liana perguntou gentilmente. — Ainda não. — Então vá tomar um banho, que eu vou preparar alguma coisa.— Liana disse me olhando suavemente. Dei um sorriso fraco para Liana e fui tomar um banho. Depois do banho, comi um sanduíche que Liana havia feito, e nós duas adormecemos logo depois. No dia seguinte, acordei e não vi mais Liana. Ela provavelmente já havia ido trabalhar, então me levantei tomei um banho, me troquei e fui para o trabalho. Quando cheguei no trabalho, Elizabeth logo me chamou de canto. — Bom dia Louise... eu sei que você está responsável por limpar o quarto da Isabella, mas hoje ela está com dor de cabeça, e não foi para a escola. Então não a incomode por enquanto, e limpe o quarto dela mais tarde. Hoje eu vou te dar uma tarefa especial, você lembra do quarto que fica ao lado do quarto da Isabella?— Elizabeth perguntou seriamente. — Sim.. aquele que parece que está abandonado? — Isso, você vai limpar ele hoje. Faz tempo que ele não é limpo, pois o antigo dono dele era um pouquinho enjoado.— Elizabeth disse, com um sorriso estranhamente meigo no rosto. — Quem era o dono?— perguntei curiosa. — Henry...— Elizabeth disse fazendo uma pequena pausa, enquanto aparentemente lembrava do senhor Henry.— Agora suba! Tem muitas coisas para fazer... Subi para o quarto de Henry, e entrei com meus esfregões e vassouras. Realmente o quarto estava um pouco empoeirado, mas tudo estava muito bem organizado. Troquei os lençóis da cama, e passei pano no criado mudo para tirar o **. Logo vi uma escrivaninha no canto do quarto, me aproximei para passar um pano na mesinha, mas algo me chamou a atenção, era uma fotografia. Na fotografia tinha um homem, ele era aparentemente alto, tinha cabelos jogados e lisos, que eram pretos. O homem tinha olhos esverdeados, e um corpo exageradamente malhado. Ele estava abraçado com Isabella, e na fotografia o seu sorriso era encantador. De repente ouvi a porta bater, me virei rapidamente e vi Samuel. — Oi Louise, tudo bem com você?— o homem perguntou fechando a porta. — Sim. Samuel então se aproximou de mim com um sorriso assustador, ele me olhou nos olhos o que me causou calafrios.
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