Minha mãe me olhou e deu um sorriso fraco.
— Nunca pare de estudar, minha filha...— minha mãe disse, aparentemente cansada.
Eu dei um sorriso preocupado para mamãe, e ela me olhou nos olhos.
— Minha querida Louise, somos negras e mulheres. O único jeito de vencermos e mostrarmos que somos mais do que uma cor ou um gênero, é pelo estudo. Nunca deixe te diminuírem Louise... você é mais forte do que pensa. Só seja você, e estude.— mamãe disse com sua voz fraca.
— Tá bom mãe...
Depois que a visita acabou, eu fui para casa. Era estranho entrar em casa, e não ver mamãe lá. A casa ficava sem cor, sem graça...
Caminhei até o meu quarto, e caí na cama, logo adormeci.
No dia seguinte, acordei com o meu celular despertando. Me levantei, e tomei um banho para iniciar o dia. Depois do banho escolhi uma roupa apresentável, e fui para a cozinha tomar um café. A questão, é que os armários estavam praticamente vazios. Mamãe estava internada a dois meses, e desde então eu não tive dinheiro para comprar comida, pois todo o dinheiro que eu recebia, ia para as contas do hospital.
Fiz um café, e abri um pacote de bolacha que eu havia encontrado escondido no armário. Logo depois, peguei alguns trocados para pagar o ônibus e fui para a mansão dos Lacerda.
Quando eu cheguei na mansão, a governanta já estava a minha espera. Ela me fez entrar, e fomos para a cozinha.
— Muito prazer Louise, meu nome é Elizabeth. Vou te mostrar a casa, e o que você irá fazer.— a governanta disse saindo da cozinha, e andando pelos corredores da enorme mansão.
A mansão era muito chique e moderna, tudo era encantador, eu me sentia um peixe fora d'água. Ela me mostrou a sala primeiro, que tinha um enorme sofá preto de veludo, uma televisão gigante e uma mesinha no cento do tapete marrom que estava no chão. Logo em seguida, ela mostrou a sala de jantar, que tinha uma enorme mesa no centro, com mais de 10 cadeiras, o que eu achava um tremendo exagero. Me mostrou também a cozinha, o escritório da Amélia e o um outro escritório, que pelo o que eu entendi era do senhor Samuel. Logo depois subimos para o segundo andar, onde tinham os quartos. Ela me mostrou o quarto da Amélia e do Samuel, que era enorme e muito bem decorado. Me mostrou o quarto da filha da Amélia, e um outro quarto que mais parecia abandonado. Elizabeth me mostrou também 3 quartos de hóspedes, a varanda, a biblioteca e o jardim da casa. Mas o que mais me chamou a atenção, era uma fotografia em um dos corredores da casa. Na fotografia tinha a Amélia, um senhor ao lado dela, uma criança e um jovem. Eu como sou extremamente curiosa, não pude deixar de perguntar sobre a fotografia.
— Quem são, ao lado da senhora Amélia?— perguntei para a governanta, enquanto encarava a fotografia pendurada na parede.
A governanta me olhou, e em seguida encarou a fotografia.
— Essa foto é bastante antiga...— a governanta disse olhando para a fotografia.— Ao lado da senhora Amélia, temos o Isaac. Ele é pai da Isabella e do Henry, a jovem e a criança da foto.
— Então a senhora Amélia foi casada com esse senhor?— perguntei curiosa.
— Sim... Mas ele morreu a 7 anos atrás.
— E cadê o Henry e a Isabella?— perguntei encarando a fotografia novamente.
— A Isabella está na escola, e o Henry...— A governanta então ficou quieta, e eu entendi que alguma coisa havia acontecido.
Olhei para a governanta e ela me encarou.
— O Henry saiu de casa a 2 anos, depois de uma briga com a mãe, ele foi para o Texas. Desde então, não deu mais notícias.— a governanta disse triste.
Elizabeth então se recompôs rapidamente, e continuou andando pela mansão. Ela já tinha idade avançada, tinha cabelos grisalhos e a pele um pouco enrugada. Pelo o que parecia, ela já trabalhava nessa casa a alguns anos, e conhecia a família muito bem.
Depois que a governanta me mostrou a casa eu comecei a limpar o quarto da Isabella. Forrei a cama, e arrumei uma escrivaninha que tinha no canto do quarto. De repente, a porta se abriu, e uma jovem entrou. Ela me encarou, e fechou a porta.
— Você deve ser a nova empregada... muito prazer, eu sou a Isabella. — a jovem disse docemente.
Sorri para a menina, e ela se aproximou de mim.
— Oi Isabella... Eu sou a Louise. Desculpe ser inconveniente, mas você não tem nada haver com a criança da fotografia do corredor...— disse olhando para a Isabella.
Isabella me encarou e sorriu, logo me dei conta que falei um pouco demais.
— Me desculpe...— disse rapidamente.
— Tudo bem. A foto do corredor tem 8 anos, era de se esperar que eu não me parecesse com a criança da foto.
— Você tem toda razão...— disse rapidamente, enquanto pensava no quão i****a eu era.
Isabella era muito bonita, ela tinha olhos verdes e cabelos lisos que tinham a cor do fogo. Sua pele era branca e cheia de sardinhas, o que a deixava com um rosto angelical. Ela parecia uma bonequinha de porcelana, de tão linda.
— Muito bem Louise, eu vou tomar um banho, pois daqui a pouco vão servir o almoço. Foi um prazer te conhecer.— Isabella disse e entrou no banheiro.
Terminei de limpar o quarto de Isabella e desci para a sala de jantar. Logo ajudei a pôr a mesa juntamente com as outras empregadas. Alguns minutos depois, Amélia, Samuel e Isabella desceram. Eles se sentaram na mesa, e alguns empregados os serviram. Eu fiquei observando eles de longe, Isabella não parecia a mesma garota doce e meiga que eu havia conhecido mais cedo. Ela ficou em silêncio o almoço todo, e sempre olhava para baixo, nunca olhava nos olhos de Samuel e Amélia. De repente, meu celular tocou, e todos olharam para mim. Me retirei da sala de jantar, e fui para a cozinha.
— Alô?— disse atendendo o telefone.
— Senhorita Louise? Aqui é o doutor Gabriel, eu sou o novo médico que está cuidando da senhora Isadora, Sua mãe certo? Você pode vir aqui?— o homem perguntou seriamente.
— Aconteceu alguma coisa?