Os Lacerdas

1092 Words
— Qual é seu nome?— a senhora ruiva me perguntou. Olhei para ela, e vi o olhar de reprovação nítido no seus olhos enrugados. — Louise Lee.— disse olhando nos olhos esverdeados da senhora — Muito bem Louise... O serviço é de faxineira e as vezes você terá que acompanhar a minha filha em alguns eventos, mas sobre a minha filha eu irei pagar por fora. Você vai trabalhar das 10 às 17:00. Está interessada no serviço?— a senhora perguntou. — Sim... — Muito bem. Você com certeza já deve ter experiência como faxineira, o salário é aquele que você viu no anúncio. Arregalei os olhos e sorri, daria para eu pagar as mensalidades do hospital, e comprar comida para a casa. — Quando posso começar?— perguntei sentindo uma pontinha de esperança. — Pode começar amanhã. De repente um moço muito bonito entrou pela porta, ele me encarou e sorriu. — Achou a nova empregada?— ele perguntou olhando para mim. O homem tinha cerca de uns 27 anos, ele tinha cabelos pretos e sua pele era branca, como se nunca tivesse tomado Sol na vida. Seus olhos eram azuis e ele tinha um corpo bastante atlético. O moço provavelmente era o filho mais velho da senhora que estava me entrevistando, eles não tinham muitas coisas em comum, o que era estranho. — Oi meu amor!— a senhora disse olhando para o homem. O homem se aproximou dela, e então a beijou. Eu fiquei sem reação, aquilo me deixou levemente desconfortável. O sorriso desapareceu dos lábios da senhora, e ela me encarou novamente. — Sim... Ela vai ser perfeita.— a senhora disse rispidamente. Olhei então para a senhora e me senti um pouco intimidada, mas tentei manter toda a postura, afinal, eu precisava do emprego. — Qual é seu nome?— o homem me perguntou. — Louise... Lee.— disse quase em um sussurro. — Muito prazer Louise, meu nome é Samuel sou o marido da Amélia.— O homem disse com um sorriso encantador. Eu sorri meio sem graça e Amélia começou a falar. — Muito bem Louise, você começa amanhã.— Amélia disse seriamente.— Traga a sua carteira de trabalho, e não se atrase. Me levantei da cadeira e sorri. — Muito obrigada senhora Amélia.— disse me retirando da sala. Saí da enorme mansão dos Lacerda pulando de alegria, os meus problemas estavam começando a se resolver, e isso era ótimo. Fui para o ponto de ônibus, e esperei o ônibus enquanto pensava que minha mãe poderia continuar o tratamento no hospital. O ônibus demorou cerca de 15 minutos, e assim que entrei no ônibus, suspirei de alívio, agora era só me aconchegar e esperar uma hora até chegar no ponto que eu iria descer. Assim que desci do ônibus, caminhei por cerca de 10 minutos pelos becos até chegar na minha casa. Abri o portão, e depois entrei em casa. Assim que entrei, senti um cheiro fantástico. Olhei para o fogão e vi Liana. — O que você está fazendo aqui, Liana? Eu disse que não precisava vim cozinhar para mim.— disse olhando para a Liana. Liana era a minha melhor amiga, nos conhecemos no quarto ano da escola e desde então ficamos inseparáveis. Ela parecia um anjinho de tão meiga e carinhosa. Ela tinha cabelos negros e lisos, sua pele era morena e seus olhos eram escuros como uma noite sem estrelas. Ela parecia uma Índia, tinha herdado essa beleza dos seus antepassados que eram indígenas. Liana se virou e sorriu docemente. — Então pare de deixar a chave escondida no vaso das plantas! Mas me diga que tem boas noticias Lu..— Liana disse com o semblante preocupado. Olhei para Liana e abaixei a cabeça, e ela logo presumiu que eu não havia conseguido o trabalho. Mas poucos segundos depois, eu pulei de alegria. — Eu consegui! Começo amanhã Liana!!— disse sorridente. Minha amiga logo sorriu alegremente e se aproximou para me abraçar. — Graças a deus! Eu já a estava preocupado com o hospital... você sabe que se eu tivesse algum dinheiro, eu te daria Louise, mas o que eu ganho m*l da para pagar a faculdade.— Liana suspirou. — Eu sei amiga, não se preocupe. — Já foi visitá-la?— Liana perguntou. — Ainda não, eu vou tomar um banho, e vou lá vê-la.— disse suavemente. Liana concordou com a cabeça, e eu fui para o banheiro. Tomei meu banho lentamente, enquanto deixava a água quente levar todo o meu estresse dos últimos dias. Depois do banho, coloquei uma roupa simples, e comi um pouco da comida de Liana. Logo em seguida fui para o hospital ver mamãe. Assim que cheguei, a enfermeira me levou para o quarto que mamãe estava internada. Quando eu entrei no quarto, me deparei com uma cena que partia meu coração em pedacinhos. Minha mãe estava aparentemente inconsciente, ela estava pálida e sua boca estava ressecada. Ela estava tomando remédios pelas veias, e seu semblante era de uma pessoa cansada. Logo ela despertou e olhou para mim com o seus olhos escuros e tristes. — Filha?— ela me chamou com sua voz fraca. Me aproximei da cama, e peguei em suas mãos. — Oi mãe... — Como foi a faculdade hoje?— minha mãe perguntou com os olhos brilhando, enquanto dava um sorriso fraco. Eu iniciei a minha faculdade de marketing a 3 anos atrás, assim que eu completei meus 19 anos. Minha mãe sempre me incentivou muito a estudar, então, ela trabalhava para sustentar a casa e eu trabalhava em uma cafeteria para pagar a minha faculdade. Quando eu estava no meu último ano da faculdade, ela adoeceu, e precisou ser internada. Mas, a mensalidade do hospital era muito cara, e eu parei de estudar para poder pagar o hospital. O problema é que o tratamento foi aumentando, e eu tive que procurar um emprego que pagasse mais, para a minha mãe poder continuar recebendo o tratamento necessário, foi aí que eu encontrei o anúncio da família Lacerda. A questão, é que ela não sabe que eu parei de estudar para pagar o hospital, ela acha que eu ainda estou na faculdade e que eu estou vendendo bolos para pagar o hospital. Eu não tenho coragem de contar, então todas as vezes que eu venho visitá-la, eu minto. — Filha?— minha mãe me chamou, me despertando dos meus pensamentos. Olhei para mamãe, e olhando nos seus olhos eu menti. — A aula foi ótima mãe...
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