Rafaela
(Uma semana depois)...
Infelizmente eu teria que voltar para o Vidigal, minhas coisas estão todas lá, nessa semana deu para mim refrescar bem a cabeça, eu desculpei a Daniela e o Vinicius, mas quero os dois bem longe de mim.
Não sou de guardar rancor, isso me prejudica, então eu deixo rolar, se for para eles se ferrar, a vida vai mostrar.
Estou na casa dos meus pais, conversei bastante com minha mãe, ela sempre foi minha amiga, sou grata pelos conselhos dela.
(...)
Cheguei no pé do morro, e já vi alguns meninos, eu mau conhecia eles, estou aqui à cerca de um mês mais ou menos.
-Bom dia, sou moradora - Sorri simpática.
Xxx: To ligado, pó subi - balancei a cabeça, e subi o morro.
O Vidigal é um dos morros mais bonitos que já vi, é tudo muito bem organizado, não tem mulher fazendo barraco, ou muito menos drogados na rua, tudo tem seu lugar.
Abri a porta de casa, e não estava preparada para ver eles dois juntos, meu coração ficou pequenininho. Eles me olharam, e iam falar alguma coisa, mais já cortei.
- Não quero saber, só vim pegar minhas coisas - Caminhei até meu quarto e tranquei a porta, e ali pude chorar novamente.
Eu jurava que ia ter superado, mas não! Ainda tá doendo. Catei algumas malas, e enfiei minhas roupas em uma, sapatos em outra, e o resto guardei nas minhas bolsas.
Eu não queria ir para casa dos meus pais, eles já me dão uma mesada, preciso arrumar uma casa, e um serviço urgente.
Arrastei tudo as coisas para a varanda, os dois quiseram ajudar, mas já cortei a i********e, que tínhamos. Sentei na calçada, pensado na merda da minha vida.
Xxx: Oh florzinha? - Olhei para frente, e tinha uma guria me olhando - Foi despejada ? - Caminhou até mim.
- Fui nada - Sorri - To só pensado para onde vou agora.
Xxx: Ta precisando de casa ? - Sentou do meu lado. Balancei a cabeça concordando - Tem umas kitinetes para alugar ali onde eu moro.
- Eu não queria ficar aqui, acho que vou ver em outro lugar - Olhei para o chão.
Xxx: Ai mona, só porque gostei de ti - Ela deu uma risada.
Dê chance para novas pessoas
Rafaela
Conversei bastante com a Talita, ela mora aqui desde menor, super me identifiquei com ela, contei minha vida toda, porque sou dessas, se confio nas pessoas.
Ela mora com o irmão que é envolvido, também me mostrou a sua casa e algumas kitinetes, as casinhas era tão minha cara, pintadinhas, com várias florzinhas. Não me chamem de velha, apenas gosto.
Decidi ficar por aqui mesmo, deixei minhas coisas na casa da Tata, e caminhamos até a boca, pois é lá que o dono fica e infelizmente ou felizmente, ele também é dono das casas.
A Tata já conhecia todos os meninos, me apresentou para eles e ficamos conversando, até o Boy, vulgo Dedé chegar.
Menor: Não sabia que minha irmã, tinha amigas tão gostosas assim - Senti minhas bochechas ficarem vermelhas.
Juninho: Oia á mina, tá com vergonha - Deu risada.
- Vocês são chatos - Coloquei a mão na cabeça, rindo com eles.
Vtinho: Tata, bora desenrolar aquele esqueminha - Olhei para ela, que ficou vermelhinha.
Tata: Vai te catar Vtinho - Tacou uma pedrinha nele, fazendo geral rir.
Menor: Olha as palhaçadas, panaca - Deu um tapa na cabeça do Vtinho.
Marreta: Tem quantos anos ? - Balançou a cabeça para mim. Que voz senhor.
- Dezoito - Sorri sem mostrar os dentes.
Eu e ele ficamos conversando e os outros zuando, até escutarmos aquela voz que não saia da minha cabeça.
Dedé: Não trabalham mais? - Falou todo grosso - E o que vocês estão fazendo aqui? - Lançou um olhar de morte para mim e a Tata.
Marreta: Só estávamos esperando você - Se levantou do chão, onde estava sentado.
Tata: A Rafa quer falar contigo - Sorriu sapeca para mim, e eu já olhei para ela reprovando.
Dedé: Bora todo mundo circulando, aqui não é pensão - Todos os meninos se levantaram, e cada um foi para seu posto, me levantei junto com a Talita - Você fica! - Olhou para mim.
Tata: Tchau amiga, depois vai lá em casa - Olhei para ela, suplicando para ficar junto comigo.
- Você me paga - Ela saiu dando risada, olhei para o homem que estava me encarando.
Dedé: Vamos entrar - Caminhou até uma salinha, onde ele abriu e entrou, eu apenas o segui - Quer falar o que? - Sentou em uma cadeira atrás de uma mesa cheia de papéis.
- Queria alugar uma das Kitinetes na rua 15 - Ele me olhou, e mediu meu corpo todo com aqueles olhos negros.
Dedé: Já viu elas? - Pegou um cigarro e acendeu.
- Apenas por fora - Ele deu um sorriso de lado.
- Bora lá então.
Eu quero o corpo nu daquela divindade
Rafaela
1 mês depois...
Faz um mês que estou morando sozinha, não vejo minha irmã tem um tempo, eu me aproximei bastante da Talita, ela me passa uma confiança extrema.
Tata tem um filho de 3 anos, é um amorzinho, o pai dele é envolvido, mas Talita ainda não me apresentou.
(...)
Terminei de fazer o almoço e fui lavar a louça, para depois tomar um banho.
Tata
Eu: Gata vem almoçar e trás coca
Tata: Blz✌
Tomei um banho, e coloquei uma roupa de ficar em casa mesmo, logo escuto os gritos da Talita e a risada gostosa do Bernardo. Bê é o filho dela.
Tata: Bruaca? Vou colocar a coca na geladeira - Saio do quarto, e vou ate a cozinha, onde os dois já estão sentados.
- Oi ami, oi bebê da tia - Beijei a cabeça do Bernardo, e coloquei os pratos na mesa.
Tata: Oi vaca, Bernardo não parava de falar de você- Ela pegou a coca, e os copos.
- Ele me ama - Me sentei.
Comemos e ficamos fofocando da vida dos outros, pois é isso que a gente sabe fazer mesmo, ela me ajudou a lavar a louça e depois teve que ir trabalhar, enquanto eu fico a tarde toda com o Bê.
Dei um banho nele, e coloquei ele para assistir no meu quarto. Ele não parece nada com a Talita, peguei meu celular e tirei uma foto dele.
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@Rafazzz A melhor parte do meu dia
Mais comentários...
Nem olhei os comentários, e fiquei futucando no Insta, até chegar uma nova notificação, era uma conta privada, não tinha quase nada, olhei seus seguidores, e era alguns vapores que eu já conhecia, deduzir ser algum outro vapor, então mandei uma solicitação, não demorou muito e foi aceita.
Tinha umas cinco fotos, duas eram com bebidas, e duas eram com armas, e apenas uma tinha alguém, não dava para ver direito, pois a foto estava escura, mas eu tinha certeza que conhecia aquelas tatuagens.
Era o Dedé, o patrão. Fazia dias que eu não via ele, a última vez foi quando ele me mostrou a casa, e eu conversei poucas coisas com ele, mais uma delas foi sobre suas tatuagens.
Fiquei olhando as notificações chegar, e era tudo ele curtindo minhas fotos, já fiquei louquinha.