Que ele vá para o inferno!

2142 Words
Leandro ficou olhando para Paula com raiva, apertando as mãos ao lado do corpo, fechou os olhos e em seguida a golpeou com força no rosto, fazendo-a rolar no chão. Um fio de sangue começou a escorrer de sua boca. —v***a! Quem te chamou para se meter onde não deve?! — disse, apertando os dentes, e aproveitando a postura da jovem no chão, começou a chutá-la sem parar. —Leandro! Deixa-a! Você ficou maluco? — gritou Gálata, horrorizada ao ver a atitude selvagem do homem. —Leandro! — exclamou novamente. Quando Leandro ouviu a voz de Gálata chamando-o, saiu do seu devaneio, tudo não passava de sua imaginação. Não pôde evitar olhar para Paula e, embora não pudesse agir como havia imaginado, não perdeu a oportunidade de plantar a sua semente de veneno. —Paula, que surpresa te ver aqui. Certamente essas palavras que você disse são baseadas em sua própria experiência... acabei de me lembrar, anos atrás você estava perdidamente apaixonada por Matteo, defende-o porque ainda o ama? — Isso é alta traição, continuar sonhando com o marido da sua melhor amiga —disse, com sarcasmo, exibindo um meio sorriso. —i*****l! O mesmo que sonhar com a mulher do seu melhor amigo. Mas sabe, nem vale a pena discutir suas bestices. O que você quer? Tentar ganhar a simpatia de Gálata me colocando em má posição? Não se espera menos de você, um rastejante, repugnante, intrigante e traidor, são muitos defeitos juntos. Você não sabe como conquistar simpatia sem semear discórdia contra os outros. —Quer saber? Sua presença me desagrada, e eu nem me sinto capaz de respirar o mesmo ar que você. Agora vá embora! —exclamou com o rosto levemente corado de raiva, tentando controlar-se. Sua atitude surpreendeu Gálata, pois Paula geralmente era uma pessoa gentil. Ela observou o que acontecia em silêncio, como uma simples testemunha, sem saber como reagir. Paula pegou o braço do homem para tirá-lo da sala. Leandro imediatamente deu um tapa para se libertar, mas não contava com a rapidez de Paula. Ela se moveu rapidamente, fazendo-o cair de costas no chão e colocando um joelho em seu peito. Leandro sofria tanto com o desconforto físico quanto com a humilhação psicológica, enquanto a raiva contra a jovem crescia dentro dele. —Nem pense em me tocar! Você não sabe com quem está lidando. Para sua informação, meu homem me ensinou a me defender muito bem, para estar protegida de pestes como você —falou Paula com um sorriso sarcástico. Leandro se levantou do chão com dificuldade, sentindo a dor atravessar suas costas. Seu rosto estava vermelho de raiva. —Gálata, você não deveria ter uma mulher assim perto de você, a qualquer momento ela pode te causar problemas, não é confiável —disse o homem, com aparente dignidade, enquanto saía da casa. Gálata abriu a boca, incrédula com o que havia acontecido, não conseguia acreditar que sua amiga havia sido capaz de dominar um homem com tanta facilidade. —Paula, isso foi errado, você não deveria tê-lo tratado dessa maneira, ele só estava tentando me ajudar, mostrando solidariedade —disse Gálata, querendo acreditar nisso, embora ele também não lhe inspirasse confiança. —Isso é sarcasmo? —perguntou Paula, sem esperar uma resposta e acrescentando—, quero acreditar que sim, porque não consigo imaginar você caindo nas mãos de um tipo como Leandro. —Nunca confiei nele, sempre me pareceu como uma serpente, astuto, perigoso e traiçoeiro, pronto para atacar. Não acredito nas boas intenções dele —disse Paula—. Quando ele acha que ninguém está olhando, ele encara Matteo com inveja... tenho a impressão de que ele quer tudo o que Matteo tem. Você deve se cuidar desse homem. —Também não gosto muito dele, talvez você tenha razão, apesar disso, suas palavras são verdadeiras —Gálata suspirou com frustração—. Helena voltou e Matteo ainda a ama, ele não a esqueceu —disse Gálata com uma mistura de raiva e tristeza. —Do que você está falando? Como assim ela voltou? Ela não foi embora depois de trair Matteo? Que cara de p*u! Ela ousa aparecer depois disso? —falou Paula, indignada. Gálata suspirou, abraçando-se a si mesma enquanto lágrimas começavam a rolar por suas bochechas. Ela sentia um nó na garganta, como se estivesse se afogando. Respirou várias vezes pela boca, tentando recuperar o controle e continuou falando. —Parece que ela não o traiu, tudo foi um m*l-entendido —sua amiga a olhou com as sobrancelhas levantadas em descrença—. Por mais incrível que pareça, Paula. Eu mesma ouvi meu marido conversando com Leandro, e ele confessou que achava que ainda amava Helena, tinha medo de vê-la, porque não tinha certeza de quais eram seus sentimentos por ela. —Não posso acreditar! Como é possível que ele não tenha conseguido esquecê-la durante todo esse tempo? Você foi uma mulher maravilhosa, dedicada, até deixou de viver sua vida para cuidar dele. É incrível! —Eu te disse tantas vezes que você precisava reservar algo para si mesma, não se entregar completamente a ponto de negar a si mesma. Você não me vê? Gianluca nunca vai me dominar! Jamais! —disse Paula com seriedade, recebendo um revirar de olhos de sua amiga, que deu de ombros com indiferença e continuou falando. —Juro que não consigo acreditar. Será que você ouviu errado? Como ele não te ama, Gálata? Você é a mulher perfeita! Onde ele vai encontrar alguém como você? Pelo amor de Deus! —exclamou, sentindo tristeza porque sabia o quanto sua amiga amava Matteo e doía vê-la não ser valorizada. —E isso não é tudo. Ontem à noite ele fez amor comigo como nunca antes, Paula. Eu me senti completa, feliz, importante para ele, pela primeira vez achei que estava sendo amada, e pouco depois, enquanto dormíamos, ele recebeu uma ligação sobre aquela mulher e me deixou para correr atrás dela. —Eu não sei o que fazer, amiga. Eu vivia por ele, eu não sei fazer nada sem ele, me sinto tão ferida, humilhada, ignorada, desprezada. Sou tão insignificante, Paula. Eu dei tudo de mim! —exclamou com uma voz veemente—. Não tenho mais nada para dar, até decidi viver uma vida simples, para ter uma família normal, ser uma mulher dedicada, esperando meu marido chegar em casa para esquentar sua comida e até colocar suas pantufas. —Muitas vezes reprimindo meus sentimentos, apenas para agradá-lo. Me diga, Paula, o que fiz de errado? Por que estou passando por isso? Eu não mereço essa humilhação —disse, enquanto seu rosto continuava banhado pelas lágrimas que corriam livremente. —Você realmente quer saber as razões? —Gálata assentiu com a cabeça—. Não sei se serei dura contigo, mas verdadeiras amigas falam a verdade, e embora me doa dizer isso, sinto que devo. —Você escolheu renunciar a si mesma, decidiu colocá-lo em primeiro lugar. Matteo não te obrigou, nem te pediu isso, ele só aceitou o que você deu. Quem decidiu dar tudo foi você, porque acreditou que com isso o faria esquecer Helena. Amiga, ele não te enganou, você assumiu essa relação sabendo contra quem estava lutando. Você enfrentou todos, e quem dissesse algo diferente, você considerava inimigo. E com isso, não estou defendendo Matteo, porque minha amiga é você, não ele. Mas, quando você olha de fora, pode ver o que está acontecendo dentro com mais objetividade. —Sabe qual foi o seu maior erro? Colocá-lo acima de si mesma, a ponto de deixar de se amar para amá-lo. E isso, amiga... foi o seu pior erro. Você parou de viver, se trancou nesse mausoléu e se transformou em uma morta-viva, um zumbi. Você não merece isso —declarou com paixão. —E o que você me aconselha? O que eu faço? Não consigo colocar minha vida em ordem, estou apavorada com a ideia de sair deste mausoléu e enfrentar o mundo. Não estou preparada! —gritou desesperada, passando as mãos pelos cabelos em um gesto de frustração. —Sim, você está! Você sempre foi uma guerreira, uma daquelas pessoas que lutava não apenas por seus direitos, mas também pelos dos outros. Você queria ser a maior designer de joias do mundo, ser reconhecida. Esses eram seus sonhos, mas você os deixou de lado. Mas essa mulher ainda está aqui —disse, tocando o coração da amiga—. Esperando que você a liberte e a deixe viver novamente. » Não estou te aconselhando a acabar com seu casamento, vocês precisam conversar e deixar as coisas claras e, depois disso, a decisão é de vocês. Mas o que eu te aconselho é: viva, amiga! Faça aquelas coisas que você deixou de lado, encontre-se e diga àquela parte de você que ficou ali abandonada e esquecida que você a ama, e que chegou o momento de mostrar quanto. Ao terminar de falar, ambas estavam chorando. Gálata soluçou em silêncio por um momento, enquanto as ideias giravam em sua mente. —Tenho um filho e estou grávida, como vou viver o que deixei de viver? Eu já não posso —disse em voz baixa, sem esconder o tom de tristeza. —Claro que pode! Seus filhos devem ser o seu impulso. Eu não tenho filhos, mas já ouvi a mamãe Martina dizer isso. Além disso, essas crianças têm um pai. Enquanto você sai para viver a vida, ele pode cuidar deles. Filhos são responsabilidade dos dois. E para começar, arrume o pequeno Xavier Philipo e vamos tomar café da manhã. Depois vamos ao salão, fazer compras, e à noite podemos ir a uma discoteca por um tempo. Pediremos à mamãe Martina para ficar um pouco com ele. —Se ela souber, vai contar para minha mãe, e eu não quero preocupá-la com isso —questionou Gálata, sobre o plano da amiga—. Além disso, se Matteo vier e não me encontrar, ele provavelmente... —não terminou de falar, pois Paula a interrompeu. —Se Matteo vier, que vá para o d***o! Você não acabou de me dizer que ele passou a noite fora com a ex? Pois bem, agora é sua vez. Vamos, e não admito discussão! —exclamou, enquanto a acompanhava para preparar Xavier, e Gálata a seguiu com resignação. ***** Matteo acordou ao sentir o sol em seu rosto, quando os raios entraram pela janela. Por um momento, ele estava desorientado, não sabia onde estava. Sobressaltou-se quando sentiu os braços de uma mulher entrelaçados nos seus, ao redor de sua cintura. Franziu a testa e a afastou bruscamente, fazendo-a acordar, ao mesmo tempo em que expressava sua frustração. —Droga! Maldição! Eu preciso ir. Minha intenção era voltar para casa com minha esposa e meu filho —disse, levantando-se de maneira áspera. Helena percebeu como estava vestida e como tinha amanhecido deitada ao lado de Matteo, e sua pele branca ficou vermelha. —Desculpa, Matteo! Eu não quero te causar problemas —disse a mulher, preocupada—. Não sei por que você está aqui. —Me ligaram do hotel, você teve uma crise e seu único contato de emergência era eu. No entanto, preciso te perguntar uma coisa: quem foi o homem que te atacou para te deixar nesse estado? De imediato, o rosto de Helena empalideceu, pois, desde que acordou, ela tentou manter esses pensamentos fora de sua mente, porque a angustiavam muito. Antes de conseguir falar, as ameaças do homem ecoaram em sua mente, e ela preferiu ficar em silêncio. —Matteo, por favor, não quero falar sobre isso. Sinto muito por tudo isso, volte para Gálata, eu avisarei aqui para não te incomodarem mais. » Eu não quero destruir sua vida, muito menos atrapalhar seu casamento. Vamos deixar o passado onde está. Eu nunca vou te esquecer porque te amo, mas entendi que nesta vida não podemos estar juntos, talvez em outra. Obrigada por ter vindo me ajudar. Cuide-se, Matteo. Seja feliz! Ela o acompanhou até a porta e, ao fechar a porta após sua partida, não pôde evitar escorregar até o chão e chorar, abraçando-se. Sentia-se triste, miserável, sem entender por que a vida sempre parecia ser c***l com ela, negando-lhe a felicidade. Não conseguiu conter os tremores do corpo, causados pelos espasmos de seu choro, e a angústia aumentava, pois sabia que não veria mais o grande amor de sua vida. Enquanto isso, Matteo saiu correndo para voltar para casa e encontrar sua família, pensando em como explicaria a Gálata sua ausência. No entanto, ao sair, ele não pôde evitar olhar para a porta do quarto onde estava deixando Helena, sentindo um vazio e uma forte pressão no peito ao deixá-la para trás. Ele não entendia o motivo da confusão de seus sentimentos. Já deveria estar claro sobre eles, mas não estava, e isso o fazia sentir-se m*l consigo mesmo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD