Você deve enfrentá-lo.

2187 Words
Gálata estava mergulhada em seus pensamentos, alheia à conversa de sua amiga, não conseguia parar de pensar em Matteo, na noite maravilhosa que passaram juntos. Ela se recusava a acreditar que ele não sentia nada por ela. "É possível para um homem fingir dessa maneira ao fazer amor?" perguntou-se, sem conseguir controlar sua ansiedade, pois em sua mente tinha opiniões contraditórias. Tão absorvida em sua situação, nem percebeu a pergunta de sua amiga. —Gálata Antonella Ferrari Estrada! Quer que eu comece a jogar sinuca com as bolas que você está me deixando no vácuo? —perguntou a loira, sem esconder sua irritação. A exclamação exaltada fez Gálata reagir. —Ai, amiga! Desculpa mesmo, agora não sou boa companhia, tenho muita coisa na cabeça, o melhor seria eu voltar para casa —disse, sentindo-se envergonhada por sua própria atitude. —Não diga bobagem, Gálata. Não quero você deprimida, trancada em casa, lambendo suas feridas, esperando aquele i****a do Matteo aparecer, enquanto você não para de pensar se ele passou a noite com ela. Vamos seguir com meus planos, só que com uma pequena mudança. »Eu estava te dizendo para irmos à casa dos meus pais. Mamãe Martina me mandou uma mensagem convidando para jantar com a família. Eu disse que ia com você, e ela está nos esperando. Minha avó Maria Martha também estará lá —mencionou, animada. De repente, Gálata ficou olhando para ela, sorrindo. —Sabe, por um momento, eu olho para você e me sinto orgulhosa de até onde você chegou. Você é tão diferente daquela Paula que tinha medo de falar, de se expressar quando era adolescente. Agora, você é uma garota segura de si mesma, corajosa. Os Landaeta Fernández mudaram sua vida. —Definitivamente, foi a melhor coisa que aconteceu para os Casiragui. Meu pai encontrou uma mulher excepcional, que tirou todo o ressentimento e ódio dele, curando seu coração. Essa mesma mulher me ensinou a me amar, me valorizar, e a vovó com sua personalidade marcante... bom, e tem o Gianluca, aquele homem é minha vida —disse com um suspiro. —Aliás, até quando você vai deixá-lo esperando? Aquele homem está há dez anos correndo atrás de você, beijando o chão que você pisa —falou Gálata, levantando uma sobrancelha com um sorriso provocador ao ver a expressão de descontentamento da amiga. —Também não é assim. No início, ele queria me dominar como se eu fosse um animal selvagem, e só quando percebeu que comigo conseguia mais com doçura do que com dureza, ele mudou de atitude. Mas não estamos falando da minha vida, senhora Gálata, essa é uma história para outro dia. Não seja tão esperta. Estamos falando de você. Vamos logo para a casa. Em menos de meia hora, elas estavam na mansão Casiragui. Ao chegarem, foram avisadas para irem ao jardim, onde se destacava uma grande mesa decorada com flores brancas e amarelas, repleta dos mais deliciosos pratos. Depois de serem recebidas com entusiasmo e deixarem Xavier brincando com os trigêmeos e outras crianças, Paula se aproximou da mesa com Gálata, estendeu a mão para pegar uma fatia suculenta de carne, mas Martina impediu, segurando sua mão. —Não enfie a mão na comida! —Paula fez uma careta triste, e Martina acabou dando o que ela queria—. Manipuladora —disse, fingindo estar chateada. —Eu te amo, você é a mulher da minha vida —disse Paula, sorrindo para Martina, ganhando um beijo dela. —Ai, minha Paula! Hoje estou nostálgica, mas te juro que até esse momento, não tinha percebido o quanto sua vida mudou para melhor. Amiga, você merece, sempre foi uma garota sensata e boa. »Você amava Matteo e desistiu dele por mim —disse pensativa. Essas palavras fizeram Paula engasgar. Gálata se levantou correndo e lhe deu algo para beber, para ajudá-la. —Você está enganada! Eu nunca amei Matteo, embora tenha achado que sim. Era só uma paixão de menina, ou melhor, admiração, porque, amiga, convenhamos, seu marido está muito bem... —nesse momento, Gianluca a interrompeu. —Você está falando de homens, Paula? Não me respeita, não? —perguntou Gianluca, irritado. —Eu posso falar de homens quando eu quiser. Não tenho compromisso com você —respondeu com firmeza, levantando o queixo de forma desafiadora. —Já chega, Paula! Entendi. Não temos compromisso, então isso que tínhamos acabou. Não posso continuar esperando por uma mulher que, pelo jeito, nunca vai me levar a sério. »Não tenho tempo para continuar com isso, Paula. Adeus! —disse ele, virando-se e saindo. Gálata notou a tranquilidade de Paula e ficou preocupada. —Querida, você está brincando com fogo. Deveria ir atrás dele e dizer de uma vez por todas o quanto o ama —aconselhou Gálata. —Ele sempre faz essas birras e acaba voltando. Não se preocupe. Gianluca só tem olhos para mim —declarou, confiante. —Você está se ouvindo, Paula? Acho que está agindo tão m*l quanto Matteo —questionou Gálata. —Não há comparação. Melhor comermos e depois irmos ao seu novo estilo de vida. Duas horas depois, elas saíram da mansão Casiragui. Gálata, no banco do passageiro, observava a expressão preocupada da amiga. —Se quiser cancelar a saída para falar com Gianluca sobre a decisão que ele acabou de comunicar à família, vou entender —disse Gálata, sem deixar de observar a expressão da amiga. —Não acredito em nada do que ele disse. Ele está apenas tentando chamar minha atenção para me obrigar a casar com ele, e eu não vou me deixar chantagear por ninguém. Agora, esqueça isso e vamos nos divertir. E assim foi. Elas chegaram ao salão de beleza, arrumaram os cabelos e fizeram as unhas. Gálata apenas cortou as pontas do cabelo, o secou e o deixou solto em ondas. De lá, foram ao shopping, onde compraram vestidos e conjuntos para atualizar o estilo de Gálata, deixando-o mais moderno. Ao sair, elas jantaram e depois foram para o apartamento de Paula. Tomaram banho e, enquanto se arrumavam, começaram a conversar, relembrando momentos do passado e fazendo planos para o futuro. —De agora em diante, amiga, tem que ser assim: você em primeiro lugar. Deve tirar um dia da semana para se dedicar a você mesma. Deixe para trás essa mulher eremita em que você se transformou. Até comigo, só falava pelo celular. Mas, como eu te disse, é hora de mudar esses velhos hábitos —disse Paula, enquanto terminava de maquiá-la. Duas horas depois, elas estavam a caminho de um bar. Escolheram um tranquilo, onde a música era suave, já que Gálata ficava atordoada com muito barulho. Era um lugar único, com um gastrobar, uma moderna sala de degustação para provar os melhores vinhos. No entanto, por causa da gravidez, Gálata não podia beber, mas Paula não tinha limitações. Elas se sentaram na área externa, decorada em tons neutros, no mesmo estilo do ambiente, em cores cinza, branco e naturais, com móveis modernos de linhas simples e guarda-sóis espetaculares, feitos de aço inoxidável e madeira lavada. Gálata pediu um copo de suco, enquanto Paula tomava uma taça de vinho, uma atrás da outra. Elas se levantaram para dançar juntas, até que dois homens se aproximaram. —Olá, podemos acompanhá-las? —perguntou um deles, com um sorriso. Gálata se sentiu tímida, olhou nervosa para Paula, mas esta estava tranquila e respondeu gentilmente. —Muito obrigada, mas estamos em uma noite só de meninas. Fica para outra vez —para alívio das duas, os homens entenderam a recusa e se afastaram, enquanto elas continuavam se divertindo juntas. ***** Matteo fez o trajeto de volta para casa, ultrapassando todos os limites de velocidade, ansioso para chegar e falar com Gálata. O terror de que ela pudesse estar irritada ou ter saído de casa o assombrava. Assim que chegou, estacionou o carro e entrou correndo na casa; no térreo, o silêncio o recebeu. — Gálata! — chamou, preocupado. Subiu para o primeiro andar, verificou o quarto deles, o quarto do filho, o quarto do bebê que estava para nascer, a sala de jogos, o quarto de hóspedes, a sala de estar. Desceu e checou o escritório, não havia um só canto da casa onde ele não tivesse procurado. Por fim, foi à cozinha, mas também não a encontrou. Ele notou os pratos e recipientes sujos na pia, algo que não era típico de Gálata. Pegou alguns guardanapos e, quando estava prestes a jogá-los no lixo, viu algumas bolachas jogadas lá. Franziu o cenho, tentando encontrar uma explicação. Olhou ao redor e viu também a jarra. Lembrou-se de como a encontrou dormindo no quarto de Xavier, algo que ela nunca fazia, pois sempre preferia levar o menino para o quarto deles. Imediatamente, uma suspeita surgiu em sua mente: talvez ela o tivesse ouvido falar com Leandro e, por isso, havia se retirado para o quarto do filho. Incapaz de suportar mais a angústia, discou o número do celular da esposa várias vezes, mas ela não atendeu. Tentou ligar para Paula e mandou mensagens, mas também sem sucesso. A preocupação dentro dele só aumentava. Ele começou a andar de um lado para o outro, esperando o retorno da esposa. E, embora nunca tivesse lavado um prato, ele se pôs a lavar. Depois, foi tomar um banho. Arrumou as camas, mas ainda se sentia inquieto. As horas passavam, a noite caiu, e Gálata não apareceu. Seu coração se apertava cada vez mais; sentia um medo como nunca antes. Um calafrio percorreu seus ossos, a sensação mais desagradável de sua vida. Por um momento, pensou em mandar uma mensagem para Sebastián, mas isso não lhe parecia apropriado. Ele era um homem, não um menino, para correr chorando aos pais da esposa diante do menor problema. Apenas continuou esperando, em vigília, incapaz de dormir durante toda a noite devido à incontrolável angústia. Quando os primeiros raios de sol iluminaram o quarto, seu coração angustiado acelerou. Ele ouviu a porta de entrada se abrir e desceu correndo para encontrar a esposa. ****** Gálata ficou com sua amiga até as duas e meia da manhã na taverna, pois o sono começou a se apoderar dela, já que não estava acostumada a ficar acordada até tarde. Elas foram até a casa de Paula para buscar seu filho e, em seguida, Gálata voltaria para casa. Quase chegando, ela ligou o celular e inúmeras chamadas perdidas e mensagens começaram a chegar. Ela franziu o cenho ao ver a quantidade de mensagens no w******p, de diferentes números. No entanto, uma mensagem de um número desconhecido chamou sua atenção. Infelizmente, nada a preparou para o que viu em seguida: eram imagens de Matteo com Helena, abraçados na porta de um quarto de hotel, e até se beijando. Para piorar, ela recebeu um vídeo onde seu marido era visto chegando ao hotel, entrando no quarto, deitando-se na cama com seu primeiro amor e a abraçando. Não conseguiu continuar assistindo, pois a dor em seu peito era insuportável. Ela fechou os olhos com impotência, enquanto as lágrimas corriam livremente por seu rosto. Um soluço escapou de sua boca, e Paula notou, virando-se para ela. — O que aconteceu, Gálata? — perguntou sua amiga, preocupada. — Olha isso, amiga — disse, sem conseguir parar de soluçar. Paula parou o carro, assustada ao ver Gálata tão perturbada, e olhou para o celular. Seus olhos se arregalaram cada vez mais a cada imagem que via. — Aquele hipócrita! Como ele pôde fazer isso com você? — falou Paula, indignada, sentindo pena da amiga, que chorava desconsolada —. Por favor, amiga, não chore. Gálata se abraçou a sua amiga, agarrando-se a ela. — O que eu faço? Você não tem ideia de como me sinto. A dor no meu peito é lacerante, como se centenas de facas estivessem sendo cravadas em mim, sem nenhuma compaixão — soluçava, sem parar. Por um tempo, Paula a consolou e sugeriu que fossem para seu apartamento, pois Gálata não estava em condições de buscar o bebê naquele momento. — Você precisa enfrentá-lo, para que ele saiba que foi descoberto. Mostre as provas, e se ele tiver um mínimo de honra e consideração por você, dirá a verdade. A partir daí, você poderá tomar uma decisão — disse Paula com firmeza. — Minha decisão já está tomada, Paula. Vou me divorciar de Matteo. Chegou a hora de viver a vida que coloquei em pausa. Com isso... ele matou meu amor por ele e pregou os últimos pregos no caixão onde vou enterrar a Gálata estúpida, que desde os dezoito anos abandonou tudo por amor. » Essa mulher, já não existe mais! — exclamou com determinação. Depois de dormir algumas horas, sua amiga a deixou na porta de sua casa. Quando ela abriu a porta da sala, viu Matteo descendo as escadas. — Gálata, meu amor, onde você esteve? Eu estava muito preocupado. E Xavier? — perguntou, aproximando-se para abraçá-la, mas suas palavras o paralisaram, como um banho de água fria. — Nem pense em me tocar! Nem agora, nem nunca, Matteo Niccollo Sebastini Madrid. A única coisa que desejo de você é o divórcio.
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