Capítulo 4

2753 Words
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Na verdade, tudo ainda parecia muito singular para mim, muito como se fosse um sonho. Koboa chegou a dizer que eu não era a única e que existiam outros três como eu. Isso quer dizer que existem outros países como o meu. Como eu deveria contar isso ao Ricky? Anjos, príncipes e princesas, fogo, terra, água e ar. Era uma história daquelas que se conta para crianças dormirem. Minhas mãos formigavam sempre que eu pensava na ideia de falar com o povo de que precisávamos nos unir. Deus veio até mim? Deus me enviou um cristal mágico? Deus? Minha vida se passou com as pessoas ao meu redor achando que eu era fruto do pleno m*l e de repente eu sou uma serva de Deus? Certamente algo faltava na história, mesmo lendo a carta que um anjo me deu (a propósito, eu acordei dois dias depois com a carta no meu criado mudo) ainda faltava peças naquele quebra-cabeça. Koboa dizia na carta que eu precisava encontrar alguém de minha confiança para dividir o projeto e fazer dele uma realidade. Mas como o fazer? Todos me odiavam ali. Caminhei até meu closet e peguei o cristal que eu havia escondido e o coloquei no bolso do casaco que eu usava. Talvez aquilo me desse sorte. Precisaria também de provas para fazer com que Ricky acreditasse, mesmo sabendo que ele acreditaria de pronto sem mais nem menos. Ele sempre fora assim. Mas dentro da minha cabeça, eu mesma não queria acreditar naquilo.... Um trabalho tão árduo dado diretamente a mim por Deus. Eu seria uma pessoa importante no momento em que decidisse fazer algo a respeito. Me arrumei e desci as escadas, pronta para encarar os últimos dias de aula da minha vida. Talvez os últimos em que eu o veria... Contei nos dedos o tempo que ainda me restava com ele... E fique triste. Mas se o que Koboa disse é verdade, nossas raças se tornariam uma única raça se eu conseguisse ser bem sucedida. Porém, isso tomaria tempo. Quando eu ia passando pela cozinha ouvi minha mãe ao telefone. - Mick, têm que ter outro jeito... Não, eu não quero isso. Sim. Entendo, obrigada. – e desligou. Ela olhou para mim e parecia um pouco cansada, mas sorriu. Seus olhos tinham um brilho que eu nunca vira antes, como se fosse começar a chorar a qualquer momento. - Bom dia, querida. Dormiu bem? – seu sorriso fraco já se desfazia e eu pude sentir de que a ligação se tratava de mim. – Vai comer algo antes de sair? - Não, obrigada, mãe. – eu ia saindo, mas parei de repente um pouco confusa. – Mãe, quem é Mike? – ela no mesmo instante ficou paralisada e parecia em choque, tentou sorrir, mas não conseguiu me convencer. - Era só um colega do trabalho, nada demais. – eu me virei e dei de ombros. - Estou indo pra aula. – e sai. Quando eu já quase alcançava a esquina, minha mãe me gritou. - Zahra! Zahra, espere! – eu a olhei e parei de caminhar. Ela parecia desesperada. - Não vá a escola hoje. – seu tom de voz parecia urgente. - Por quê não? – ela parou um segundo para pensar no que dizer a seguir e sorriu um pouco desconfortável. - Eu não me sinto muito bem, você não pode ficar e me fazer companhia? - Peça ao Kobe. - Ele já saiu. – minha mãe suspirou e me abraçou. – Por favor, filha. Fique comigo hoje. Ela falava com certa urgência na voz, então achei melhor ficar. Ela realmente me amava afinal, não queria me ver m*l. Mas algo não estava bem. Ela nunca ficara assim antes. Ela estava me escondendo algo importante – novamente. Passamos o dia juntas, vendo TV, cozinhando, jogando cartas e conversando (na verdade ela contava histórias de como meu pai era incrível). Tentei dizer a ela que iria comprar frutas no centro para poder ver Rick, mas ela não me deixava passar da porta. Eu sabia que tinha algo errado, mas estava começando a achar que era por causa do meu aniversário que chegava em breve. Sempre que falava do trabalho dela, mamãe mudava de assunto. Perguntei de novo quem era Mike e até brinquei de que poderia ser um amante e ela quase me bateu. Suas reações estavam ficando cada vez mais assustadoras. O dia foi agradável ao máximo e fui dormir bem cansada. Mas no dia seguinte quando era para tudo voltar ao normal... Minha mãe me impediu de sair mais uma vez. - Zahra, me faça companhia hoje também. Já liguei para a sua escola e já avisei que você não irá mais nesses últimos dias. – eu a encarei e minha nuca esquentou de raiva. - Você, o quê? - Não tenho me sentido muito bem, princesa. Preciso da sua companhia. Ela tentou me abraçar, mas eu a empurrei. - Fique longe de mim. Seja lá o que está acontecendo eu vou descobrir! Tentei sair de casa correndo, mas dois homens imensos estavam de guarda na porta. Olhei para minha mãe e caminhei até ela. - Me deixe sair agora, se não eu queimo toda essa casa com ou sem você dentro! – minha ameaça estava mais do que clara. Mas era como se não fosse eu dizendo aquilo. Minha mãe ficou como se tivessem encostado em uma ferida. Lisa se encolheu toda e deu vários passos para trás. - Deixem ela passar. Não me responsabilizarei por suas ações. Eu sai de casa em disparada, Lisa nem teve a intensão de me seguir. Quando eu ia virando na curva em direção à escola, eu a olhei de relance e a vi ao telefone entrando em casa. Corri ainda mais rápido, meu coração estava muito acelerado e a marca em meu pescoço formigava. A adrenalina tomava conta de meu corpo. Quando cheguei no portão do colégio, vi cerca de 20 soldados de Autothis na entrada. Seus cabelos ruivos deixavam minha visão embaçada. - O que.... está... acontecendo? Minha cabeça girava, minhas pernas não me sustentavam. Ao tocar meu pescoço notei um dardo e ao retirá-lo xinguei baixinho antes de adormecer no asfalto. - Onde está meu filho? Onde está? Me devolvam meu filho! – uma voz masculina bem ao longe subia aos meus ouvidos com tom de lamentação. – Ele não tem culpa alguma! Ela é uma bruxa! Ela o seduziu! Me devolvam meu filho! Richard!!! Estou acordada. Estou ouvindo claramente a voz. Estou acordada. – Meus olhos se arregalaram quando ouvi aquele nome. Não pode ser, não pode ser. Meus pensamentos voavam. O que aconteceu com Richard? Minha cabeça doía amargamente. A queda deveria ter sido pior do que imaginei. Tentei me mexer, mas nenhum m****o me respondia adequadamente. Tentei levantar minha cabeça, mas a mesma estava presa também. Por fim, eu percebi que estava amarrada a uma cama num quarto m*l iluminado e as vozes que eu ouvia vinham da porta, mas de um lugar bem distante dali. Ouvi barulho de passos mansos pelo quarto – que estava devidamente fechado. Havia alguém lá dentro me observando todo o tempo. A pessoa se aproximava e uma música começou a cantar. - " Eu deixei o mundo para poder te abraçar.... Mas você me abandonou para o mundo encontrar. As raízes do amor eu as deixei – em um lugar onde ninguém jamais encontrará. O beijo doce e o último presente seu... Eu guardarei como memória deste amor." – a voz doce do homem que cantava se silenciou e de seus lábios uma delicada risada surgiu. – Zahra Vlayer, a menina amaldiçoada por todos. O homem puxou uma cadeira que estava próxima e se sentou onde a fraca luz podia alcança-lo. Seus cabelos eram ruivos como o fogo e seus olhos verdes tão profundos que me perfuravam. Ele riu novamente. - Sabe o que acho engraçado? Que seu namoradinho achava que você iria salvar a humanidade. – naquele instante comecei a tomar nojo do rosto daquele sujeito asqueroso, mas o fato dele falar de Ricky tão tranquilamente me dava um certo medo. - O que você fez com Ricky? Ele não tem nada a ver comigo, deixe ele de lado. - Ah! Então admite que Richard Fire era seu namorado? – meu sangue gelou. - Mas é claro que não. Ele é apenas um amigo da escola, nunca tivemos esse tipo de relacionamento. – o homem gargalhou e coçou a testa. - Bem, segundo "colegas" seus de classe, vocês andavam muito juntos. E um deles jurou que ouviu Richard uma vez se declarando a você. Miseráveis. Todos eles. Vão morrer. Vou m***r todos. Como puderam fazer isso com Ricky? Não é possível, deviam estar sob muita pressão... Era por isso que minha mãe não... - Eu o recusei. Nunca fomos mais do que amigos na escola. - Ora, ora... Então parece que cometi uma injustiça com seu amigo, Ricky. – minha respiração ficou mais rápida e meu coração martelava em meu peito, o homem sorriu e se levantou. – Eu o matei hoje mais cedo. Minha respiração parou por completo no momento seguinte. Eu não consegui me lembrar de como era respirar. Minhas mãos estavam tão fechadas e os nós de meus dedos deviam estar roxos. Fechei meus olhos e soltei finalmente o ar, e quando o fiz todas as amarras se desfizeram num estalo e o homem que já caminhava para a porta olhou para trás. Eu me levantei num pulo e corri na frente dele, passando pela porta e pelos outros guardas. Um deles me puxou pelo cabelo e me deu uma chave de braço. - Connor, senhor! Contive a prisioneira. – anunciou o homem que tentava me segurar. Eu olhei para Connor e ele sorriu, como se estivesse impressionado. - Deixe que vá. Nosso trabalho já foi feito aqui. O homem me soltou e cuspiu em mim. - Bruxa. – sussurrou. Eu o dei uma joelhada entre as penas e sai correndo pelo corredor. – Sua... – começou dizendo, mas se conteve. Sai virando pelo corredor e descendo uma centena de escadas. Passei por vários homens de terno e todos me olharam com desdém, uma vez que além deu estar um pouco machucada eu estava muito suja. Quando parei para dar uma olhada ao redor percebi uma coisa... Eu estava no prédio mais alto de toda a cidade. O prédio do conselho. Minhas pernas estavam ardendo da corrida desnecessária e meus olhos já não aguentavam mais ver. Cai de joelhos e em prantos no meio do salão principal. Todas as pessoas ao redor pararam para ver meu grito de lamentação, enquanto eu me debatia com o chão e dizia que eu não ia conseguir sozinha, aquilo era um inferno. Alguém tocou meu ombro e eu empurrei para longe. Meu pai caiu de b***a e me olhou assustado. - Zahra. – tentou falar. – Filha, vamos para casa. Como eu não quis me mover ele veio até mim e me pegou no colo. - Vai ficar tudo bem, princesa. Vai ficar tudo bem. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
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