Antes mesmo de abrir os olhos, Elona já existia num espaço entre o sono e o terror. O calor da cama não era conforto — era prisão. Os lençóis, embora macios, tornavam-se grilhões em sua mente fragmentada. Ela respirava com dificuldade, o peito preso por uma ansiedade invisível que ameaçava sufocá-la. As últimas lembranças dela a atormentavam e o rosto de Sora vinham como o de um demónio na sua direção. Ela queria esquecer o que tinha vivido, a dor, o medo e a humilhação, mas sua mente insistia em trazer tudo a tona nos seus mínimos detalhes. Havia vozes distantes, mas ela não sabia de onde vinham — talvez fossem ecos antigos, fantasmas de uma realidade que recusava esquecer. O corpo doía, mesmo sem feridas. Era como se a memória se fizesse carne, lembrando-a de cada toque invasivo, cada

