Sayuri entrou no carro e, antes que Yuki pudesse perguntar qualquer coisa, ela disse, com a voz firme:
— Vá para o galpão. — O sangue dela fervia ao pensar na situação que a mulher que haviam resgatado se encontrava.
Yuki lançou um olhar silencioso à irmã, captando toda a determinação que havia nela naquele momento. Não questionou, apenas assentiu e deu partida no carro, conduzindo-os pelas ruas escuras e silenciosas até o destino que Sayuri tinha em mente.
O comportamento de Sayuri não o surpreendia, ela podia ser a princesinha da família, aquela a quem todos cuidavam com tudo o que tinha, mas na noite escura e sombria em lugares onde alguém em sã consciência jamais pisaria sua irmã estava. E diferente do que todos pensavam, Sayuri lidava com mais sujeira do que o seu rosto inocente permitiria revelar, e aquele lado apenas os mais próximos viam, nem mesmo o seu pai já a tinha visto daquela forma.
O percurso foi silencioso, marcado apenas pelo som do motor e pelo leve tamborilar dos dedos de Sayuri no apoio de braço. Ao chegarem ao portão do galpão, os soldados já estavam em alerta, como se pressentissem a sua chegada. Assim que ela desceu do carro, eles se aproximaram rapidamente, formando uma barreira protetora ao seu redor.
Um dos soldados abre a porta e se inclina fazendo uma reverência perante a presença dela.
— Bem-vinda de volta, chefe! — disseram em uníssono, inclinando ligeiramente as cabeças em saudação.
Yuki sempre se surpreendia com aquilo, a sua irmãzinha tinha criado uma imagem respeitável no meio dos seus seguidores e no submundo. A idade pequena de Sayuri não era obstáculo para que ela alcançasse os seus objetivos.
Sayuri apenas assentiu, o olhar determinado, e seguiu para o interior do galpão. Yuki caminhava logo atrás, atento a tudo. Eles passaram pelos corredores até chegarem ao laboratório improvisado.
Ao abrir a porta, Sayuri se deparou com Julia, parada ao lado de uma maca, onde vários instrumentos médicos estavam organizados. A surpresa foi inevitável, mas logo a compreensão suavizou os seus traços. Ela sabia exatamente o que Julia queria — estar ali, próxima da mulher que tinham resgatado, garantir que ela sobrevivesse.
Julia era uma das pessoas mais leais que Sayuri tinha trabalhando para ela, e quando havia pedido que ela cuidasse da mulher que encontraram ela já imaginava que ela cuidaria disso pessoalmente.
Sayuri se aproximou, ficando frente a frente com Julia.
— Leve-me até ela — pediu, sem rodeios.
Julia assentiu e a conduziu por um pequeno corredor até um quarto reservado e silencioso, afastado do movimento do galpão. Ao entrar, Sayuri parou por alguns segundos, observando a cena com pesar. A mulher estava deitada na cama, imóvel. Os cabelos ruivos, agora opacos e sem vida, se espalhavam sobre o travesseiro. O rosto pálido realçava ainda mais as sardas delicadas que marcavam a sua pele.
— Tão linda e já passando por tanta coisa. — Diz Sayuri.
— Ela ficará bem, temos os melhores profissionais aqui, e o que faltar podemos providenciar. — Diz Julia orgulhosa das instalações deles.
Sayuri respirou fundo, contendo a angústia que crescia dentro de si. Pegou o telefone do bolso, aproximou-se silenciosamente da cama e tirou uma foto da mulher. Sem perder tempo, enviou a imagem para Ricardo, sabendo que ele seria o mais rápido para rastrear as origens daquela mulher, descobrir quem ela era e, principalmente, o que Masato queria com ela.
— Mandou para a foto para a Fênix? — Pergunta Yuki caminhando ao lado dela.
— Sim. Já estamos investigando muita coisa, e Ricardo será bem mais rápido para conseguir informação sobre ela.
— Isso é verdade. Mas sei que ele apenas fará isso por que é você que está pedindo. — Diz ele com a sobrancelha arqueada. Sayuri apenas sorri para ele.
Assim que deixou o quarto, Sayuri procurou pelo médico responsável, que estava em uma das salas anexas, analisando alguns exames.
— Doutor — chamou, ao encontrá-lo. — Quero mais informações sobre ela. Tudo o que puder me dizer.
O homem se levantou rapidamente, pegando uma prancheta. Sabia que sua chefe não gostava de ser enrolada. Sayuri gostava das suas coisas bem organizadas e pagava muito bem por esse serviço.
— Claro, senhorita. O estado dela ainda é crítico, mas conseguimos estabilizar os sinais vitais. Ela está desidratada e apresenta diversos hematomas, além das informações que Julia já deve ter lhe passado. Estamos fazendo o possível para que ela fique bem. Já conversei com um ótimo psicólogo e ele aceitou a tratar quando acordar. — Sayuri olha para o médico satisfeita com a sua resposta, ele estava sendo eficiente algo que ela presava bastante.
Sayuri assentiu, absorvendo cada palavra.
— Quero um relatório completo até o amanhecer. Quero cada pequena informação sobre ela. O seu tipo sanguíneo marcas pelo corpo, tudo o que puder encontrar. — Sayuri enviaria o relatório para Ricardo, ela esperava facilitar o trabalho dele em buscar as origens dela.
O médico confirmou com um gesto e voltou ao trabalho. Sayuri permaneceu alguns segundos parada, olhando através da pequena janela que dava para o quarto onde a mulher descansava, enquanto Yuki se aproximava, colocando a mão suavemente no ombro dela.
— Vamos conseguir, irmã. — Ele sabia o que se passava pela mente da sua irmã, e não queria que ela ficasse ali por mais tempo.
Sayuri não respondeu de imediato, tudo o que ela via a sua frente era a cabeça de Masato. Sayuri não se considerava uma justiceira, não, ela gostava da boa e velha vingança, onde não havia regras e nada que a impedisse de fazer as coisas do seu jeito, e naquele momento era aquela vingança que motivava ela ir atrás de Masato.
— Pretendo acabar com cada negócio que Masato tem, e vou começar por suas grandes empresas. — Diz ela com um sorriso de canto.
Masato como outros homens de organizações criminosas tinha um nome na midea comum, e era esse nome que Sayuri pretendia arrastar na lama da pior forma possível, ela faria o império dele ruir.