- Eu já contei aqui que na minha adolescência namorei bastante, curti, tive até um primeiro namorado que não ficou muito tempo comigo, por algum motivo que antes não compreendia, este garoto que eu gostei muito, não permaneceu e após ele, vieram outros e também não duraram nada em tempo, mais ou menos os meus namoros duravam estourando um mês! Pouquinho tempo não é? Com 14 anos morava em Gravatá, uma cidade linda no agreste de Pernambuco, um sonho de lugar, lá eu comecei à namorar um menino, ele era um bom garoto, mas, como sempre não durou e dessa vez pelo medo, ele era trabalhador e vendia utensílios e móveis, de porta em porta, era um trabalho digno, ele tinha quinze anos e morava na cidade que eu nasci, mas, como eu morava no tempo em outra cidade, ele ia me visitar e passava os fins de semana em minha casa, a minha mãe não o proibia e tomava conta dele também, pois ele era um menino respeitador demais, ele tinha 15 anos, um menino mesmo. A minha avó o conhecia, mas, ao saber que ele ia para a minha casa, ela reclamava com a minha mãe e inventou que o rapaz tinha participado de um roubo de moto juntamente com o tio e que tinha saído a foto dele na televisão, eu não acreditei, e continuei com ele, então um dia ela mandou que o meu tio fosse me bater porque sabia que eu estava na cidade e que eu tinha ido encontrar o garoto, estava na casa da minha tia esperando minha mãe quando o meu tio apareceu lá, dizendo que se eu não terminasse o namoro ele ia me bater na minha mãe, eu com muito medo terminei com ele, muito triste e o coitado do menino chorou igual uma criança, ele não tinha culpa de nada e foi acusado injustamente, só porque morava com o tio e a avó, mas, o tio dele era culpado sim! Enfim, após uns meses, voltei para a minha cidade de origem, e nem imaginava que ia conhecer a pessoa que iria destruir os meus sonhos em forma de “amor da minha vida “!
- Passei por muitas coisas entre esse tempo, tenho uma prima que na época namorava um rapaz, olha só, ela se fingia de mais velha e ele de mais novo, há, ela tinha 12 anos quando começou a namorar esse rapaz e ele tinha 15 mais ou menos, então a minha prima me enchia a paciência para sair com o cunhado dela, claro que ela tentou várias vezes nos apresentar, os dois irmãos tinham cabelo grande, cara de (maloqueiros), expressão que usamos bastante aqui, os famosos delinquentes juvenis, enfim, chegue no tempo a falar com o cunhado dela, que ela fazia a maior propaganda e dizia que éramos um par perfeito. A minha prima quando completou 14 anos fez uma festa e lá estava ele, o cunhado, e o conheci, mas, ele era muito calado, se dizia tímido, eu claro, não fui com a cara do meliante, fiquei com outros meninos, estudava e já tinha quase 16 anos, passei por amores ruins, tive um namorado inclusive que foi o primeiro a mentir pra mim e me enganou, tinha namorada e ficava atrás de mim, descobri, chorei decepcionada, pois gostava muito dele, ainda bem que me livrei, seriam hoje anos de chifre recorrente, enfim, passei por tudo o que deveria passar não é? Minha prima engravidou em seguida, teve seu primeiro filho e foi para São Paulo, com o pai do filho claro, passou lá 2 anos e dentro desse tempo, eu o vi novamente, o cunhado, estava eu, minha mãe e minha irmã no ônibus indo para a casa de minha avó na praia, ele estava lá, pendurado na porta traseira do ônibus, de tranças no cabelo e aquela visão foi ainda pior que a primeira que eu tive quando o conheci, ele não era nada bonito, tampouco me atraia em nada, e ele me cumprimentou e foi só isso. Passaram-se uns meses e no Natal fui comemorar na praia com uma prima minha, minha irmã e meu cunhado, naquele dia estava eu com um carinha que eu não tinha nada e ele achava que era meu namorado, pode isso? Bom, deixei ele plantado e encontrei com a cunhada de minha prima Taty, ela estava com quem?
- Exatamente, o irmão, cunhado de minha prima, e me apresentou a ele novamente, estava dessa vez mais apresentável, cabelo em corte moicano, estilo skatista, até dava um caldo, mas, eu não fiquei ali muito tempo, saí com um amigo e, bom nem preciso contar que era um ficante provisório, enfim, quando voltei, fiquei lá com o carinha chato e minha prima, depois veio a minha irmã e fomos embora para casa, óbvio que a virada de ano foi bem melhor, passei com um carinha que nossa, lindo demais ele era, mas foi só uma vez mesmo, há, há, valeu a pena! Fiquei famosinha participando de uma plateia num show de verão na praia mesmo e foi perfeito, as melhores férias que já tive, ao regressar para casa recebi o convite do casamento do primo de minha mãe, nesse tempo ela estava casada com um homem mais velho, era pra ser um cara descente, mas, ele era um horror e além de tudo era deficiente de uma perna, mas, pensa num velho r**m, enfim, estava lá na frente de casa observando a rua, quando para um carro na frente, e advinha quem era?
- Sim, era ele, o homem que iria destruir a minha vida em um Monza vermelho, acompanhado de um menininha que era o filho de minha prima com o irmão dele, e ele pediu água para o garoto, claro eu fui pegar e eles entraram e conversaram com a minha mãe e ela, após o rapaz ir embora me disse:
-" Filha, tá vendo esse rapaz? Dá certinho pra você, está solteiro, você também, aproveita!”
- Mãe, a senhora me empurrou pro meu algoz! Mas a culpa não foi dela, eu acabei o vendo um pouco melhor, então, na mesma tarde ele passou na frente de casa e eu estava ali, sentada no muro como sempre, ele indo trabalhar e eu o chamei para ir comigo ao casamento do primo de minha mãe, ele disse que teria um campeonato para ir e que se desse tempo passaria por lá pra a gente conversar. No dia seguinte, a minha prima e sua cunhada foram em casa arrumar os cabelos para o casamento, conversamos e elas ligaram para ele pra confirmar, ele disse o mesmo que havia me falado, as duas continuaram insistentes, e chegou o dia, me lembro como se fosse ontem, dia 29 de maio de 2007, aquele dia serei a minha sentença, aquele dia foi o último que me lembro ter paz, aquele dia foi quando o terror da minha vida começou, saí apenas para não estar só, comecei em uma conversa a ver que ele era interessante e que tinha um bom papo, não o amava claro, mas, para uma pessoa que não tinha experiência com relacionamento, que não sabia o que era estar em um, acreditei que por ele ser 4 anos mais velho que eu seria a melhor opção, o via responsável, trabalhador, gentil, era bastante brincalhão e também dedicado, me ligava várias vezes por dia, estava sempre ali, ia me ver na minha casa, pediu a minha mãe para namorar em casa e foi como um sonho, sempre sonhei com namorar, casar e ter filhos, uma casa linda e muito amor, companhia, por um breve momento senti que tudo aquilo ia se realizar, o nome dele é Gleison e ali começaria todo o meu tormento!