Mia Ambrose

1175 Words
**Aeroporto de Guarulhos - São Paulo, Brasil** *Mia narrando* Hoje é um daqueles dias que marcarão minha vida para sempre. Anos de economias meticulosamente guardadas, noites sem fim de estudo dedicado à língua italiana e um fervoroso desejo de explorar além das fronteiras familiares me trouxeram aqui, diante da oportunidade de embarcar em uma jornada que transcende o ordinário. Acho que hoje é o dia mais feliz da minha vida. Eu economizei por anos para essa viagem e fiz aulas de italiano com uma vizinha. Agora, finalmente, sou fluente. Minha amiga vai comigo, e por isso estou atrasada. Amo ela, mas a bichinha é superatrasada. Vejo-a correndo em minha direção e cruzo os braços. — Atrasou por quê? — pergunto. — Calma, amiga. Só quis comprar umas lingeries sexy. Vai que eu fisgo uma italiana bem gostosa e dominadora ou um italiano com p*u grande? — Alice fala e dou risada. Ela é bissexual assumida e trabalha como sexóloga. **ÚLTIMA CHAMADA PARA O VÔO 358** — É o nosso, vamos! — falo e saímos correndo. Vamos pegar um voo direto de 12 horas. Já preparei um remédio para dormir no avião. — Ufa, deu tempo — Alice fala animada, e eu despacho nossas malas. Corremos para embarcar e chegamos a tempo. Todos estão sentados, olhando feio para a gente. — Desculpa — falo, e andamos para nossos lugares. — Coloquem o cinto, por favor. Já vamos decolar — a aeromoça fala, e sinto um frio na barriga. Odeio viajar de avião. Sou enfermeira de emergência e já cuidei uma vez de pessoas que caíram de um jatinho. Duas mortes e os outros três gravemente feridos. — Calma, amiga, eu estou aqui — Alice tenta me tranquilizar, e começo a respirar fundo. Quando estamos no ar, fico ainda mais tensa. Agora, se cair, caiu. — Moça, você pode me trazer uma água, por favor? — peço para a aeromoça, que volta rapidinho com meu pedido. Engulo o remédio e fico tensa, esperando o efeito dele. [...] Acordo no susto e vejo que ainda estamos no avião. Todos estão dormindo e uma tempestade acontece do lado de fora. — Senhora, quer cobertores? — um comissário de bordo pergunta, e eu n**o. — A gente vai cair? Está tendo uma tempestade e... — Fica tranquila. Estamos mais seguros aqui em cima do que na terra. Daqui a uma hora, chegaremos na Itália. Se não deseja nada, irei me retirar — ela sai, e fico mais nervosa ainda. — Está acordada? — Alice fala, acordando. — Humrum. Volta a dormir — falo baixinho, e ela n**a, olhando para mim. — Eu cuido de você. Vem, maninha — a abraço, e fico mais calma. Alice e eu crescemos juntas, correndo nos corredores do hospital. Meu pai estava doente, e o pai dela era médico. Eu era órfã de mãe, então vivia com meu pai naquele quarto. Graças a toda aquela equipe de saúde, ele saiu do hospital e hoje é um senhor quase saudável que come batata frita escondida e nunca irá admitir isso. Batalhamos muito quando ela se assumiu. Muitas meninas ficaram com preconceito, e até mesmo o pai dela demorou para aceitar, mas hoje ele tem mais que orgulho dela. Eu também me orgulho muito, mas morro de vergonha dos conselhos e dos presentes que ela me dá. Vocês acreditam que ela me deu um vibrador do Hulk depois de eu convidá-la para ver "Vingadores" no cinema? Quase desmaiei de vergonha. — Amiga, eu queria um sorvete — ela fala e boceja de cansaço. — Eu também. Vamos chegar lá de manhã. Podemos deixar as coisas no hotel e sair para tomar café — falo, e ela me levanta. — Precisamos falar com o Juan. Ele vai ser nosso guia, lembra? Ele não me respondeu mais. — Será que na ligação eu fui muito grossa? — pergunto, e ela n**a. — Por favor, ajustem os cintos. Iremos pousar — a aeromoça fala, e todos arrumam as cadeiras e cintos. Agarro o braço de Alice, e ela ri do meu medo. Eu vou jogar essa mulher da janela se ela fizer piadinha. — Se estivesse usando um dos brinquedos que eu te dou, estaria concentrada em outra coisa — ela fala, e bato nela. — Você sabe que eu nunca usei aquilo. — Um dia você vai, e vai ver o quanto perdeu — ela fala e faz carinho na minha cabeça como se eu fosse um cachorrinho. [...] Chegamos no hotel, e uma atendente sorri para a gente. — Nomi? — ela pergunta. — Mia Ambrose e Alice Spellman — Alice fala, e um funcionário que estava lendo uma revista nos olha interessado e se aproxima. — Estrangeiras — ela fala agora em uma das línguas que entendemos. — Aqui a chave do quarto de vocês. Aproveitem o hotel. Pegamos a chave e subimos. O homem nos olha até a porta do elevador fechar. Que cara louco. Me jogo na cama de casal do quarto, morta de cansaço, mas estou com muita fome ainda. — Vamos comer? — Alice fala animada, tirando sexo ou falar sobre isso, ela ama comida. — Vamos — me levanto animada. Alice é assim, sempre pronta para a próxima aventura, seja ela gastronômica ou sensual. Sua mente é um labirinto de curiosidades e desejos, e estar ao seu lado é como ter acesso a um universo de possibilidades infinitas. É por isso que, apesar de todas as suas piadas malucas e presentes excêntricos, eu não trocaria sua amizade por nada neste mundo. Comemos em um restaurante próximo, e Alice já está planejando a nossa próxima excursão, enquanto saboreamos cada pedaço de pizza. O entusiasmo dela é contagiante, e é difícil não me deixar levar pela empolgação quando estamos juntas, isso sempre foi meu sonho, e estar junto a minha melhor amiga aqui é incrível: — Vamos ligar para o Juan depois do jantar? — pergunto, e ela assente com um sorriso. —Nem me fala naquele figlio di una puttana Mia, ele deveria ter nos buscado no aeroporto, vou pegar nosso dinheiro de volta se o desgraçado não aparecer — ela exclama irritada — ele realmente é um golpista, que ódio dele— confesso pensanso no meu tão suado dinheiro Mas ai me dou conta e rio da situação, ainda assim é incrível: — olhe pelo lado bom, estamos passando raiva? Sim! Mas estamos passando raiva na Itália— digo rindo e ela me acompanha — Claro! Vamos descobrir o que esta cidade tem a oferecer, Mia. É hora de explorar o desconhecido! — ela exclama, levantando-se da mesa. E, com um brilho nos olhos e um sorriso nos lábios, seguimos em frente, prontas para enfrentar tudo o que a Itália tem reservado para nós: — Mas antes vamos retornar ao hotel? Quero descansar para curtir esse lugar a noite e toda a manhã— ela afirma e concordo para sua felicidade Por mim eu nem dormiria, viveria a base de enrgéticos e café toda a viagem, tenho medo de perder algo importante
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