Capítulo 5

915 Words
LAURA Ele me pressionava contra a parede, as mãos grandes percorrendo meu corpo com uma possessividade que me fazia tremer inteira. Aqueles olhos escuros queimavam de desejo enquanto a boca dele encontrava meu pescoço, deixando um rastro de fogo na minha pele. — Você é minha — murmurava contra minha garganta, a voz rouca de desejo. — Sempre foi minha. As mãos dele subiam pelas minhas coxas, empurrando o vestido pra cima, e eu arqueava as costas, perdida em sensações que nunca tinha experimentado antes. Queria protestar, queria dizer que não, mas as palavras morriam na minha garganta quando ele me beijava com uma fome que me consumia completamente. — Diz que é minha — ele ordenava contra meus lábios. — Diz que me quer. — Eu... eu... Acordei ofegante, o corpo coberto de suor e o coração disparado. A luz cinzenta do amanhecer tava entrando pela janela do quarto, mas eu ainda podia sentir o fantasma das mãos dele sobre minha pele, ainda podia ouvir aquela voz rouca sussurrando palavras proibidas no meu ouvido. — O que foi isso? — murmurei, passando as mãos trêmulas pelo rosto. Era a quinta noite seguida. Cinco noites de sonhos que me deixavam acordada, confusa e odiando a mim mesma. Cinco noites sonhando com as mãos do Thalles no meu corpo, com a boca dele na minha, com a voz dele me chamando de "sua". Cinco noites me entregando nos sonhos pro homem que eu tinha rejeitado na vida real. Me levantei da cama e fui até o espelhinho pendurado na parede. Tava pálida, com olheiras escuras que eu não conseguia disfarçar nem com maquiagem. O pior era a forma como meu corpo ainda vibrava com os resquícios do sonho, como se cada parte de mim tivesse desperta e esperando por um toque que nunca ia vir. — Que nojo — sussurrei pro meu próprio reflexo. Como eu podia tá sonhando com aquilo? Com ele? Thalles representava tudo que eu desprezava: violência, controle, a ideia de que mulher é objeto pra ser conquistado. E mesmo assim, toda noite, minha mente traiçoeira criava cenários onde eu me rendia completamente pros desejos dele. Onde eu gostava de me render. — Laura? — A voz sonolenta da minha mãe veio do outro lado da parede fininha. — Tá tudo bem, filha? — Tá sim, mãe. Só levantei pra beber água. Fui até a cozinha pequena e enchi um copo com água gelada, bebendo devagar enquanto tentava espantar as imagens que ainda dançavam na minha mente. As mãos dele na minha cintura, a forma como me olhava como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo, como se... — Para! — sussurrei pra mim mesma, batendo o copo na pia com mais força do que queria. Precisava parar com aquilo. Eram só sonhos, reflexos de uma mente estressada tentando processar uma situação anormal. Não significavam nada. Não significavam que eu queria o Thalles, que pensava nele, que... * * * No dia seguinte... O dia no trabalho passou arrastado. Tentei me concentrar nas tarefas, mas vivia me pegando distraída, lembrando de pedaços dos sonhos ou, pior ainda, repassando cada palavra da conversa no apartamento dele. A forma como tinha dito "você vai implorar pra ser minha" com aquela confiança absoluta, como se fosse uma certeza. — Laura, você tá bem? — perguntou a Marlene, minha colega de trabalho. — Tá meio estranha hoje. — Só cansada — menti, esfregando mais forte o chão do banheiro. — É esse sol de rachar. Deixa todo mundo meio aéreo. — Marlene riu. — Ainda bem que é sexta. Fim de semana a gente descansa. Descansar. Quase ri da ironia. Como ia descansar se toda vez que fechava os olhos via aqueles olhos escuros me encarando com uma intensidade que me fazia tremer? * * * A volta pra casa foi ainda pior. A cada esquina que virava, me pegava procurando por ele. Procurando pela silhueta alta e forte, pela corrente de ouro que brilhava no pescoço, pelos homens que sempre acompanhavam ele. Era como se meus olhos o procurassem automaticamente, independente da minha vontade. E quando finalmente vi ele, parado na entrada de uma das casas conversando com o Bruno e outros dois homens, meu coração disparou de um jeito que me irritou profundamente. Thalles tava de costas, mas mesmo assim eu reconheci ele na hora. O porte, a forma como os outros homens se posicionavam ao redor dele como soldados diante de um general, a maneira como gesticulava enquanto falava. Tinha algo hipnótico naqueles movimentos, uma confiança natural que... Ele se virou. Como se sentisse o peso do meu olhar, Thalles se virou exatamente na direção onde eu tava parada, e aqueles olhos escuros me encontraram imediatamente. Por um momento que pareceu eterno, nós nos encaramos através da distância da rua. Ele não sorriu, não acenou, não fez nenhum gesto. Apenas me olhou com aquela intensidade que me fazia sentir nua, exposta, como se pudesse ler cada pensamento pecaminoso que passava pela minha cabeça. Especialmente os sonhos. Senti meu rosto pegar fogo. Era impossível, mas tinha certeza que ele sabia. Sabia que eu sonhava com ele toda noite, que acordava com o corpo em chamas desejando coisas que nem sabia que queria. A forma como me encarava, com aquele meio sorriso nos lábios... Desviei o olhar rapidamente e acelerei o passo, praticamente correndo pra casa. Mas podia sentir os olhos dele queimando minhas costas, seguindo cada movimento até eu sumir de vista.
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