Foi tudo tão estranho. Ele foi cuidadoso o suficiente, mas tudo que acabei de fazer era tão diferente de mim. Ao mesmo tempo, nunca tive tanta me*rda caindo no ventilador ao mesmo tempo, antes. Eu senti como se o meu cérebro estivesse desligando, como se estivesse acelerando devido a todas as informações ruins que me atingiram ao mesmo tempo. Na verdade, devia ser muita coisa para qualquer um: ser demitida, descobrir que foi traída e ter uma experiência de quase morte, tudo em cerca de uma hora, certamente faria isso com você.
Eu nem tinha certeza de por que estava agindo assim, seguindo todos os pedidos de Hoka e do médico. Foi mais fácil do que pensar, suponho, mais fácil do que abrir a porta para a parte do meu cérebro que estava tentando processar tudo, gritando por alívio.
O médico pegou o sangue, marcou-o e eu tirei o meu outro sapato enquanto lhe dava os meus dados de contato para obter os resultados.
Ele me ajudou a descer e eu tentei pressionar o meu pé, ofegando quando um solavanco doloroso subiu pela minha perna.
O médico me lançou um olhar que parecia dizer: ‘ Sério, o que acabei de dizer? '
— Eu preciso andar. Eu disse defensivamente.
Ele suspirou com resignação. — Pelo menos reduza ao mínimo e evite colocar muito peso sobre ele, e também... Ele apontou para meus calcanhares. — Isso não servirá por algumas semanas, no mínimo.
Franzi a testa para os sapatos na mesa de exame, como se eles fossem os culpados por toda essa provação e não a minha própria impulsividade. Eu nunca mais usaria saltos estúp*idos.
Olhei para meus pés descalços no chão frio. Eu teria que me dar ao luxo de ir para casa no Uber, apesar do estado das minhas finanças. Eu não conseguia andar descalço no transporte público.
Talvez tenha sido carma instantâneo. Decidi pegar um Uber para a casa do Jake. só por que não era eu que estava pagando, e lá estava eu, pagando a minha própria viagem para casa.
— Isso não será um problema.
— Muito bem, vou deixar você se juntar ao seu... Ele parou, detalhando o meu rosto mais uma vez, como se não conseguisse calcular que Hoka e eu estávamos em algum tipo de relacionamento.
— Amigo. Ofereci, porque de alguma forma soava melhor do que 'estranho que quase me atropelou '.
— Certo. Ele olhou para mim por mais um instante antes de bater o dedo no gráfico. — Devo receber os seus resultados em alguns dias. Ligaremos para você então.
— Obrigado novamente por tudo.
Voltei mancando para a recepção e vi Hoka através de uma porta de vidro. Ele estava numa sala falando ao telefone.
Quando seus olhos encontraram os meus, meu estômago embrulhou com a intensidade. Alguém já se acostumou com os olhos dele? E eu não estava me referindo apenas à cor, mas também à ferocidade por trás deles.
Ele desligou e voltou, mantendo os olhos em mim e eu fiquei hipnotizada, esquecendo da dor e de tudo o que aconteceu hoje por alguns segundos.
— Você está bem?
Quando balancei a cabeça, ele olhou para trás.
— Não há nada muito sério, apenas alguns arranhões profundos e uma torção no tornozelo. O médico respondeu e eu virei minha cabeça para encontrá-lo bem atrás de mim,
Que idio*ta! Ele precisava ter certeza de que eu não estava mentindo.
Virei-me e olhei para Hoka, fazendo-o rir.
— Tenho a sensação de que você prefere colocar fogo em si mesmo do que admitir que precisa de ajuda.
Abri a boca, mas fechei novamente. Como ele poderia saber disso? Eu era realmente tão transparente?
Ele olhou para o médico e baixou ligeiramente a cabeça. — Arigato gozaimasu. Ele murmurou antes de se concentrar novamente em mim, ou melhor, nos meus pés descalços.
O médico disse algo que não entendi antes de chamar o próximo paciente da sala de espera.
Hoka estendeu a mão para a recepcionista e ela lhe deu uma pequena sacola.
Olhei para ela com curiosidade antes de me virar para Hoka.
— Suspeitei que você não seria capaz de andar sobre eles hoje. Aqui. Ele estendeu a bolsa.
Hesitei antes de pegá-la. A minha mãe sempre disse para nunca confiar num homem, especialmente naquele que parecia perfeito demais. E este tinha sido mais do que perfeito desde o momento em que nos conhecemos.
Peguei a sacola e tirei a caixinha branca. Cuidadosamente, abri e encontrei um par de sapatilhas de couro bege.
— Eles se adaptam ao tamanho dos seus pés? Perguntou a recepcionista. — Sinto muito, foi tudo que consegui encontrar em tão pouco tempo.
— Ah, não, não. Está perfeito. Cometi o erro de ficar em pé com o pé machucado e estremeci. Muitas vezes eu ficava inquieta quando estava envergonhada e aqui estava recebendo um pedido de desculpas de uma mulher que fez tudo por mim. Isso foi tão injustificado.
— Eu realmente aprecio isso e sinto muito pelo problema, de verdade.
Na verdade, eu estava desesperada demais para não aceitar esta instituição de caridade. Esses sapatos significavam que eu poderia pegar o ônibus para casa e economizar pelo menos vinte dólares. Uma quantia nada pequena para uma idio*ta desempregada.
Hoka pegou a caixa e eu a segurei com mais força, não pronta para soltá-las.
— Não me carregue. Eu o avisei. Agora que ele sabia que não era uma lesão grave, não poderia me fazer passar por aquele constrangimento novamente.
— Não me carregue. Ele concordou com uma risada baixa que causou uma sensação estranha no meu estômago.
Ele pegou os sapatos macios da caixa e eu engasguei de surpresa quando ele se ajoelhou na minha frente e pegou o meu pé para calçar o sapato.
Enquanto os seus dedos quentes traçavam o arco do meu pé, senti como se o meu pé estivesse em chamas, enquanto uma onda de outro conjunto de sensações desconhecidas causava um arrepio de prazer que percorreu toda a minha perna até a base da minha coluna.
Ele parou, hesitando apenas por uma fração de segundo.
Quanto mais constrangimento eu poderia suportar em um dia? Quão triste foi que o simples toque dos seus dedos no meu pé me fez reagir de forma tão visceral? Eu esperava que ele interpretasse isso como uma reação dolorosa pela lesão e não como vergonhosamente era... pura atração.
Seja realista, Violeta, você é um caso de caridade. Nada mais do que a sua boa ação do dia. Ele é gostoso, muito mais velho e obviamente super rico. Controle-se... isso só pode significar trauma emocional, lembrou-me a vozinha da razão, que soava igual à da minha mãe.
Olhei para a recepcionista, que estava debruçada sobre o balcão, olhando para ele com os olhos arregalados, a boca ligeiramente aberta como se estivesse presenciando o impossível.
Ele deu um passo mais perto enquanto se levantava, e estava tão perto que eu podia sentir a ponta dos seus sapatos brilhantes tocando os meus através do couro fino.
Ele se elevou sobre mim e, quando olhou para baixo com um pequeno sorriso no rosto, esqueci como respirar.
— Você é extremamente baixa. Ele murmurou, ainda permanecendo muito mais próximo do que a sociedade ditava que estranhos deveriam estar.
Continuei olhando para cima, tão hipnotizada por seus olhos âmbar e pelas pequenas manchas verdes neles que esqueci momentaneamente como falar.
Ele ergueu uma sobrancelha, o seu sorriso se transformando num sorriso malicioso, e eu finalmente encontrei a minha voz.
— Eu... hum... eu não sou tão baixa assim. Nem todo mundo é assustadoramente alta, você sabe.
— Tenho um metro e noventa, não é tão incomum.
— Claro… Mas é óbvio que todos serão baixos para você. Tenho tamanho médio para uma mulher. Eu não o satisfaria informando que eu tinha, na verdade, apenas um metro e sessenta e cinco de altura. Um pouco abaixo da média.
— Se você diz. Ele respondeu brincando enquanto estendia o braço para mim. — Você pelo menos concordará que eu ajude você a descer?
Eu balancei a cabeça, apoiando a minha mão em seu braço antes de olhar para a recepcionista, que ainda estava olhando com tanta intensidade que ignorou completamente a mulher na frente do balcão.
— Obrigado novamente. Eu disse a ela antes de seguir o exemplo de Hoka até o elevador.
Quando o elevador começou a descer, virei-me para ele. — Obrigado mais uma vez, por tudo. Você foi muito além do que deveria.
— Era o mínimo que eu poderia fazer.
Não foi, nós dois sabíamos disso. O mínimo que ele poderia ter feito era verificar se eu ainda estava viva e seguir o seu caminho alegremente.
— Você vai ficar bem? Ele perguntou enquanto saíamos do elevador e saíamos do enorme corredor, felizmente atraindo muito menos atenção ao sair do que ao entrar.
— Sim, estou melhor agora. Eu me sinto como uma nova mulher!
Ele me lançou um olhar de lado que era claramente cético. Sim, talvez eu tenha exagerado nisso.
O meu estômago traidor escolheu aquele exato momento para roncar embaraçosamente alto.
Alto o suficiente para Hoka olhar para meu estômago com uma sobrancelha levantada.
— Na verdade, também estou com fome. Ele comentou, dando um tapinha na barriga lisa.
Eu duvidava muito que fosse verdade, mas estava com vergonha de dizer qualquer coisa.
— Conheço um lugarzinho adorável de comida japonesa, bem na esquina. Deve estar vazio agora, já que a hora do almoço já passou.
— Já tomei muito do seu tempo. Tenho certeza de que você tem alguns lugares para estar.
— Não mais. Vamos, vamos comer. Ele desceu as escadas e estendeu o braço para mim novamente.
Peguei o seu braço com um suspiro derrotado.