Lina piscou lentamente, tentando dissipar a neblina que nublava sua mente. Ao abrir os olhos, deparou-se com um ambiente desconhecido, iluminado por uma suave penumbra. Um lençol macio envolvia seu corpo, provocando-lhe a sensação de calor reconfortante.
Por um instante, ela hesitou, tentando assimilar o cenário ao seu redor.Aos poucos, as lembranças da noite anterior começaram a desenrolar-se diante de seus olhos. Imagens vívidas da companhia de Wolfgang ecoaram em sua mente.
Recordou-se da segurança nos braços dele, o conforto de ser transportada como se fosse preciosa. Era como se cada passo dado por Wolfgang carregasse consigo o peso da realeza, e agora, a presença imponente do lugar confirmava tal pressentimento.
Era o covil, o santuário do grande alfa da família Wolfgang.Lina ergueu-se cuidadosamente, deixando o lençol deslizar de seus ombros. Seus olhos percorreram o ambiente majestoso, absorvendo cada detalhe.
As paredes pareciam impregnadas de histórias antigas, testemunhas silenciosas das façanhas daquela matilha singular. A energia pulsante do lugar era inegável, como se o próprio coração da alcatéia batesse em uníssono com o local.
A luz filtrava-se pelas frestas das cortinas, lançando reflexos dourados que dançavam pelas paredes adornadas com símbolos ancestrais. Lina sentiu-se envolta por uma atmosfera carregada de tradição e poder.
"Dominik?"
Chamou baixo, mas não escutou resposta alguma. Não tinha nada com ela além de uma calça de moletom grande e uma blusa branca.
Não usava roupas íntimas e só havia ela naquele quarto.
Ela até se perguntou onde ele estaria, ela se lembrava das mãos dele durante um banho. Lina fechou os olhos, com a cena mais sensual em sua mente.
A gota de água deslizando entre os s***s dela e ele chupando o caminho, com a língua quente e ágil.
Céus, parecia um conto de fadas.
Ela, como uma Cinderela e ele como um príncipe. Ela nem gostava desse tipo de história.
Ela precisou se sentar pra pensar no que faria. Parecia que ela estava em uma nova temporada da sua vida, prestes a entender o propósito.
Sua transformação.
Seu encontro com Wolfgang.
A perda de Mary.
Sem emprego nenhum.
Era mudanças enormes. Entrou em um pânico momentâneo, onde seu coração bateu rápido e ela soube que teria que voltar pra casa e resolver tudo.
"Acho que devia me organizar melhor", disse, sozinha e dando um suspiro fundo. "O que vem agora?"
Ela se jogou para trás, seu olhar encarando o teto e ela refletindo sobre sua vida, a infância e até a entrada na casa dos Colin.
Agora ela estava na mansão Wolfgang, onde mulheres se matariam pra estar.
O animal dentro dela estava satisfeito, parecia ter ganhando tudo e ao mesmo tempo ficado exausta.
Lina ficou de pé, olhou para o lugar tranquilo e tomou uma decisão.
Iria arrumar as coisas do dia anterior. Iria até os Colin fazer a demissão de forma certa, voltaria pra casa e talvez no fim do dia, ela ligaria pra Wolfgang pra chamá-lo pra tomar alguma coisa.
Se ela fosse mesmo a escolhida para estar ao lado dele. Ele precisava saber de onde ela estava vindo, ela era de uma família humilde, não tinha posse, não tinha nome e nem bons pais. Não sabia de onde vinha ou como aconteceu.
Lina Morris, residente da alameda 18 no bairro baixo da matilha, carregava consigo as marcas de uma linhagem dedicada às famílias proeminentes. Com dezoito anos, sua juventude era tingida pela tragédia da perda inexplicável de sua tia, um evento que deixava seu coração apertado, repleto de interrogações sem respostas.
Entre as lembranças que a assombravam, destacavam-se os bailes onde as murmurações sobre Dominik, o enigmático alfa, preenchiam os salões. As histórias das mulheres que cruzavam o caminho dele ecoavam em seus ouvidos, criando uma aura de complexidade ao seu redor.
A posição de alfa não conquistava o coração de Lina. Ao contrário, gerava preocupação. Dominik não se encaixava na definição comum de homem, e sua presença imponente não aceitaria paciência ou adiamento. Para Lina, gostar dele não podia ser reduzido à simples hierarquia lupina.
A inquietação de seu coração não se dissipava ao pensar em Dominik. A ideia de enfrentar o desconhecido com ele ia além da aceitação passiva das tradições da matilha. "Vamos com calma" ou "Eu não estou pronta" não eram respostas que poderiam moldar o relacionamento com alguém como ele. Dominik, o alfa singular, exigia mais do que meras formalidades.
Em meio às sombras do bairro baixo da matilha, Lina enfrentava não apenas os desafios de uma vida emaranhada nas complexidades lupinas, mas também a teia intricada de sentimentos que surgiam ao se envolver com alguém tão excepcional quanto Dominik. A imprevisibilidade da paixão, entrelaçada com a responsabilidade de sua linhagem, tornava seu caminho incerto, mas, ao mesmo tempo, carregado de uma intensidade única.
O que mais deixava Lina pensativa era como ele cuidava dela e tratava. Ao longo dos anos trabalhando, viu pessoas como ele sendo arrogantes e prepotentes. Pessoas que acreditam poder humilhar alguém somente por não ter dinheiro, status ou posição.
Então ela queria viver aquilo, queria colocar sua vida no lugar.
A lua parecia brilhar pra ela, com uma magia incrível.
Ainda era cedo quando ela saiu do quarto, havia conversado muito pouco na noite anterior. A necessidade de se comerem foi maior que um diálogo.
Dominik queria aquilo, mais rápido possível.
Noite de lua cheia não era só prazer e Dominik não estava em casa. A matilha tinha suas necessidades assim como ele.
Deixar a jovem foi uma atitude boba e ele pensou que isso iria evitar a fuga dela, como na primeira vez.
Era quase sete da manhã, embora o dia estava claro, ela não deu de cara com ninguém dentro da casa.
Parou na cozinha, o cheiro da madeira do piso e de limpeza era evidente. Viu um bloco de nota e apenas se aproximou. Com a letra mais bonita, apenas anotou seu nome e número de casa, ainda pensou em mais algumas palavras.
"Espero vê-lo novamente."
Saindo com os pés no chão e escondida, ela apenas se esquivou da casa. Ainda olhou para casa quando estava perto do portão lateral.
Trabalhou desde nova, sabia onde achar a entrada invisível dos funcionários.
Não havia segurança pessoal de Wolfgang, havia câmeras que pegaram a fugitiva de pés no chão e cabelo bagunçado.
Era hora de Lina arrumar a bagunça.
Queria viver aquilo.
Parecia certo.
Parecia seu destino.
Além disso, Dominik Wolfgang poderia dar o céu pra ela.