O cheiro de pólvora era um perfume acre no ar, misturado ao cheiro metálico do sangue de Jean que encharcava o tapete caro. Vitória permaneceu sentada sobre o corpo dele por um longo momento, a dor latejante em seu rosto cortado. O choque e a fúria começaram a recuar, dando lugar a um cálculo frio e absoluto. Ela poderia fugir. Poderia ligar para William e arrastá-lo para mais um pesadelo de encobrimento. Mas Vitória era uma Fontana. E Fontanas controlavam a narrativa como bem queriam. Com o corpo do marido ainda quente sob o seu, ela fez a última coisa que qualquer assassino faria. Pegou o celular com a mão trêmula e ensanguentada e discou o número da polícia. As lágrimas que vieram não eram de tristeza, mas de uma performance magistral. Eram quentes, reais, o produto de uma vontade

