Alessandra deixou o documento oficial sobre a mesa do escritório de seu pai, o papel parecendo um veneno que contaminava a madeira nobre. Cesar Mendonça o pegou. Seus olhos percorreram as linhas do jargão legal, a expressão calma, quase desinteressada. Mas Alessandra, que o conhecia melhor que ninguém, viu. A veia em sua têmpora começou a pulsar, um sinal sutil, mas inconfundível, da fúria que fervia sob a superfície de autocontrole. Ele leu o documento até o fim, dobrou-o cuidadosamente e o colocou de volta no envelope. Não olhou para a filha. Em vez disso, sentou-se em sua imponente cadeira de couro e apertou um botão discreto em seu telefone de mesa. — Borges, na minha sala. Agora. Menos de um minuto depois, um homem de meia-idade, com o físico de um ex-militar e um rosto que nã

