Capítulo 7
~ O Encontro ~
DOIS DIAS DEPOIS, minha mãe me ligou às sete e meia da manhã, dizendo que Karen ligou para ela e avisou que estava quase a caminho de minha casa. Ela não queria me ligar porque supôs que, no horário em que saíra, eu estaria dormindo. E durante a vinda para minha casa, ela não me ligaria por estar dirigindo.
Minha mãe, duas horas depois disso, havia me ligado achando que eu estava dormindo, mas não foi o caso. Pelo menos, não desta vez.
--Que bom. Achei que ainda estava em profundo sono --disse ela, com um risinho-- Mas como não está, aproveite para deixar café pronto para você e Karen, quando ela chegar.
--Eu já fiz, mãe --respondi.
--Uau! --disse ela, num tom de real surpresa-- Você dormiu?
--Hum... Um pouco.
--Imagino. Está em ansiedade, não é?
--Um pouco.
--Filha, você está bem?
--Sim, mãe. Estou.
--Ok. Divirta-se com sua amiga. Aproveite seus últimos dias de férias, tá bom?
--Sim. Obrigada, mãe.
E a chamada foi finalizada.
*
KAREN CHEGOU ÀS oito e vinte, com uma mala de rodinhas e uma mochila, aparentemente cheia.
Sua aparência continuava linda, como sempre. Aqueles olhos castanhos como mel, cabelos longos pretos, rosto bem desenhado e macio na pele branca delicada, altura de 1,63.
Atendi com o maior prazer a minha amiga, que estava muito bem vestida em uma calça jeans azul e uma camisa branca com detalhes vermelhos.
--Karen!
Ela me deu um abraço apertado e demorado. Eu quase chorei. Por emoção e por estar nos braços de alguém em quem eu confiava.
Karen era uma amiga tão presente em minha vida! Mesmo morando longe de mim após a faculdade, ela fazia questão de me ligar semanalmente, e até mesmo mandar cartas para mim, quando ficou sem celular e redes sociais. Se uma pessoa faz isso por outra, ela realmente a ama. Quem faria isso em plena era da tecnologia, onde as pessoas nem sabem mais o que são cartas e conversas pessoalmente em prosas?
Eu tinha com quem contar, com quem desabafar. Eu tinha uma pessoa em que podia mostrar meu lado humano, falho, que sente medo, que erra, e nem por isso, fazia-me sentir como um lixo.
--Que bom estar com você, Ana! Eu estava com tanta saudade!
--Eu também! --respondi, com os olhos úmidos e brilhantes.
Continuamos ali por um bom tempo, abraçando-nos, com lágrimas nos olhos.