V - LUCIANO

513 Words
Chego na empresa às nove horas e pela primeira vez reparo na mulher ao lado de Dona Marlene. Ela abaixa a cabeça assim que percebe que eu a vi. Isso me faz perceber o tamanho burrada que eu posso estar cometendo. Vou precisar deixar bem claro que, por mais que a questão exija uma imagem de relacionamento íntimo, isso nada mais será que um acordo comercial, objetivo e com prazo bem determinado para acabar. ― Bom dia! ― digo ao passar pelo balcão ― Dona Marlene, me acompanhe, por favor. Não aguardo resposta e sigo para minha sala. Ela aparece logo em seguida e fica em pé em frente à minha mesa, enquanto ligo o computador. ― Sente-se ― aponto para a cadeira à minha frente ― Me passe o relatório. ― Já enviei para seu e-mail pessoal. Como trabalhamos juntas, fiquei com receio de que ela tivesse acesso por acidente ― assinto com a cabeça. ― Vou buscar seu café. Abro meu e-mail e lá está o relatório preparado por Dona Marlene. Descubro que Juliana tem formação em secretariado e que, atualmente, está no nono período de direito. Por que ela não estava estagiando no jurídico? Esquisito. Leio o restante. Não há nada de extraordinário, nem nada que a que desabone. Ótimo! Dona Marlene entra com o café, deposita a bandeja na mesa lateral e me olha aguardando uma resposta. ― Ela ainda precisa aceitar ― digo frio, sem lhe dirigir o olhar. Sinto Dona Marlene ensaiar um sorriso e eu prossigo. ― Oriente-a a se vestir e portar como assistente de um diretor. Se for necessário liberá-la, faça-o. Só preciso que ela esteja aqui às 15:30, para irmos direto para a reunião. ― Sim, senhor. A reunião da diretoria começa às 9:30. O senhor Percival confirmou o almoço e às 14h, tem a prova do smoking. A propósito, a senhorita Alice já ligou hoje. O que digo a ela? ― ela me passava a agenda do dia verbalmente. ― Não há o que dizer por enquanto. Obrigado, Dona Marlene ― falo, dispensando-a. Eu estava atolado de trabalho e ainda ia ter que avaliar a moça durante a reunião com a CZA. Discreta com certeza ela é, porque segundo Dona Marlene ela está na diretoria a seis meses e eu nunca tinha prestado atenção nela. Bonita também, se não fosse minha funcionária, com certeza daria uma volta com ela. Se ela for muito chata, eu posso me esconder no escritório de Angra e fingir que estou trabalhando. Pronto! Agora preciso arrumar um jeito de convencê-la. Olho para o relógio e vejo que tenho que ir para a reunião da diretoria, mas antes preciso avisar a Matheus que é hoje que vamos fisgar um peixe. ― Diga, irmão! ― Preciso de você hoje. Preciso que pense em uma estratégia para convencermos a garota. ― Fala a verdade, cara! Você criou um drama típico de novela mexicana sem necessidade. Quem te conhece nem acredita que você precisa deste tipo de desculpa. ― Grande ajuda... Vou ver isso. Te ligo mais tarde e combinamos, ok?
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