Sempre fui a garota certinha. Aquela que chega em casa cedo, que separa o lixo reciclável, que nunca, nunca mesmo, fala com estranhos no aplicativo depois das 22h. Era uma regra minha. Até aquela sexta-feira. O dia tinha sido um lixo. Reuniões que não saíram do lugar, um projeto importante engavetado e a solidão do meu apartamento de um quarto parecendo maior do que o habitual. O silêncio era tão pesado que abri o aplicativo quase por reflexo, só para ver alguma vida além das quatro paredes. E foi quando vi ele. Perfil novo. Sem foto do rosto, só o torso. E que torso. Peitoral definido, com uma tatuagem intrincada que descia pelo abdômen até sumir na linha do jeans aberto na foto. A descrição era um só verso: “Cansado de conversinha. Procuro ação.” Meu dedo pairou sobre a tela. Eram 23:

