Sou, Adriana. Aquela era minha válvula de escape. Sair sozinha, perder meus amigos no meio da multidão e ficar só na minha, curtindo o som. O pagode tava lotado, quente, aquele cheiro de cerveja derramada, suor e gente feliz. Foi quando eu vi ele. Não era o cara mais bonito do lugar, longe disso. Mas tinha um algo. Talvez a confiança quieta, o jeito que ele segurava a cerveja, ou o olhar que prendeu o meu por um segundo a mais do que o normal, direto do outro lado do salão. A noite foi passando, o samba esquentando, e a gente começou a dançar em grupos que se misturavam. Sem trocar uma palavra, ele veio pra perto. A mão dele encontrou minha cintura durante um samba-choro, e não foi invasiva, foi certa. O corpo dele colou no meu, senti na hora: ele tava duro. Aquele atrito entre nossas rou

