Satan narrando
Virgem! Ninguém nunca tocou nela seria verdade essa p***a? Ou esse cuzão do cabeça estava querendo me enrolar pra cima de mim? Eu encarei a baixinha ali na minha frente, Manuela, com aqueles olhos de cerva assustada, o corpo tremendo, ela era um presente dos deuses do crime, uma b****a de ouro caída no meu colo. Meu p*u deu pulso só de imaginar.
— Você é virgem mesmo? — perguntei, a minha voz saindo num tom que era um misto de dúvida e desejo. — Ninguém nunca te tocou, baixinha? Nem um carinho, nem uma p***a de um beijo desses playboys lá de baixo?
O rosto da Manuela mudou de cor na hora o sangue subiu para as bochechas, tingindo a sua pele de um vermelho vivo que a deixava ainda mais irresistível, ela apertou as mãos contra o corpo, tentando se esconder debaixo daquelas roupas.
— Isso... isso não é da sua conta! — ela disparou, a sua voz trêmula, mas carregada de uma petulância que me fez rir.
Soltei uma risada anasalada, sentindo o peso do meu corpo vibrar contra a moto.
— Ah, gostosa... Isso importa sim e importa muito — respondi, abrindo um sorriso que eu sabia que a assustava. — Eu nunca vi uma b****a de ouro aqui na favela, se você é esse tesouro todo, o valor da negociação muda completamente.
Eu a vi engolir em seco, a tensão dela era palpável, o cheiro do medo se misturando ao perfume doce que emanava da pele dela. Eu a queria, e o desejo ali embaixo estava ficando difícil de ignorar.
— Se você quer tanto ver seu irmão livre, Manuela, eu quero saber o que você tem para me oferecer — continuei, voltando a ficar sério. — Porque o papo de "por favor" não enche barriga nem paga droga consumida.
Olhei para o lado, vendo o Polegar e os outros vapores observando tudo. A plateia já tinha visto demais.
— Sai daqui, Polegar! — ordenei, a minha voz agora como um chicote. — Leva esse filho da p**a do Cabeça pra casinha. Tranca ele lá enquanto eu decido com a Manuela o futuro dele... e o quanto ela está disposta a ceder para salvar o couro desse noiado.
— É pra já, chefe — Polegar respondeu, arrastando o Cabeça, o verme gritava, implorando, mas o som foi sumindo conforme eles se afastavam.
Fiquei a sós com ela no meio da praça, saquei um cigarro de maconha, acendi e dei um trago longo, sentindo a fumaça relaxar meus nervos enquanto eu a devorava com os olhos.
— Fala, garota... vai ficar só me olhando? — soltei a fumaça na direção dela.
— A minha mãe... ela só tem ele de filho — ela começou, a voz quase sumindo. — Ela está doente, Satan. Ela não aguenta perder ele. Eu estou te pedindo... por favor, não mata meu irmão.
— Ele me deve, Manuela. E eu não perdoo dívidas. Não sou assistente social, não costumo fazer caridade. No meu mundo, quem não paga com dinheiro, paga com a vida. É a regra.
— Eu posso trabalhar o dobro! — ela exclamou, dando um passo desesperado na minha direção. — Eu tenho meu emprego no asfalto, posso pegar mais faxinas, posso fazer b***s aqui no morro... Se você dividir a dívida, eu pago cada centavo com juros, eu juro!
Soltei uma gargalhada alta, sentindo o deboche queimar na garganta.
— Você acha que eu trabalho com pagamento parcelado, p***a? Acha que isso aqui é Casas Bahia? — dei mais um trago, me aproximando dela até que nossos p****s quase se tocassem. — Eu não quero seu dinheiro suado de faxina, baixinha. Mas se você quer quitar a dívida do seu irmão e salvar a vida dele, eu aceito um pagamento à vista. Só que a única negociação que eu aceito é a do seu corpo.
— Do meu corpo? — ela repetiu, os olhos arregalados, as lágrimas começando a transbordar.
— Sim. Exatamente isso. Você se entrega pra mim, de corpo e alma, faz tudo o que eu mandar entre quatro paredes e fora dela e eu esqueço a dívida do traste do seu irmão. É pegar ou largar.
— Eu não posso fazer isso... — ela sussurrou, a voz quebrada. — Eu não posso me entregar a você desse jeito...
— Você que sabe — dei de ombros, fingindo uma indiferença que eu não sentia. — Se não pode, então vaza da minha frente. Vou continuar meu serviço e terminar de despachar o Cabeça pro inferno.
Eu fiz menção de subir na moto, mas a mão pequena dela agarrou meu braço. O toque foi como um choque elétrico.
— Espera! Você... você vai mesmo matar ele?
— Vou. Sem remorso nenhum.
— Por favor, não mata meu filho!
A voz arrastada e sofrida veio de trás de nós. Olhamos na direção do som e vi a Dona Renata, a mãe do Cabeça e agora eu descubro ser da Manuela, sendo amparada pela Viviane. A mulher parecia um fantasma, pálida, com a morte estampada nos olhos cansados. Manuela correu para o lado dela, o desespero atingindo um novo nível.
— Mãe! Por que a senhora veio aqui? — Manuela perguntou, segurando a mulher que m*l parava em pé.
Viviane olhou para mim, depois para a amiga, com uma expressão de derrota.
— Amiga, desculpa... eu não consegui deter ela. Ela descobriu que o Cabeça estava na salinha e surtou.
Manuela se virou para mim, os olhos suplicantes, o rosto banhado em pranto.
— Por favor, Satan... não faça nada com ele. Me deixa tentar pagar, eu dou um jeito, eu prometo!
Eu já estava perdendo a minha paciência, a cena de família destruída não me comovia, só me deixava mais frenético para ter o que eu queria.
— Presta atenção no que eu vou te falar uma única vez — disse, a minha voz gélida, montando na moto e ligando o motor. — De você, Manuela, eu só aceito uma coisa: sexo, se você quiser salvar o resto da sua família, se quiser que esse verme continue respirando, você já sabe a proposta. Vou estar na boca. Se você não aparecer lá em duas horas, o seu irmão morre. O relógio tá correndo.
Dei partida na moto e saí dali, deixando o rastro de fumaça e o som do choro delas para trás. Vi pelo retrovisor a Manuela caindo sentada no asfalto, destruída, enquanto a mãe se debulhava em lágrimas sobre ela.
Cheguei na boca e fui direto para a minha sala me Joguei na poltrona de couro, mas não conseguia me concentrar em nada, a imagem daquela garota não saía da minha cabeça. Os olhos grandes, a boca carnuda, aquele corpo perfeito que parecia ter sido esculpido para ser possuído por mim.
— Garota desgraçada... — resmunguei, sentindo o meu sangue pulsar. — Venha de livre e espontânea vontade e salve a p***a do noiado do seu irmão, se não vier, ele vai morrer e você vai ser minha do mesmo jeito, eu vou te buscar no inferno se precisar, porque um presente desses a gente não recusa.
Sorri sozinho, jogando a ponta do cigarro de maconha no chão e esmagando com a bota. Eu sabia que ela vinha. A moralidade sempre perdia para o amor de família, e eu ia usar isso para quebrar a Manuela.
Não demorou muito e o Polegar apareceu na porta, com aquela cara de quem queria sondar o terreno.
— E aí, Satan... resolveu com a Manu? Porque a Viviane tá lá embaixo nervosa e...
Eu me levantei num salto, o meu olhar fulminante fazendo o Polegar travar no lugar.
— "Manu"? — repeti, a minha voz carregada de veneno. — Que p***a de i********e é essa, Polegar? O nome dela é Manuela. E não quero saber de i********e sua com ela, tá ouvindo? Se eu souber que você tá de gracinha ou de papo furado com o que é meu, o próximo na casinha vai ser você.
— Calma, irmão... é só o jeito de falar — ele gaguejou, recuando.
— Pois mude o jeito. Ela vai ser a minha p**a e ninguém, além de mim, toca ou chama ela por apelidinho, agora sai da minha frente e avisa pros vapor que se ela aparecer na subida, é pra trazer direto pra cá.
O tempo estava passando e eu m*l podia esperar para ver a "santinha" cruzar a porta do meu inferno.
Eu estava sentado na minha poltrona, eu tragava o que restava do meu cigarro, quando ouvi o barulho de passos hesitantes no corredor.
A porta rangeu e ela apareceu.
O estado da Manuela era de estraçalhar o coração de qualquer homem que tivesse um, mas como eu não tenho, aquilo só serviu para atiçar meu instinto de posse, ela estava com o rosto inchado de tanto chorar, o cabelo que antes parecia um manto de seda agora estava desalinhado, e as mãos tremiam tanto que ela precisava segurar a própria blusa para não desmoronar.
— Você... você venceu — ela sussurrou, a sua voz saindo como um sopro de agonia.
— Chega mais perto, Manuela — ordenei, sem me mexer. — Não gosto de negociar com quem fica na sombra.
Ela deu passos curtos, parando bem na frente da minha mesa. O cheiro dela, aquele perfume doce misturado com o suor do desespero, invadiu minhas narinas.
— Se você libertar o meu irmão... se deixar ele voltar para casa agora e esquecer essa dívida... eu me entrego a você. Faço o que você quiser. Só, por favor, solta o Léo.
Eu me recostei na minha poltrona, um sorriso de satisfação rasgando o meu rosto. Ver aquela santinha se rendendo ao d***o era melhor do que qualquer carga de pó puro que já entrou nesse morro.
— Viu só? Eu sabia que você era uma garota inteligente — falei, saboreando a vitória. — Sabia que não ia deixar aquele traste do seu irmão virar comida de urubu por puro capricho.
Gritei o nome do Polegar, que apareceu na porta no mesmo instante, parecendo um cão de guarda esperando minhas ordens.
— Fala, irmão.
— Manda um dos vapor descer agora na casinha e soltar o Cabeça, diz pra aquele verme sumir da minha frente e ir direto pra casa, a dívida tá paga, a Manuela acabou de quitar cada centavo.
Polegar assentiu, lançando um olhar rápido e cheio de pena para ela antes de sair, mas eu não dei espaço para piedade no meu mundo, tudo tem um preço, e o dela era a coisa mais valiosa que ela possuía.
Manuela fechou os olhos, os ombros caindo como se o peso do mundo tivesse acabado de esmagá-la. Sem dizer uma palavra, ela virou as costas, caminhando de cabeça baixa em direção à saída. Ela achou que o sacrifício terminava ali, no acordo verbal. Doce ilusão.
— Onde você pensa que vai, Manuela? — Minha voz cortou o silêncio como um chicote, fazendo-a estacar no lugar.
Ela se virou devagar, o olhar opaco.
— Eu vou para casa cuidar da minha mãe... você disse que ele estava livre.
Levantei-me devagar, contornando a minha mesa com a calma de quem já capturou a presa. Parei a poucos centímetros dela, sentindo o calor que emanava do seu corpo pequeno.
— Ele está livre, mas você não — segurei o queixo dela, forçando-a a olhar para mim. — Presta bem atenção, porque eu não repito ordem, a partir de agora, você é minha. Cada centímetro desse seu corpo, cada suspiro, cada pensamento... tudo me pertence. Eu não quero você choramingando pelos cantos ou achando que pode me dar as costas. Anda na linha, ou o Léo volta pra casinha antes mesmo de chegar em casa. Fui claro?
— Sim... — ela soluçou, e uma lágrima solitária escorre e molhando meus dedos.
— Ótimo. Agora vaza. Vai limpar esse rosto e se preparar. Logo mais eu mando um dos meus homens te buscar para te levar para a casinha da rua quinze, é lá que eu vou te comer, Manuela. E eu espero que você esteja pronta para ser a melhor p**a que esse morro já viu, porque eu não pretendo ter pressa com você.
Eu a soltei e ela saiu quase tropeçando, fugindo da minha presença como se estivesse escapando do próprio inferno. Mas ela não sabia que o inferno dela estava apenas começando, e que eu seria o único deus a quem ela clamaria por misericórdia.
Voltei para a minha poltrona e acendi outro cigarro, o sorriso ainda brincando nos meus lábios. Aquela noite seria longa. E o sabor daquela "b****a de ouro" seria o prêmio por toda a minha paciência.