Luci
— Senhorita Forrester, também precisamos te examinar — Amy, a enfermeira que terminou de cuidar de Cole, sorri para mim.
— Estou bem, só vai doer um pouco — Eu aceno para ela com a mão.
— Bem, esse pulso não parece estar bem, mas isso não foi de salvar o Sr. Cole — Ela levanta uma sobrancelha e eu olho para o meu pulso. Eu já tinha me esquecido de Maxton, parecia que tinha sido há dias. Já dava para ver um leve roxo surgindo sob a pele.
Não n**o.
— Não, mas também não é o que você está pensando. Para ser sincera, eu estou bem. Os paramédicos me examinaram antes de sairmos. Vou ter alguns arranhões e hematomas, só isso.
Eles enfaixaram o pior no meu braço depois de limpá-lo, e isso vai doer um pouco com a minha roupa nos próximos dias. O que me lembra que acho que eu perdi meu moletom para sempre.
Vejo o Cole completamente embrulhado no meu moletom depois do exame. Ele fica bem de roxo e eu não vou pedir de volta; principalmente com o picolé de laranja que ele está derramando por todo o moletom. Menos uma coisa para lavar hoje.
Espera, será que deixei a secadora ligada quando saí? Não que isso importe sete horas depois, mas como não ouvi sirenes, suponho que o meu prédio de apartamentos não virou uma fogueira. Tenho certeza de que as manchetes seriam bem compreensivas: “Estudante distraída incendeia metade do prédio do campus ao deixar a secadora ligada enquanto não estava em casa.”
— Luci? — Cole está me encarando.
— Oi. Desculpa, eu fiquei distraída por um minuto. Você precisa de algo? — Normalmente eu me saio melhor com crianças; afinal, por alguma razão, não costumo percorrer caminhos tortuosos em minha mente quando estou com elas, talvez porque elas falam muito e estão sempre brincando de forma acelerada, não me dando tempo para me desconectar.
— Não. Você fez uma cara como se estivesse machucada.
— Provavelmente, estou. Mas, lembrei de algo que posso ter errado, e fiquei preocupada — Eu sorrio para ele.
— Cole — Uma voz firme chama, e eu me viro para ver uma mulher com cabelos loiros sujos cortados na altura do queixo se aproximando da cama. Ela veste um vestido de festa rosa escuro no comprimento do chá e saltos nude; sua maquiagem é discreta, mas as suas joias não são, pois ela está repleta de diamantes, não muito grandes, mas várias peças. Conto uma pulseira, e mais duas pulseiras com algum tipo de diamante e pedra preciosa, três anéis, brincos e um colar de diamantes para combinar com sua pulseira.
— Vovó — Cole diz com rapidez, e volta a comer seu picolé como se ela fosse tirá-lo.
— Você não é a enfermeira pelo que vejo — Ela olha para mim de cima para baixo.
— Não, mas posso chamar Amy — Eu pressiono o botão de chamada na cama, mas eu não me levanto. Estou cansada e, com honestidade, já estou dolorida.
Amy se aproxima com um sorriso amigável no rosto ao cumprimentar nossa visitante.
— Oi, você deve ser a Vovó.
— Sou Imogen Walters, e aquele é meu neto, Cole. Ele está ferido? Um Oficial Perkins me deu os detalhes do acidente, mas não disse nada sobre os ferimentos dele.
— Alguns arranhões e talvez alguns hematomas no ombro. A Srta. Forrester usou o corpo para amortecer a queda dele — Amy soa orgulhosa, e vejo os olhos azuis frios daquela mulher se voltarem para mim.
Tenho a sensação de que aqueles olhos nunca são acolhedores, considerando a forma como ela olha para o precioso garotinho na minha frente, sem um abraço para ele depois do evento traumático pelo qual ele também passou. Meu coração dói por ele. Lembro de desejar abraços quando não era muito mais velha do que ele, me perguntando como seria ser acolhida com amor em vez de palavras rápidas para me endurecer.
Estendo a mão e aperto o braço de Cole com um sorriso. Garanto que o abraçarei antes de sair, se ela me permitir ao menos fazer isso. Alguém precisa dar a ele afeto, porque ele parece ser muito doce.
De forma vaga, escuto uma voz irritada se filtrar. Fiquei acostumada a ignorar gritos e vozes irritadas quando era criança, pelo jeito que cresci. Isso me lembra de que preciso ligar para Janet e dar uma notícia. Sinto falta dela.
Eu me viro de volta para a Sra. Walters, percebendo que é a voz dela que estou ignorando.
— Srta. Forrester! Está me ouvindo? — Volto a minha atenção para ela. Sua indignação chocada é evidente.
— Desculpe. Foi um dia longo, e acho que o choque de tudo está finalmente me atingindo.
Está, mas eu não gosto de explicar minha mente inquieta a estranhos, a menos que seja necessário.
— Perguntei se eu poderia compensá-la de alguma forma, além da sua conta do hospital — Ela cruza os braços e bate o pé.
— Oh, não! Isso já é mais do que suficiente — Vejo o alívio nos olhos dela.
— Muito bem.
E assim, sou dispensada.
Então, eu me viro para Cole.
— Fico feliz por ter conhecido você, Sr. Cole. Você foi um menino muito corajoso hoje.
— Vou sentir saudades, Luci — Ele me olha com tristeza.
— Também vou sentir saudades. Tchau, Cole — Dou um abraço nele e saio com relutância. Eu nunca tive uma avó, mas Imogen Walters parecia nem chegar perto de merecer esse título. Com um aceno de dedos, começo a sair da área de triagem.
Caminho para fora, pensando se posso chamar um Uber de volta para o campus, pois não é uma caminhada curta daqui. Ao abrir o aplicativo no meu telefone, ouço um assobio.
— Ei, Luci — Me viro e vejo Warner, o paramédico — Precisa de uma carona de volta para o campus? Nossa base é bem ao lado.
Dou a ele um sorriso de gratidão.
— Seria ótimo.
Ele assente.
— Vamos. Você poderia nos contar sobre a avó dragão toda certinha que estava se encontrando com a babá abandonadora.
Rio de suas descrições. Eles me deixam bem na altura do acidente, o que está bom para mim, já que meu carro fica a apenas uma quadra dali.
Olho para a árvore, onde um guincho está trabalhando para afastar o carro dela. Estremecendo por dentro, agradecendo porque um menininho não esteja preso ali, ou qualquer pessoa. Warner disse que o motorista teve alguns ossos quebrados, mas deve se recuperar. Tomara que o telefone dele também tenha quebrado.
Volto a minha cabeça a tempo de quase esbarrar em um humano alto, e paro a um centímetro do impacto, felizmente, quando vejo os Quatro Reis.
Naturalmente, teria sido Easton que eu teria atingido de novo. Dou um passo para trás, esperando que ele não me veja; porém, sem sorte hoje. Começo a me mover para contorná-los, mas eles se espalham bloqueando o meu caminho com nada além de uma parede de gigantes loiros.
Easton e Jackson são gêmeos, mas Becker e Kingston também são. Eles têm quase a mesma idade, pelo menos é o boato no campus. Sempre há murmúrios sobre eles, desde suas vidas amorosas até quais são suas verdadeiras conexões familiares. Eles dizem a outros que são irmãos, mas biologicamente isso não é possível; provavelmente são adotados, mas isso não é realmente da minha conta. Eu sei melhor do que ninguém que uma família nem sempre segue nenhum padrão tradicional.
Becker e Kingston se parecem o bastante com Easton e Jackson para saber que eles são parentes. Seus cabelos são mais loiros dourados do que cinza e eles têm olhos azuis celestes, ao contrário dos olhos azuis prateados de Easton e azuis gelados de Jackson. O cabelo de Kingston roça seus ombros e ele costuma prendê-lo no popular coque masculino, enquanto o de Becker é mais parecido com o de Easton, levemente esvoaçante e sempre ao vento.
Eu os encaro enquanto dou dois passos para trás, querendo contornar a parede do time de hóquei.
— Luci, você recebeu uma compressa de gelo. Perdeu? — A voz de Becker pergunta com calma. Ele é o mais amigável dos quatro e uso esse termo de forma vaga. Mas como ele não vai morder...
Olho para o meu pulso, pensando na brincadeira de Cole com isso na ambulância. Ele precisava de uma distração, e eu dei para ele. Ele foi tão fofo dizendo “não, isso é para machucados”, até eu insistir que o meu machucado já estava melhor.
Antes que eu possa responder, a voz em um rosnado de Easton se faz ouvir.
— Claro, ela perdeu. Ela nem é esperta o suficiente para usar um casaco lá fora, sabendo que vai tremer — Ele diz com sarcasmo, mas tem um toque de raiva ali. Seus olhos estão faiscando, então eu reviro os olhos e começo a me movimentar para contorná-los.
Ele chama mais alto.
— Não consegue fazer melhor do que revirar os olhos? Você sempre aparece nos momentos mais inoportunos, não é?
Franzo a testa enquanto continuo andando. Ele não faz ideia dos momentos inoportunos que passei. Escuto a voz de Warner vindo da ambulância e ele está prestes a sair da calçada.
— Ei, Luci, está tudo bem? Ele está te incomodando?
E, às vezes, minha mente dispersa dispara coisas mais rápido do que consigo piscar ou reconsiderar com mais cuidado.
— Ele teria que ser importante para me incomodar. Estou bem. Obrigada, Warner — Aceno para ele. “Continue andando, Luci.” Aquela provavelmente não foi a ideia mais inteligente, embora tenha sido satisfatório.
Ouço um sussurro atrás de mim e o que parece ser uma risada abafada por uma tosse.
— Nossa, East, você pode precisar de uma compressa de gelo para aquela queimada — É a voz tranquila de Kingston.
Dou a volta na esquina e deixo os meus olhos seguirem o caminho deles. Easton fica me encarando com os punhos cerrados; então, ele com rapidez olha por cima do ombro quando Jackson sussurra algo.
— Cuidado para não cair na mesma armadilha que a sua coelha, Luci — Ele diz com frieza e repreendo o arrepio, mas então avisto o time de futebol americano caminhando em direção aos irmãos Reed. Isso é um incentivo suficiente para que eu entre no meu carro com rapidez e saia dali.
Quando acordo na manhã seguinte, lamento. Parece que um caminhão passou por cima de mim. Vou tomar um ibuprofeno e um banho quente na esperança de consertar isso.
Estou indo para a minha primeira aula do dia quando meu telefone toca com um número desconhecido. Atendo, imaginando o que esse telemarketing está tentando me vender algo.
Fico surpresa ao ouvir aquela voz austera de novo.
— Srta. Forrester, aqui é Imogen Walters.
— Olá, Sra. Walters. O Cole está bem?
— Sim, ele está bem. Tenho algo para discutir com você após o incidente desagradável de ontem.
Oh, não, isso não pode ser bom...
— Estou entrando em contato sobre um emprego, Srta. Forrester. Com as festas se aproximando, tenho uma agenda social muito cheia e o Cole precisa de uma babá de segunda a sexta-feira após a escolinha e ocasionalmente nas manhãs de sábado. Também haverá algumas noites de sábado quando tivermos planos. Durante a semana, você o levaria da escola para a nossa casa e cuidaria dele até às 18 horas. Ele termina a escola às 14h30 e a escola não fica longe do campus. Com as ações da Madison ontem, não posso mais empregá-la. O que eu descrevi te interessa?
Penso com rapidez em minha agenda. Minha última aula termina às 13 horas e 30 minutos às terças e quintas.
— Sim — Respondo simplesmente. Eu tive a impressão de que ela gosta de falar bastante, mas não de ouvir igualmente.
— Você consegue lidar com as horas estabelecidas?
— Sim — Deveria ser capaz de continuar ajudando a Syd com seu sobrinho, Barrett, se ela precisar.
— Muito bem. Vou elaborar um contrato. O pagamento é de mil dólares por semana — Ela deixa essa informação ali e eu fico esperando, imaginando se imaginei isso — Você pode precisar alterar os horários a qualquer momento, por isso acredito em compensá-la pelo seu tempo. O prazo provisório é até algumas semanas depois do Ano Novo, embora possa ser prorrogado.
Faço uma rápida conta. Com isso, não precisaria trabalhar de novo até depois de me formar.
— Isso tudo parece muito justo — Eu respondo, sabendo que seria burra se recusasse esse emprego.
— Muito bem. Posso arrumar um tempo para nós nos encontrarmos hoje em minha casa. Vou te mandar o endereço por mensagem, esteja lá às 15 horas e 30 minutos. Eu não tolero atrasos, Srta. Forrester — Ela desliga e eu me pergunto se ela se importa com educação para com os outros. Mesmo com ela como minha empregadora, isso parecia bom demais para ser verdade. Espero que não seja.