Quando Taehyung acordou, já desejava matar todo mundo; ele simplesmente odiava acordar cedo, ainda mais com alguém lhe balançando sem um pingo de piedade de um lado para o outro e tirando a coberta no qual o protegia do frio, que estava intenso, tendo direito a chuviscos e uma pequena neblina sobre o chão.
Depois que levantou de sua cama aconchegante e quentinha, Taehyung suspirou fundo e andou ao banheiro, jogando um pouco d'água em seus fios e voltando ao quarto, despindo-se do pijama e começando a vestir uma blusa de moletom cinza larga, uma calça do mesmo tecido e da mesma cor, e por fim um All Star branco novinho em folha. Quando totalmente arrumado, ele saiu do quarto e desceu as escadas, logo podendo ver uma cabeleira ruiva em pé ao lado do sofá. Aproximando-se do menino e notando que não teria muito o que fazer, Taehyung empurrou fracamente o ombro dele, a fim de querer chamar sua atenção, atingindo seu objetivo com sucesso.
— Ah... oi? — O Kim com um semblante não muito bom chamou, porém logo arregalou os olhos por sentir braços finos envolvendo seu pescoço, apertando-o em forma de carinho, como um perfeito abraço. — Ei, ei, ei. O que pensa que está fazendo? — Taehyung afastou o outro de si rapidamente, um tanto assustado pelo ato alheio.
— Me desculpe. — Ele pediu, mas não desmanchou o sorriso que estava em seu rosto desde que Taehyung chegou na sala. — Muito prazer, meu nome é Jung Hoseok. — O de madeixas ruivas ofereceu a mão para o maior apertar. Taehyung não conseguia entender como o menino sorria tão... tão espontâneo.
— Kim Taehyung. — Suspirou mais uma vez e cruzou os braços, olhando somente com desprezo para o ômega, igual como fez com NamJoon.
— Certo, espero que goste do que iremos fazer.
— Iremos? Sério? — Riu debochado, mas logo revirou os olhos quando o tal de Hoseok assentiu desentendido. — Não irei fazer nada, você vai, i****a. — explicou.
— Oh, m-mas... Jinnie me disse que voc-...
— Que se f**a, não vou fazer nada e ninguém irá me obrigar. — resmungou, logo vendo Jung Hoseok se encolher minimamente, com receio de levar outra patada. — Para onde vamos?
— P-Para lá. — Apontou receoso para uma porta, esta que levava ao enorme quintal da casa.
— Vem, vamos logo, estou com pressa. — O Kim começou a andar em direção onde foi indicado. — O quanto mais rápido você começar, mais rápido você termina.
Seguindo o loiro, Hoseok não soube muito o que fazer, mas apenas iria tentar seguir as ordens de seu hyung, que era, no entanto, ajudar Taehyung a não ser muito... boboca? Sim, era isso. SeokJin-hyung havia lhe dito que Taehyung era muito boboca e que deveria ajudá-lo a mudar urgentemente seu comportamento.
— É aqui. — Mostrou o jardim, com um sorriso pequeno no rosto.
— Bonito. — Cruzou os braços, mostrando que não ligava. — Pode começar.
— Você... não vai querer ajudar nenhum pouquinho? É legal, eu juro!
— Não.
— Hum... tudo bem. — disse baixinho. — Ah! Não sente aí, por favor... — Até tentou avisá-lo, mas era tarde demais, Taehyung já havia sentado no banquinho que guardava as ferramentas, e agora tentava captar algum mísero sinal de dados moveis.
— Como você vive sem internet, hein? p**a que pariu. — perguntou abismado. Não estava aguentando mais, e olha que ficou naquele fim de mundo por apenas vinte e quatro horas, talvez mais um pouco.
Ficando em silêncio, Hoseok suspirou fundo e começou a organizar o jardim que NamJoon tinha feito especialmente para si.
Os minutos haviam passado e Taehyung não levantou nem um dedo para ajudar Hoseok a cuidar do jardim, muito menos lhe auxiliar em alguma coisa. Não era empregado de ninguém, ainda mais daquele povinho de interior.
— O que está acontecendo aqui?
Tanto o Jung, quanto o Kim tomaram um susto quando uma voz além da deles surgiu.
— Hyung, bom dia! — Hoseok cumprimentou, com seu humor de sempre. — Acordou cedo.
Eram seis e cinquenta da manhã.
— Acordei só para conferir se estava tudo em ordem e vejo que não.
— Como? — Hoseok não entendeu.
— Primeiro, Taehyung não deveria estar usando seu celular. — SeokJin, que trajava um roupão preto e calçava uma pantufa, pegou o objeto da mão do mais novo, que revirou os olhos irritado. — E segundo, por que não está ajudando Hoseok a cuidar desse local?
— Eu? — Taehyung apontou para seu peito, confuso.
— Sim, você, Kim.
— Hum... — Tentou pensar em algo, porém nenhuma desculpa chegava em sua mente. — Não sei?
— Pois agora irá saber, você tem que ajudá-lo no que ele precisar. — Apontou a Hoseok e depois ao jardim. — E isso começa agora, sim? — falou, e conseguiu ouvir Taehyung bufar. — Ho, qualquer coisa me chame.
— Obrigado, Jin.
— Por nada. — Bocejou, saindo da pequena parte do quintal em passos lentos e pesados.
— Ele me odeia. — Taehyung falou, no momento em que SeokJin se distanciou.
— Jin-hyung não odeia ninguém.
— Eu duvido disso. — Levantou. — O que quer que eu faça?
— Vem aqui. — Hoseok bateu no chão ao seu lado.
— Você... você quer que eu sente aí? — O Kim fez uma careta.
— Huhum. — assentiu. — Ah, o seu tênis, pode tirar, se quiser.
O Kim arqueou uma sobrancelha.
— Não, não irei fazer isso.
— Mas... vai sujar.
— Esse lugar é o inferno escondido, meu Deus. — Taehyung na força do ódio tirou o calçado de seus pés. — Onde deixo, essa merda?
— No lugar onde estava sentado.
— Certo.
Fazendo o que foi pedido, logo contra a vontade Taehyung sentou naquela lama nojenta e gosmenta. Tentando acalmar os nervos, o loiro observou o ômega a sua frente sorrir para si, mas apenas tentou não revirar os olhos mais uma vez, pensando no quão ridículo ele era.
— Que p***a faço agora?
— Você tem que cavar em quadradinhos a muda, depois a passar para outro espaço.
— Para que isso?
— Ajuda ela a se fortalecer.
— Que baboseira, é só jogar água.
— Elas poderiam morrer afogadas, Tae.
Taehyung cerrou os olhos para o ruivo.
— Nunca mais me chame assim. — mandou, entredentes.
— Oh... — Abaixou o olhar, envergonhado. — Desculpa. — pediu baixinho.
— Me dá logo essa pá, eu só quero terminar isso e ir embora. — O Kim tirou o metal da mão de Hoseok e começou a fazer o que foi explicado.
Trabalhando, trabalhando e trabalhando, as horas passaram rápido, por isso ambos os ômegas nem perceberam quando terminar de cuidar do jardim. Hoseok tinha ficado quietinho em todos os momentos, diferente de Taehyung, que reclamava da vida a cada segundo.
— Estou no meu quarto, não me chame e nem me procure. — O aloirado ordenou.
— Hey! Temos mais coisas para fazer. — avisou.
— O quê?
— Cuidar dos cavalos e aparar a grama.
Taehyung riu, mas riu alto.
— Não, eu só fui designado a cuidar dessa... dessa plantação de mato.
— Oh, não, não. — negou. — É cuidar do jardim, cavalos e grama.
— Onde eu escolhi o que iria fazer, apenas estava escrito "jardim".
— Você se enganou... — disse em forma de sussurro, mas foi suficiente para o Kim ouvir. — O-Onde vai?
Caminhando em passos pesados e rápidos à cozinha, Taehyung logo encontrou quem queria. Abrindo a boca, o Kim começou a dizer em bem e alta voz para que todos da mansão pudessem ouvir:
— Eu escolhi arrumar o jardim com aquele i****a, não fazer sei lá o que com os cavalos e depois limpar a grama!
— Cuidar dos cavalos e aparar a grama?
— Isso.
— Kim, você apontou e escolheu esses três.
— Não, eu não fiz isso. — retrucou vendo SeokJin se esticar um pouco e pegar as mesmas fichas do dia passado, essas que encontravam-se em cima do armário.
— Olhe. — Apontou, com seus dedos magros e compridos as fichas. — Primeiro jardim, segundo cavalos, terceiro grama. — Sorriu irônico. — Você escolheu os três.
— Mas que porr-...
— Taehyung.
— Tá bom. — Bufou. — Vou fazer o que escolhi. — debochou, dando as costas.
Voltando ao jardim, Taehyung arqueou uma sobrancelha por ouvir uma risada infantil. "Ah... aquela criança, a peste", o Kim suspirou fundo e preparou-se mentalmente para dar de cara com aquele pirralho.
— Logo, logo ele chega e vocês poderão brincar muito, hu? — Hoseok animadamente passou seu nariz pela bochecha gordinha do menino em seu colo.
— H-Hyung?
— Sim?
— Será que e-ele sentiu minha falta?
— Jungkookie. — riu. — Duvido que ele não tenha sentido!
— Sério? — Sorriu, mostrando seus dentinhos de coelho.
— Claro!
— Vocês vão ficar conversando ou podemos finalmente cuidar daqueles bichos? — Taehyung cortou o climinha fofo, não dando a mínima para o olhar cerrado do filhote no colo do tal Jung Hoseok.
Colocando a criança no chão, o ruivo assentiu simples e olhou para Jungkook.
— Jungkook dá "oi" para o novo morador da casa.
O Jeon não havia ido muito com a cara daquele ômega loiro.
— Oi. — murmurou.
— Tsc, de direito, Kookie.
— Hyung, não quero dar oi para ele.
Hoseok ficou constrangido.
— Está bem, pode então ir aos seus afazeres?
— Huhum. — Concordou, e depois correu em direção a casa, esbarrando em Taehyung por pirraça.
— Quem é aquele fedelho? — Taehyung perguntou de braços cruzados.
— Ele foi deixado pela mãe e veio parar bem na casa do Nam-hyung. — respondeu. — Ele é um bom menino.
— Hum... tá, vamos logo. — disse — Onde é... onde que os cavalos ficam?
— No celeiro, não é muito longe. — Abraçou seu próprio corpo.
— Beleza, vamos. — Começou a andar.
Em segundos, Hoseok e Taehyung já haviam chegado no estábulo. O porte daquele celeiro dava para seis cavalos ficarem e, no entanto, os ômegas teriam de cuidar de todos os seis. Tirando o primeiro animal do estábulo, Hoseok sorriu, amava muito aquele de pelagem branca.
— Quer cavalgar?
— Oi? Não. — negou.
— Vai ser legal, eu posso ir devagarinho.
— Já disse que não. — respondeu em tédio. — O que a gente irá fazer com eles?
— Limpar os cascos e escovar os pelos.
— Como é que faz isso?
— Eu faço e depois você tenta fazer o mesmo.
— Tá, anda logo.
Pegando os equipamentos certos, Hoseok cuidou de seu cavalo, esse que se chamava Sun; ele tinha os pelos brancos e era um ótimo corredor, o Jung tinha até mais de dez medalhes, sendo todas o primeiro lugar.
— Prontinho. — Sorriu. — Entendeu como faz?
— Mais ou menos. — Suspirou fundo. — Quem é esse?
— É o cavalo do Jungkook.
Taehyung fez careta.
— Não irei cuidar dele, não... e esse?
— Nam.
— Pode ser ele, qual é o nome?
— Clever.
— Nossa... estranho.
Em meio a todo o processo de cuidar dos animais, Hoseok percebeu que Taehyung aprendia as coisas rápido, porém não gostava de conversar, chamar por apelidos, falar da vida pessoal e muito menos sorrir.
Fazendo um carinho na crina de Clever, o Kim o escovava, apesar, já tinha terminado de limpar seu casco.
— Você ainda está de pé no chão.
— Eu sei.
— Precisa de um chinelo, se não irá ficar doente.
— Chinelo? Sério? — riu.
— Huhum.
— Que brega. — Fez careta.
— Se quiser, eu posso te emprestar um... — falou sugestivo.
— Não preciso de nada que venha daqui, muito menos de você.
O Jung arregalou seus olhos pequenos.
— Tudo... tudo bem. — Assentiu fraco; estava se acostumando com Taehyung. — Temos que cuidar da grama agora.
(...)
Os ômegas já tinham terminado todo o serviço, e Taehyung pensara que poderia morrer de cansaço dentre minutos. Suas aulas à noite começavam em semanas — ou meses, o Kim não lembrava — e só de pensar que teria que fazer tudo isso que fez hoje nos próximos dias, o loiro não via a hora de ir embora.
— Você precisa descansar. — Hoseok tirou o ômega de seus pensamentos.
— Não fale algo que eu não sei.
— Mesmo você não querendo, eu deixei um calçado na sua porta... pode usar se quiser.
Taehyung revirou os olhos.
— Tá bem, só me deixe em paz, pelo menos a noite.
— Até amanhã?
— Sim.
O Kim só queria descansar por no máximo um dois anos.